"Minha Filha Salvou o Homem Mais Temido da Cidade" Capítulo 11
A terceira cadeira
Onze meses depois do jantar interrompido, Lily fez quatro anos.
Escolheu um bolo amarelo, pediu cinco balões porque gostava mais do cinco e passou a manhã inteira afirmando que já conseguia amarrar os sapatos.
Não conseguia. Dominic ficou ajoelhado na varanda por quase dez minutos enquanto ela lhe explicava como fazer as duas orelhas do laço.
Sofia os observou pela janela, com uma fita métrica pendurada no pescoço.
Trabalhava agora três dias por semana na loja de ajustes e mantinha suas próprias encomendas num espaço dividido com outra costureira. Não era o ateliê grande que imaginara aos dezessete anos. Era uma mesa perto da janela, uma prateleira com seu nome e uma máquina que pagava em parcelas.
Gostava de cada pedaço.
Na mansão, tinha uma gaveta de roupas, uma escova de dentes e liberdade para abrir a geladeira sem procurar uma tarefa para justificar sua presença. No apartamento, havia uma caneca de Dominic que Lily proibia qualquer outra pessoa de usar.
Eles tinham aprendido a distribuir a vida entre dois endereços.
Nem sempre sem discutir.
Quando Dominic mandara trocar um armário no apartamento sem avisar, Sofia o fizera cancelar a entrega. Quando ela pegara encomendas demais e passara três noites quase sem dormir, ele tinha reclamado, ela se irritara, e os dois terminaram a conversa repartindo as tarefas da festa em vez de fingir que não havia problema.
Ele continuava gostando de mandar. Ela continuava ouvindo ofertas como se pudesse haver uma armadilha escondida.
Agora, porém, reconheciam mais depressa quando o passado estava tentando falar por eles.
A condenação de Alessandro fora comunicada pelos advogados algumas semanas antes. Os laudos, os registros e o depoimento de Enzo haviam confirmado o plano. Não haveria visita de reconciliação na sala de café. Dominic deixara isso claro à família, sem exigir que Sofia estivesse presente para assistir.
Lily não conhecia os detalhes.
Sabia que o homem de cinza não podia ir à sua festa.
Era o suficiente.
Naquela tarde, a varanda ficou cheia de crianças, farelos e copos coloridos. Rosa comandava a mesa do bolo. Marco, desajeitado com um chapéu de papel, recebeu a missão de impedir que os balões escapassem.
Dominic tinha recusado o próprio chapéu até Lily cruzar os braços.
"É minha festa."
Ele o colocou.
Sofia quase deixou cair a travessa de sanduíches de tanto rir.
Mais tarde, encontrou-o perto do portão, com o telefone no ouvido. Bastou ele vê-la para erguer um dedo, encerrar a ligação e guardar o aparelho.
"Algum problema?", ela perguntou.
"Um assunto que pode esperar até amanhã."
"Você tem certeza?"
"Prometi ficar até ela abrir o último presente. Ainda faltam três."
Sofia ajeitou a aba torta do chapéu.
"Você está ridículo."
"Foi uma exigência da anfitriã."
Ela o beijou.
Do jardim veio um grito de felicidade. Lily tinha encontrado o conjunto de tintas que queria.
Dominic estendeu a mão para Sofia.
"Vamos?"
Ela segurou.
Ao anoitecer, depois que os convidados partiram, os três comeram os restos da festa na cozinha. Havia molho na manga de Dominic e glacê no cabelo de Lily.
Sofia ergueu a taça de vinho que Rosa lhe servira.
A menina puxou sua manga.
Por um segundo, a lembrança atravessou seu corpo antes que pudesse impedir.
Dominic também parou.
Lily apontou para a mesa.
"Você esqueceu meu suco."
Sofia soltou o ar e começou a rir. Dominic abaixou a cabeça, passou a mão no rosto e riu com ela.
A filha olhou de um para o outro.
"Eu pedi por favor?"
"Ainda não", Sofia respondeu, beijando seu cabelo. "Mas pode pedir agora."
"Suco, por favor."
Dominic se levantou para buscar.
Quando voltou, Lily bateu na cadeira ao lado da sua.
"Senta aqui, papai."
O copo parou no ar.
Sofia ficou imóvel.
A menina estava concentrada em separar duas uvas grudadas. Não parecia ter planejado a palavra. Ela simplesmente saíra, no lugar onde tantas manhãs, promessas cumpridas e laços de sapato a tinham levado.
Dominic colocou o suco na mesa com cuidado.
"Você quer que eu sente aí?"
Lily ergueu os olhos.
"Quero. Tá vazio."
Ele se sentou.
Sofia viu sua mão procurar a borda da mesa, firme demais. Por baixo da luz da cozinha, seus olhos estavam úmidos.
Lily lhe ofereceu uma uva.
"Essa não tem caroço. Eu conferi."
Dominic aceitou.
"Obrigado, pequena."
Sofia encostou o joelho no dele sob a mesa. Ele encontrou sua mão e a segurou com força.
Quando Lily finalmente dormiu, exausta sobre o sofá, Dominic a levou para o quarto que usava nos fins de semana. Sofia foi atrás com o urso.
A menina resmungou ao ser colocada na cama. Ele esperou, com a mão em suas costas, até que a respiração se acalmasse.
No corredor, fechou a porta quase por inteiro e ficou olhando para a fresta de luz.
"Se ela quiser me chamar assim amanhã, tudo bem?", perguntou.
Sofia tocou seu rosto.
"Tudo bem. E, se amanhã ela voltar a chamar você de Dominic, também vai estar tudo bem."
Ele assentiu, engolindo em seco.
"Eu sei. Não quero que ela ache que precisa me chamar assim para me deixar feliz."
"Ela não acha. Você tem aparecido. Ela percebe."
Ele beijou a palma de sua mão.
Depois a conduziu até a varanda, onde um balão amarelo sobrevivente balançava preso à cadeira.
Sobre a mesa havia uma pequena caixa.
Sofia olhou para ele.
"Dominic."
"Eu ia esperar mais uma semana. Tinha preparado um jantar sem chapéu de papel."
Ela riu, sentindo os olhos arderem.
Ele abriu a caixa. O anel era delicado, muito diferente da pedra escura que carregava no dedo mínimo.
"Não comprei uma casa. Não organizei sua mudança. Não falei com a dona da loja nem marquei uma data escondido."
Sofia deixou escapar uma risada molhada.
"Estou impressionada."
Dominic segurou sua mão.
"Eu quero viver com você. Quero buscar a Lily quando você tiver trabalho, discutir sobre um armário antes de comprar, aprender o que fazer quando as duas ficarem doentes ao mesmo tempo. Quero poder chegar em casa e encontrar vocês porque escolheram estar lá."
Ele se ajoelhou.
Sofia apertou os dedos dele antes que pudesse continuar.
"Sofia, você quer se casar comigo?"
Ela olhou para a porta da cozinha, para a escada que levava à filha, para o homem que aprendera a esperar por uma resposta sem tomá-la à força.
"Quero."
Dominic fechou os olhos por um instante. Quando se levantou, ela já estava rindo e chorando, e o beijo saiu torto, cheio de alívio.
"Mas eu escolho meu vestido", acrescentou.
Ele encostou a testa na dela.
"Eu não ousaria interferir."
Da porta veio um ruído pequeno.
Lily estava ali, com o urso debaixo do braço e o cabelo espetado.
"Eu acordei."
Sofia estendeu a mão.
"Percebemos, meu amor. Venha cá."
A menina examinou o anel.
"É aniversário de novo?"
Dominic a pegou no colo.
"É outra coisa para comemorar."
"Tem bolo?"
"Ainda tem um pedaço", Sofia disse.
"Então vamos."
Voltaram para a cozinha. Dominic colocou três pratos na mesa, e Sofia cortou o último pedaço em partes desiguais: o maior para a aniversariante, dois menores para os adultos que já tinham comido demais.
Lily arrastou uma cadeira para mais perto.
"Aqui, mamãe. Do nosso lado."
Sofia se sentou.
A filha encostou o pé no seu. Dominic apoiou a mão sobre a dela, ao lado dos farelos.
E, naquela noite, ninguém precisou pedir licença para ficar.
FIM
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