"Minha Filha Salvou o Homem Mais Temido da Cidade" Capítulo 6

As coisas que ela escolhia

Uma semana depois do jantar, Sofia voltou ao apartamento pela primeira vez.

Marco a acompanhou até o prédio. Dominic não foi.

Ela tinha insistido que precisava buscar as próprias roupas, conferir a geladeira e falar pessoalmente com a vizinha. Quando se preparou para a discussão, recebeu apenas um horário e a informação de que Marco iria com ela.

Lily ficou com Rosa por duas horas, conforme tinham combinado. Sofia ligou assim que chegou.

A filha mostrou um morango à câmera.

"Eu lavei esse sozinha."

"Não molhou a blusa toda?"

Lily olhou para baixo.

"Só um pouquinho."

Sofia sorriu e sentiu uma saudade física daquele apartamento pequeno, com a cadeira bamba e o sol entrando sobre a mesa da cozinha.

Havia segurança na casa de Dominic. Havia também uma vida que deixara suspensa na rua.

Guardou roupas, o livro de histórias preferido de Lily e a caixa de costura. Na gaveta da mesa, encontrou seu caderno de encomendas: barras de calça, zíperes, pequenos consertos que fazia depois do expediente.

Marco esperou à porta enquanto ela o colocou na bolsa.

Na volta, Dominic estava no jardim com Lily e Rosa. A menina pisava nas folhas secas, tentando escolher as que faziam mais barulho.

"Você perdeu", ela disse à mãe. "Ele não sabe pular num pé só."

Dominic tinha uma folha presa no sapato.

"Eu disse que não ia pular. É diferente."

"É porque não sabe."

Sofia riu antes de conseguir evitar.

Ele ergueu uma sobrancelha.

"Você também acha?"

"Acho prudente não prometer o que não consegue cumprir."

Rosa disfarçou uma tosse. Lily aproveitou a distração para pular numa poça rasa.

Mais tarde, com a filha no banho sob os cuidados de Rosa e a porta entreaberta, Sofia encontrou Dominic no corredor.

"Quero conversar sobre meu trabalho."

Ele guardou o telefone.

"O que precisa?"

"Estou aqui há uma semana sem cumprir um turno inteiro. Sei que a situação é excepcional, mas preciso de horários. E quero continuar com meus consertos de roupa."

"Você não precisa trabalhar à noite."

"Eu sei fazer outras coisas além de limpar a sua casa."

Ele ficou sério.

"Não quis dizer isso."

"Mas foi o que pareceu."

Dominic olhou para o caderno que ela segurava.

"Você costura?"

"Minha mãe me ensinou. Fiz um curso antes de a Lily nascer. Queria trabalhar com ajustes de vestidos, mas emprego fixo era mais urgente."

"Posso providenciar uma sala."

A oferta saiu tão depressa que Sofia baixou os olhos para conter a irritação.

"Eu vim pedir um horário."

Houve uma pausa.

Do banheiro veio uma gargalhada. Rosa estava dizendo que patos de borracha não precisavam de sabonete.

Dominic encostou a mão na nuca.

"Tenho o hábito de começar pela parte que consigo resolver."

"E eu tenho o hábito de perguntar o preço depois de ouvir uma oferta boa demais."

Ele olhou diretamente para ela.

"Eu não quero que você me deva alguma coisa."

"Então deixe eu fazer uma pergunta de cada vez."

A boca dele se curvou discretamente.

"Está bem. Que horário você quer?"

Conversaram durante vinte minutos. Sofia retomaria tarefas administrativas da governanta por algumas horas diárias, sem circular pela ala leste. Teria tempo para a filha e para suas clientes. Sua situação seria reavaliada assim que pudessem voltar para casa.

Dominic não gostou dessa última parte. Ela viu pelo modo como apertou a caneta antes de anotar o telefone de sua supervisora.

Mesmo assim, não discutiu.

Na manhã seguinte, Sofia o encontrou diante do escritório com um botão pendurado no punho da camisa.

Ela apontou.

"Isso vai cair."

"Percebi."

"Tire a camisa. Eu arrumo antes do café."

Ele ficou imóvel por um segundo.

Sofia sentiu o rosto esquentar.

"Quero dizer: vista outra e me entregue essa."

O sorriso dele apareceu inteiro.

"Entendi a instrução na primeira vez."

"Então não dificulte."

Dominic voltou alguns minutos depois com outra camisa e a peça danificada dobrada no braço.

Deixou-a sobre a mesa de costura improvisada, junto de um botão igual retirado de um saquinho de reserva.

"Qual é o seu preço?"

Sofia examinou a costura.

"Para você? Um café que eu consiga beber ainda quente."

Ele voltou com duas xícaras.

Enquanto ela passava a linha pela agulha, Dominic se sentou do outro lado da mesa, sem telefone na mão.

E Sofia descobriu que era muito mais difícil manter distância quando ele simplesmente ficava.

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