"Todos Se Calaram. Eu Defendi o Mafioso." Capítulo 4
O nome que ele não conseguia dizer
"Evelyn está viva", Camille disse. "Eu a vi na casa de Lake Bluff há três semanas. A propriedade da estufa vermelha. Seu pai mandou entregar roupas e me pediu que fosse junto."
Nico não se mexeu.
"Olhe para mim e repita."
"Sua irmã está viva. Está sendo mantida lá. Eu vi quando abriram a porta do quarto. Ela pediu notícias suas."
A mão dele fechou tão forte no apoio que os nós dos dedos clarearam.
Marco pegou o telefone e saiu para o corredor. Helena abriu a pasta novamente.
"Como posso confirmar que você esteve nessa casa?", perguntou.
Camille tirou o celular da bolsa.
"Tenho as mensagens com o motorista. E as compras. Matteo disse que eram para uma parente que precisava ficar longe de jornalistas."
"Você acreditou?", Nico perguntou.
Ela baixou os olhos.
"No começo."
"E quando ela pediu notícias minhas?"
O lenço se retorceu entre os dedos de Camille.
"Eu tive medo. Seu pai disse que, se eu falasse, você pensaria que eu tinha ajudado a escondê-la."
"Você ajudou."
A frase saiu sem ele levantar a voz. Camille se encolheu.
Eu me aproximei o suficiente para que Nico me visse, sem bloquear sua visão da ex-noiva.
"Você está com falta de ar?", perguntei baixo.
Ele negou com a cabeça, mas aceitou a água.
Eu conhecia o nome de Evelyn apenas pelas fotografias retiradas de certas prateleiras e por conversas interrompidas. Nico nunca me contara o que acontecera. Eu não tinha perguntado porque vira o rosto dele quando Edna mencionara o aniversário da irmã.
Agora ele parecia ter esquecido onde estava.
"Disseram que ela tinha fugido", falou, olhando para o copo. "Que não queria me ver. Depois disseram que não conseguiam mais localizá-la."
Camille tentou se aproximar.
"Eu posso ajudar."
"Fique onde está", ele respondeu.
Helena pediu que ela preservasse as mensagens e explicasse os detalhes à equipe responsável. Marco voltou, ouviu a descrição da propriedade e fez perguntas sobre os acessos, as pessoas presentes e o horário da visita. Não prometeu que resolveria tudo naquela noite.
Camille respondeu com a ansiedade de quem precisava continuar sendo útil.
Foi então que Matteo entrou.
Ele viu a pasta aberta, o telefone na mão dela e a expressão do filho. Parou no meio do quarto.
"Camille, vá esperar no carro."
Ninguém se moveu.
"Ela fica", Nico disse.
"Você precisa descansar."
"Vou descansar fora desta casa."
Matteo olhou para mim.
"Eu já dispensei você."
Antes que eu respondesse, Nico endireitou o corpo.
"Ela está aqui porque eu pedi. Pare de usar funcionários para falar comigo."
"Você acha que essa gente conhece suas necessidades melhor do que eu?"
"Neste momento, conhecem minha vontade. Vai ser suficiente."
O olhar de Matteo passou por Marco.
"Você trabalha para esta família."
"Meu contrato é com Nico", Marco respondeu.
Eu nunca ouvira alguém dizer aquilo na frente de Matteo. O quarto pareceu menor.
Helena se colocou junto à saída.
"A equipe médica aguarda. Qualquer questão empresarial pode ser encaminhada a mim amanhã."
Matteo permaneceu onde estava por alguns segundos. Depois abriu espaço, devagar, como se ainda pudesse chamar aquilo de permissão.
Saí ao lado de Nico. Na escada, dois seguranças observavam. Marco caminhou na frente e anunciou a passagem, sem dar a eles uma oportunidade confortável de fingir que não sabiam o que fazer.
No térreo, Edna me entregou meu casaco.
"Sua bolsa está no carro. Eu peguei no seu quarto."
Segurei a manga dela.
"Obrigada."
Ela olhou para Nico. Abriu a boca, mas apenas desejou que ele melhorasse.
Do lado de fora, o ar frio entrou nos meus pulmões com força. A casa continuava iluminada; na janela do salão havia uma pessoa recolhendo flores da festa.
Nico foi acomodado no veículo de transporte enquanto eu entregava as informações à equipe. Marco ficou ao lado até as portas estarem prontas para fechar.
Meu telefone vibrou.
Era um e-mail do escritório que me contratara. Encerramento imediato. Reavaliação de todos os benefícios adicionais.
Li duas vezes a última linha.
"O que aconteceu?", Nico perguntou.
Entreguei o telefone. Não tinha energia para fingir que aquela frase não me atingia.
Ele leu e devolveu.
"Helena vai verificar seu contrato. Não responda sozinha esta noite."
"Não posso simplesmente esperar. A consulta do Wes..."
Minha voz parou. Eu me virei para a rua, furiosa por estar prestes a chorar outra vez.
Nico esperou.
"Adeline, você quer ir comigo ao hospital? A equipe já assumiu minha assistência. Você pode ir para casa. Marco consegue levar você."
Eu olhei para ele. Estava exausto, com o rosto marcado e a notícia da irmã viva ainda sem lugar dentro de si.
"Quero acompanhar a admissão. Depois ligo para Ruth."
"Tem certeza?"
"Tenho. Não estou dizendo que não tenho medo. Estou dizendo que vou."
Ele estendeu a mão aberta sobre a manta.
Eu a segurei.
Seus dedos estavam quentes. Os meus, gelados. Ele os envolveu sem apertar, e não soltou quando o veículo começou a se mover.
Pela janela, vi os portões se afastando.
"Ela detestava aquela casa", Nico disse de repente.
"Sua irmã?"
Ele assentiu.
"Sempre deixava alguma janela aberta. Meu pai reclamava do frio. Ela dizia que gostava de ouvir a rua."
Passei o polegar sobre a lateral da mão dele.
"Então vamos esperar que ela possa abrir as próprias janelas de novo."
Nico fechou os olhos. Continuou segurando minha mão durante todo o caminho.
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