"Ela Me Jogou na Piscina. Uma Ligação Minha Calou a Festa" Capítulo 10

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A MESMA ÁGUA, OUTRA NOITE

Sofia pediu ao motorista que parasse diante da entrada principal.

Por um instante, teve vontade de mandar seguir.

Reconheceu a curva da alameda, as palmeiras e a faixa de mármore claro junto à porta. O corpo pareceu reconhecer tudo antes que ela terminasse de olhar.

Lúcia, sentada ao lado, não fingiu não perceber.

"Podemos ir embora depois de um oi."

"Eu sei."

"Também podemos ficar."

Sofia soltou o ar e abriu a porta.

Não usava uniforme, mas não tinha escolhido a roupa para provar uma distância entre aquela noite e esta. Vestira um conjunto azul confortável e sapatos com os quais conseguiria caminhar pelo jardim.

No corredor, Júlia falava com um rapaz que segurava uma bandeja.

"A saída é por aqui. Se ficar pesado, divide a carga. Não precisa fazer tudo numa viagem."

Ao ver Sofia, abriu um sorriso rápido, interrompido por uma pergunta no rádio.

"Me dá só um minuto?"

"Dá dois", Sofia respondeu.

Júlia riu e voltou ao trabalho.

A recepção apresentaria o programa de formação a novos candidatos, familiares e estabelecimentos parceiros. Não era grande, mas era a primeira que Júlia coordenava do planejamento ao encerramento, acompanhada por uma profissional mais experiente.

Sofia tinha insistido para que a supervisão existisse. Dar uma oportunidade sem apoio não lhe parecia um favor.

Entrou com a mãe e encontrou pessoas conversando em grupos pequenos. Havia donos de hotéis, professores, trabalhadores e jovens que faziam perguntas baixinho antes de criar coragem para se aproximar dos representantes dos cursos.

O terraço continuava bonito.

A água refletia as luzes, e os móveis eram quase os mesmos. Sofia sentiu uma pontada ao olhar a borda da piscina, mas não precisou se desviar imediatamente.

Uma garçonete se aproximou com bebidas.

Lúcia pegou um copo de suco. Sofia pediu água e agradeceu.

A moça seguiu sem qualquer sinal de reconhecer uma história extraordinária na mulher que acabara de servir.

Sofia gostou disso.

Durante a apresentação, Júlia falou depressa na primeira frase, percebeu e recomeçou mais devagar. Explicou os horários do programa e chamou uma colega para detalhar as etapas de inscrição.

Quando terminou, procurou alguém perto da entrada.

Um homem ergueu a mão, sorrindo com uma timidez que não disfarçava o orgulho.

Mais tarde, ela o apresentou a Sofia.

"Esse é meu pai. Ele veio de ônibus de manhã e está dizendo para todo mundo que eu organizei a noite."

"Porque organizou", ele respondeu.

Júlia ficou vermelha.

"Com uma equipe, pai."

"Eu falei da equipe também."

Sofia apertou a mão dele e comentou que a filha tinha trabalhado bastante no planejamento. O homem fez perguntas sobre o programa, ouviu as respostas e depois se afastou para cumprimentar uma professora.

Júlia o acompanhou com os olhos.

"Minha mãe não conseguiu vir. Está melhor, mas preferiu não encarar a viagem. Ele está mandando foto de tudo. Até dos guardanapos."

Sofia sentiu um aperto delicado no peito.

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"Ela vai querer saber cada detalhe."

"Vou contar. Mesmo os que deram errado."

Como se atendesse à frase, o rádio chamou Júlia. Um fornecedor tinha chegado à entrada de serviço com um item que deveria estar ali havia meia hora.

Ela fechou os olhos por um segundo.

"Eu vou resolver uma coisa sem fingir que não estou irritada."

"Parece um bom plano."

Sofia ficou observando enquanto Júlia ouvia o problema, fazia duas perguntas e seguia para a cozinha. Não procurou alguém para culpar diante dos convidados. Também não sorriu como se atraso fosse agradável.

Aquela firmeza tinha o jeito dela.

Perto do fim da apresentação, Renato apareceu junto a um dos antigos gerentes. Sua presença tinha sido combinada com a organização, ligada aos compromissos de transição que ainda cumpria.

Cumprimentou Sofia sem tentar conduzi-la a um canto.

"Boa noite. O evento está bem organizado."

"Júlia e a equipe cuidaram de tudo."

Ele olhou na direção da jovem, que conferia a passagem de um carrinho.

"Eu sei. Falei com ela na chegada."

Sofia aguardou, mas não veio um pedido para que considerasse encerrado o passado.

Renato perguntou pelo ombro. Ela disse que estava recuperado.

"Que bom", ele respondeu.

Depois se despediu e foi conversar com o novo administrador.

Não era possível saber, por aquela troca, quanto ele tinha mudado. Sofia não precisava decidir naquela noite.

Quando voltou a procurar a mãe, encontrou Lúcia perto da piscina.

Aproximou-se devagar.

"É aqui?", a mãe perguntou.

Sofia apontou para um trecho da borda.

"Um pouco mais para lá. Eu saí pela escada do outro lado."

Lúcia olhou o percurso. Apertou os lábios antes de voltar o rosto para a filha.

"Eu teria puxado aquela mulher pelo cabelo."

Sofia riu, pega de surpresa.

"Mãe."

"Estou só contando. Não vou fazer agora."

O riso cedeu, deixando uma vontade súbita de chorar. Sofia encostou a cabeça no ombro da mãe por alguns segundos.

"Eu queria que o pai tivesse conhecido a Júlia", disse.

"Ele ia gostar dela."

"Ia perguntar se tinham servido jantar para quem estava trabalhando."

"E depois ia dizer que não estava com fome, para deixar a parte dele para alguém."

As duas ficaram em silêncio, reconhecendo o mesmo homem por pequenos hábitos.

Do salão veio uma rodada de aplausos. Sofia levantou a cabeça a tempo de ver Júlia agradecer à equipe e chamar os colegas para perto.

A lembrança do pai continuou doendo. Mas havia espaço ao lado dela para sentir orgulho daquela noite.

No encerramento, Sofia procurou Júlia na cozinha.

Encontrou-a sentada diante de um prato, com os sapatos discretamente afastados dos pés e o rádio sobre a mesa. A coordenadora mais experiente conferia a saída dos últimos materiais enquanto parte da equipe jantava.

Júlia fez menção de se levantar.

"Não levanta", Sofia pediu. "Só vim me despedir."

"Faltam duas coisas, mas ela mandou eu comer primeiro."

A colega apontou para o prato, confirmando a ordem.

Sofia puxou uma cadeira por um momento.

"Como você está?"

Júlia olhou em volta antes de responder.

"Cansada. Muito. E tentando não pensar nas coisas que eu faria diferente."

"Vai ter tempo para isso amanhã."

"Você acha que ficou bom?"

"Acho. E sua equipe parece saber com quem falar quando precisa de alguma coisa."

Júlia sorriu para o prato.

"Era uma das partes que eu mais queria acertar."

Ao lado da pia, um rapaz derrubou uma colher. Abaixou-se, recolheu e pegou outra limpa. A conversa continuou. Ninguém transformou o pequeno ruído numa oportunidade para humilhá-lo.

Sofia ficou mais um minuto, ouviu uma história sobre as fotografias do pai de Júlia e se despediu.

No caminho para a entrada, passou pela porta do terraço. A piscina permanecia iluminada, tranquila sob o vento leve.

Dessa vez, ela não precisou parar para olhar.

Lúcia a esperava perto do carro. Um só, estacionado junto ao jardim.

"Pronta?"

Sofia assentiu e entrou. Ao se acomodar, viu uma nova mensagem no telefone.

Júlia enviara a foto da equipe à mesa, todos com os pratos servidos. Embaixo, escrevera que ninguém tinha precisado jantar em pé.

Sofia mostrou a imagem à mãe.

Lúcia procurou os óculos na bolsa, aproximou a tela e sorriu.

O carro começou a andar. Antes da curva, Sofia respondeu com um agradecimento e pediu que Júlia aproveitasse o descanso.

Depois guardou o telefone.

"Vamos passar na padaria amanhã?", perguntou à mãe.

"Se você não marcar reunião às sete."

"Não vou marcar."

Lúcia ajeitou a bolsa no colo. Sofia se recostou, sentindo o cansaço chegar sem precisar lutar contra ele.

Atrás delas, a casa desapareceu entre as árvores.

Na cozinha, a equipe ainda estava sentada.

FIM

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