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"Todos Se Calaram. Eu Defendi o Mafioso." Capítulo 7

Quando ele ficou ao meu lado

Afastei-me de Nico para conseguir ouvir a pergunta outra vez. Minha supervisora, Teresa, repetiu o conteúdo de um e-mail enviado a várias pessoas com quem eu havia trabalhado.

A mensagem mencionava minha situação financeira, insinuava que eu mantivera um relacionamento com um paciente para obter dinheiro e afirmava que eu fora dispensada depois de cometer erros.

"Eu não recebi uma queixa formal", Teresa esclareceu. "Estou ligando porque conheço você. Mas preciso entender o que aconteceu."

"Obrigada por perguntar antes de concluir. Posso conversar amanhã, com os registros e minha orientação profissional?"

Combinamos um horário. Assim que desliguei, vi duas novas mensagens de colegas.

O beijo ainda estava quente na minha boca. De repente eu só conseguia pensar em pessoas lendo meu nome e imaginando o pior.

"O que foi?", Nico perguntou.

Mostrei o telefone.

A expressão dele endureceu.

"Vou mandar Helena exigir que retirem isso. E Marco vai descobrir de onde saiu."

"Espere."

Ele já tinha pegado o próprio aparelho.

"Não vou deixar meu pai destruir sua reputação."

"Nem eu. Mas você precisa me ouvir antes de começar a mandar pessoas resolverem minha vida."

Nico pousou o telefone, devagar.

Eu fui até a janela. O lago estava cinza, com uma faixa de luz perto do horizonte. Tentei escolher palavras que não me fizessem chorar.

"Talvez devêssemos parar por uns dias."

"Você quer parar?"

"Eu quero que meu irmão não ouça isso. Quero poder procurar emprego sem ter de explicar por que alguém está investigando minha vida amorosa. Quero que minha mãe estivesse aqui para me dizer o que fazer."

A última frase escapou sem que eu a tivesse preparado.

Nico não respondeu imediatamente. Quando falou, sua voz estava mais baixa.

"Eu não sei substituir nenhuma dessas coisas. Posso perguntar o que você precisa de mim agora?"

Virei o rosto.

"Não me esconda. Mas também não conte minha vida inteira para provar que é inocente."

Ele assentiu.

"Você escolhe o que vai dizer. Eu assumo minhas decisões. Inclusive que fui eu quem procurou outra equipe, que fui eu quem encerrou o noivado e que comecei a convidar você para sair depois que deixou de ser minha enfermeira."

"Vão dizer que estamos ajustando uma história."

"Há registros de cada uma dessas coisas. Não precisamos inventar datas."

Sentei de novo. Ele estendeu a mão, e eu a segurei antes de terminar de organizar meus pensamentos.

No dia seguinte, fiz a reunião com Teresa e a profissional que me orientava. Entreguei minhas anotações de plantão, as ligações e a documentação da passagem de cuidados. Não levei minha história de amor para ser julgada numa sala. Respondi ao que dizia respeito à minha conduta.

Teresa fez perguntas difíceis. Eu respondi mesmo quando teria preferido ouvir que ela acreditava em mim sem precisar de nada.

Ao final, disse que registraria meu relato e encaminharia qualquer alegação pelos canais adequados.

"Você fez certo em não alterar suas anotações", comentou.

Saí com os ombros doloridos, mas sem a sensação de estar fugindo.

Nico me esperava na área externa, com dois cafés. Peguei o meu.

"Você aprendeu meu pedido?"

"Já sei três coisas sobre você. O chá, o café e que não posso falar antes de você terminar de pensar."

"Só três?"

"Estou tentando não parecer obcecado."

Eu ri pela primeira vez desde a ligação.

A resposta de Nico foi dirigida às pessoas que haviam recebido a mensagem, por intermédio de Helena. Ele autorizou o compartilhamento limitado de informações sobre suas próprias decisões e a contestação das acusações. O documento não mencionava detalhes de saúde de Wes, nem pretendia resolver tudo numa postagem pública.

Naquela tarde, recebemos uma visita que eu não esperava.

Edna estava na portaria do prédio, segurando uma bolsa de tecido com as duas mãos.

"Posso subir?", perguntou pelo interfone. "É importante."

No apartamento, permaneceu perto da entrada até Nico lhe oferecer uma cadeira.

"Fui dispensada esta manhã", contou. "Disseram que eu estava esquecendo minhas obrigações."

Tirou da bolsa um caderno e dois envelopes.

"Eu guardava cópias de entregas porque, quando havia erro, culpavam a cozinha. Não sabia o que tudo significava. Mas comecei a reconhecer os mesmos carros."

Helena participou por chamada. Edna mostrou recibos antigos, anotados por ela no momento das entregas, e explicou como os mantivera. Havia remessas de comida e roupa de cama enviadas à propriedade de Lake Bluff mesmo quando oficialmente estava fechada. As remessas mais recentes tinham outro destino, indicado por um código de um depósito de abastecimento.

"Eu ouvi sua irmã uma vez", Edna disse a Nico. "Ao telefone. Ela pediu que me chamassem. Seu pai desligou. Eu me convenci de que não era da minha conta."

A sala ficou silenciosa.

"Por que não me contou?", ele perguntou.

"Porque tive medo de perder tudo. E porque era mais fácil acreditar no homem que continuava mandando."

Não havia desculpa suficiente na voz dela. Talvez por isso eu conseguisse continuar escutando.

Nico olhou para os envelopes.

"Vamos entregar isso a quem pode verificar. Não volte para a casa sozinha. Marco ajuda a buscar suas coisas."

Edna começou a chorar. Ele deixou que chorasse sem dizer que estava tudo bem.

Depois que ela saiu, sentei no tapete perto da cadeira dele.

"Você não precisa perdoar hoje", falei.

"Não sei se vou conseguir."

"Pode decidir depois."

Ele passou a mão pelo meu cabelo, recolhendo uma mecha atrás da orelha.

"Sua reunião foi difícil?"

"Foi."

"Você me contou apenas que tinha terminado."

Encostei o rosto na palma dele.

"Também estou aprendendo a não esconder tudo."

Ficamos assim até Marco voltar. Ele havia cruzado o código das entregas com os trajetos de um veículo que Camille identificara.

Havia uma segunda casa. Uma entrega de medicamentos estava prevista para aquela noite.

A equipe de investigação tinha sido avisada, mas uma mensagem recente do motorista indicava outra mudança de endereço pela manhã.

Nico pegou o telefone.

Eu segurei sua mão antes que começasse a digitar.

"Liga", falei. "Não tenta carregar isso sozinho."

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