"Minha Filha Salvou o Homem Mais Temido da Cidade" Capítulo 10

Depois do jantar

Dominic chegou às sete em ponto, com flores numa mão e um saco de pão na outra.

Sofia abriu a porta e olhou para o pacote.

"Você entendeu que nós íamos sair para jantar?"

"A Lily disse pelo telefone que o pão daqui é melhor que o da mansão. Quis conferir."

Lily apareceu por trás das pernas da mãe.

"É aquele com açúcar?"

"É. Mas a Rosa pediu que você comesse depois da comida."

"Você contou pra ela?"

"Estou tentando manter meu lugar na cozinha."

A menina pareceu aceitar a justificativa.

Rosa veio do quarto com uma meia na mão e um ar muito mais feliz do que Sofia se lembrava de ver durante os jantares de trabalho.

"Vão logo. Antes que eu mude de ideia e fique com o seu jantar também."

Sofia levou as flores à cozinha. Não tinha vaso, então escolheu uma jarra de vidro. Dominic esperou sem comentar a falta de espaço ou oferecer um apartamento maior.

Quando ela voltou com o casaco, ele ficou olhando.

Era um vestido verde-escuro que Sofia ajustara na noite anterior. Simples, de mangas curtas, com a cintura marcada no lugar certo. Fazia tempo que se vestia para sair sem levar na bolsa um uniforme dobrado.

"Ficou ruim?", perguntou, já sabendo pela expressão dele que não.

"Estou tentando responder sem assustar a sua filha."

Sofia sentiu o sorriso chegar antes do calor no rosto.

"Pode começar dizendo que gostou."

"Gostei muito."

Lily puxou a barra do paletó dele.

"Você devolve a mamãe depois?"

Dominic se abaixou imediatamente.

"Devolvo. Antes de você acordar amanhã, ela já vai estar aqui."

"E você?"

"Vou para a minha casa."

A menina fez uma pequena careta.

"Você pode voltar no café. Se trouxer pão."

Sofia olhou para Rosa, que fingiu grande interesse na meia.

O restaurante tinha uma entrada discreta, mesas pequenas e um garçom que recebeu Dominic pelo nome sem fazer um espetáculo disso. Dois homens ficaram perto da saída, distantes o bastante para que Sofia pudesse esquecê-los por alguns minutos.

Ela falou da entrevista na loja. Tinha conseguido a vaga e passado o primeiro dia tirando uma bainha costurada torta por outra pessoa.

"A dona disse que eu sou meticulosa demais."

"E isso foi um elogio ou uma reclamação?"

"Ela ainda não decidiu. Eu também não."

Dominic riu.

Quando o jantar chegou, Sofia percebeu que ele a observava com uma atenção que nada tinha a ver com o salão do primeiro encontro.

"O que foi?"

"Estou gostando de conhecer você fora daquela noite."

Ela pousou o garfo.

"Eu também."

Dominic brincou com a borda do copo de água.

"Não vou dizer que minha vida é simples. Nem pedir que você esqueça o que viu."

"Eu não esqueci."

"Eu sei."

Sofia olhou para as mãos dele.

"Às vezes sinto falta de você e depois fico brava comigo por sentir. Penso na Lily. Penso em como era fácil fazer as malas quando ninguém me esperava."

Ele ficou sério.

"Não precisa decidir tudo hoje."

"Você consegue esperar?"

Dominic respirou fundo antes de responder.

"Não gosto. Mas consigo."

A sinceridade a fez sorrir.

"Isso parece mais com você."

Depois do jantar, caminharam alguns minutos pela rua. O frio era leve, e Sofia enfiou a mão no bolso do casaco. Dominic ofereceu o braço.

Ela preferiu segurar sua mão.

Ele olhou para os dedos entrelaçados, e Sofia viu uma expressão quase desprotegida atravessar seu rosto.

Quando chegaram ao apartamento, Lily ainda estava acordada. Rosa tinha tentado convencê-la a dormir por uma hora.

"Ela disse que precisava conferir a devolução", a cozinheira explicou.

Sofia se ajoelhou diante da filha.

"Cheguei. Inteira, viu?"

Lily tocou seu brinco, satisfeita, depois olhou para Dominic.

"Você vem mesmo amanhã?"

Ele consultou Sofia com os olhos. Ela assentiu.

"Às nove."

"Com pão?"

"Com pão."

A menina o abraçou com os dois braços. Dominic baixou a mão para suas costas e esperou que ela se afastasse primeiro.

Mais tarde, Sofia o acompanhou até a porta enquanto Rosa terminava de ajeitar a coberta de Lily.

"Você não tem obrigação de transformar um jantar em café da manhã também", ela disse.

Dominic tocou sua cintura.

"Eu sei. Tenho vontade."

Sofia o beijou ali, sob a luz amarela do corredor do prédio, sem mármore, sem lustres e sem ninguém para anunciar seu nome.

Ele se afastou apenas o suficiente para encostar o nariz no dela.

"Nove horas", repetiu.

E, na manhã seguinte, quando a campainha tocou, o relógio da cozinha marcava nove em ponto.

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