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"Todos Se Calaram. Eu Defendi o Mafioso." Capítulo 11

Uma casa onde eu podia ficar

Quatro meses depois, encontrei uma meia de Wes dentro do vaso da sala.

A planta continuava viva, apesar de tudo.

"Tem alguma explicação para isso?", perguntei, erguendo a meia.

Meu irmão olhou por cima do livro.

"Estava atrapalhando."

"Seu pé?"

"A meia."

Nico fez um som suspeito perto da janela.

"Não incentiva", avisei.

"Estou apenas apreciando a clareza da resposta."

Wes sorriu. Ainda havia consultas, cuidados e limites para o que podia fazer, mas a cirurgia tinha corrido bem. Ele já discutia com a professora sobre a quantidade injusta de tarefas que recebera durante a recuperação. Eu guardava as orientações médicas numa pasta azul e, pela primeira vez, não precisava guardar junto uma pilha de contas sem solução.

Ruth continuava cuidando dele quando meu horário no novo emprego exigia. Eu voltara a trabalhar numa equipe de atendimento, com contrato regular, colegas que faziam perguntas normais e plantões que terminavam sem que alguém ameaçasse minha família.

As acusações haviam sido formalmente contestadas. As pessoas que precisavam receber os esclarecimentos os receberam. Nem todos pediram desculpas. Eu estava aprendendo a não esperar que o mundo inteiro concordasse antes de seguir com a vida.

Naquela tarde, Nico tinha feito fisioterapia pela manhã. Estava cansado e usando a cadeira, embora as mudanças no tratamento e os meses de trabalho tivessem melhorado sua disposição e algumas funções. As transferências exigiam menos ajuda. Certos exercícios já não terminavam em exaustão tão intensa.

Havia avanços que ele celebrava e dias em que não queria falar deles.

Eu deixara de olhar para cada movimento como se precisasse prever o futuro. Se quisesse ajuda, ele pedia. Se eu oferecesse e ele recusasse, eu escutava. Isso ainda exigia prática dos dois.

"Evelyn chega às seis", ele disse.

"Com a sobremesa?"

"Ela prometeu."

"Da última vez, trouxe um pacote de biscoitos aberto."

"Ela disse que precisava avaliar a qualidade."

A irmã alugara um apartamento com janelas grandes. Voltava a estudar aos poucos e fazia questão de escolher quem podia entrar. Algumas noites ligava para Nico sem conseguir explicar por quê. Ele atendia. Em outras, era ele quem precisava ouvir a voz dela.

Matteo permanecia preso enquanto os processos avançavam. Sua responsabilidade pelos atos contra os filhos e pelas ordens relacionadas ao incêndio estava sendo apurada com os documentos e depoimentos recuperados. Um antigo colaborador entregara comunicações sobre a sabotagem do carro de Nico. A verdade se formara por partes, cada uma mais difícil de ler do que eu desejaria.

Camille respondia por sua participação. O fornecimento de informações não a retirara da investigação. Não tivemos outro encontro depois do corredor do escritório.

Nico também estava reorganizando sua vida com os advogados. Afastara pessoas ligadas ao pai, deixara negócios que não podia manter sem repetir as mesmas práticas e assumira compromissos de cooperação que teriam consequências. Eu não precisava imaginar que tudo antes de mim desaparecera para acreditar no homem com quem estava.

A rotina trazia reuniões difíceis, documentos e, em alguns dias, pesadelos.

Também trazia uma toalha minha esquecida na cadeira dele, dois pares de óculos no mesmo aparador e Wes perguntando se podia deixar um pijama no quarto de hóspedes porque era chato carregar mochila.

Eu ainda mantinha meu apartamento. Tinha levado mais roupas do que pretendia para a casa de Nico, mas gostava de saber que a decisão continuava aberta.

Ele nunca perguntava quando eu entregaria as chaves.

Naquela tarde, Ruth veio buscar Wes para comprar o pão do jantar. Meu irmão insistiu em levar uma lista escrita por ele, com três sobremesas acrescentadas sem autorização.

Assim que a porta fechou, Nico ficou sério demais.

"Você quebrou alguma coisa?", perguntei.

"Por que essa é sua primeira hipótese?"

"Porque você está com a mesma cara do Wes quando tenta esconder uma coisa."

Ele olhou para a mesa. Havia uma pequena caixa ao lado da planta.

Senti meu coração mudar de ritmo.

"Eu tinha planejado dizer isso depois do jantar", começou. "Mas vou ficar insuportável até lá."

Sentei diante dele.

Ele pegou a caixa, abriu e permaneceu com ela na mão. O anel era delicado, com uma pedra pequena que captava a luz da janela.

"Eu não quero que você diga sim porque gosta de cuidar de mim", falou. "Também não quero esperar um dia em que eu esteja completamente recuperado ou em que tudo esteja resolvido. Não sei se esse dia existe."

Meus olhos encheram.

"Quero casar com você do jeito que estamos, continuando a aprender o resto. Quero perguntar como foi seu plantão e discutir porque você deixa o celular no silencioso. Quero que Wes tenha espaço para espalhar as coisas, embora eu ainda ache desnecessário o uso do vaso."

Ri no meio do choro.

Nico respirou e me olhou nos olhos.

"Adeline, você quer se casar comigo?"

"Quero."

Ele fechou os olhos por um segundo. Quando abriu, estavam molhados.

"Eu ainda preciso dizer algumas coisas", acrescentei.

"Eu imaginei."

Aproximei a cadeira.

"Quero continuar trabalhando. Quero um casamento pequeno. E não quero que você compre outra casa antes de conversarmos, só porque acha que esta precisa ter um jardim maior para o Wes."

Ele ficou imóvel.

"Você já estava olhando casas?"

"Só uma."

Balancei a cabeça, rindo.

"Então vamos conversar sobre essa uma. Depois. Agora pode colocar o anel."

A mão dele tremeu um pouco. Segurei seus dedos para ajudá-lo, e ele me olhou com uma ternura que quase fez meu peito doer.

Quando o anel ficou no lugar, me inclinei para beijá-lo. Ele me puxou mais para perto, a mão firme na minha cintura.

"Eu amo você", falei junto à sua boca.

"Eu sei. Mas pode continuar me lembrando."

Fiquei ali até ouvirmos a chave na porta.

Wes entrou primeiro, carregando o pão como um troféu. Ruth vinha atrás com uma expressão de quem já sabia tudo.

Meu irmão viu a caixa aberta.

"Você pediu antes do jantar?"

Olhei para ele.

"Você sabia?"

"Ele pediu para eu guardar segredo. Eu fui muito bom nisso. Só contei para a Ruth."

"Uma verdadeira fortaleza", Nico comentou.

Wes largou o pão na mesa e veio examinar minha mão.

"Você disse sim?"

"Disse."

Ele olhou para Nico, sério.

"Então eu posso deixar o pijama?"

Nico respondeu com a mesma seriedade.

"Pode deixar o pijama. E os tênis. A meia continua tendo que ficar fora da planta."

Meu irmão o abraçou pelo pescoço. Eu desviei o rosto por um instante, precisando respirar.

Evelyn chegou com uma torta inteira e exigiu reconhecimento pelo progresso. Edna, que agora trabalhava em outro lugar e nos visitava quando convidada, trouxe flores pequenas num pote de vidro. As relações ainda tinham marcas, mas ninguém precisava fingir que elas não existiam para se sentar à mesa.

O jantar atrasou porque eu esqueci de ligar o forno enquanto contava a novidade.

Nico pediu comida. Ruth reclamou da quantidade. Evelyn abriu a janela da sala, e Wes explicou pela terceira vez por que o casamento precisava ter bolo de chocolate.

Eu sentei ao lado de Nico. Ele passou o polegar pelo anel e me perguntou se eu queria mais pão.

Olhei em volta antes de responder. Havia migalhas na toalha, casacos sobre a poltrona e vozes se atravessando. Meu irmão ria sem tentar esconder o cansaço. A irmã de Nico discutia com ele porque roubara um pedaço da torta antes da hora.

Sob a mesa, encostei meu joelho no dele.

"O que foi?", perguntou baixinho.

"Nada. Só estou gostando de estar aqui."

Ele beijou minha mão e voltou à discussão sobre a sobremesa.

Fiquei ouvindo por um momento. Depois alcancei o pão, servi meu irmão e pedi que deixassem um pedaço da torta para mim.

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