"Minha Filha Salvou o Homem Mais Temido da Cidade" Capítulo 4
Ela não mentiu
"Minha filha não mentiu."
Sofia conseguiu dizer sem baixar os olhos.
Alessandro apertou a borda da porta.
"Pense bem."
"Eu pensei. Agora tire a mão."
A porta se abriu de uma vez.
Dominic entrou e se colocou entre os dois. Não empurrou Sofia para trás. Deixou espaço para que ela mesma se afastasse, e ela foi até o corredor antes que as pernas cedessem.
Marco vinha logo atrás.
"Leve-o", Dominic ordenou.
Alessandro estendeu as mãos, tentando recuperar a expressão ofendida do jantar.
"Eu só estava oferecendo ajuda."
"Eu ouvi o que você pediu."
Marco segurou seu braço. Dessa vez, Alessandro resistiu.
"Vai escolher uma desconhecida em vez do seu sangue?"
Dominic olhou para o envelope na mesa.
"Foi meu sangue que trouxe dinheiro para comprar o silêncio dela."
Do corredor, Sofia viu o rosto de Alessandro mudar. A boca se contraiu, o olhar procurou a janela, depois a passagem bloqueada por Marco.
"Você vai se arrepender disso."
Dominic não respondeu.
Esperou que os homens o levassem e só então se virou para Sofia.
"Ele machucou você?"
Ela balançou a cabeça.
"Lily."
"Está com Rosa. Vamos até ela."
Sofia começou a andar. Dominic acompanhou seus passos sem tentar segurá-la.
Na copa, Lily estava sentada sobre uma almofada, carimbando estrelas de batata numa folha. Quando viu a mãe, levantou os braços, com os dedos manchados de tinta.
Sofia a tirou da cadeira e beijou seu rosto tantas vezes que a menina riu.
"Mamãe, vai borrar!"
"Pode borrar."
Apertou a filha contra o peito até conseguir respirar sem sentir a garganta fechar.
Dominic ficou à porta.
Rosa compreendeu alguma coisa pelo rosto de Sofia e pegou uma toalha úmida.
"Vamos limpar essas mãozinhas? Depois você mostra para sua mãe o desenho."
Sofia sentou Lily junto à pia. Não a perdeu de vista quando se voltou para Dominic.
"Me disseram que o senhor estava me esperando."
"Eu sei. A funcionária recebeu a mensagem do Enzo. O homem que acompanhava você foi chamado pelo rádio para a entrada de serviço. Uma ordem falsa."
"E ele simplesmente foi?"
O maxilar dele se contraiu.
"Ele acreditou que outro segurança já estava esperando na biblioteca. Não confirmou. Não vai voltar a ficar responsável por vocês."
"Isso não basta."
Dominic ficou em silêncio.
Sofia ouviu o barulho da torneira. Lily explicava a Rosa que o urso também precisava de uma estrela.
"Eu não sei quem pode me chamar, quem pode buscar minha filha ou qual corredor é seguro. Trabalho aqui, mas não conheço a vida do senhor. Não posso adivinhar essas coisas."
"Você tem razão."
Ela estava preparada para uma ordem. A concordância a desarmou por um instante.
"Marco vai combinar uma senha com você. Ninguém muda seus planos sem falar diretamente com ele ou comigo. E Alessandro está saindo desta casa agora."
"Para onde?"
"Para uma propriedade onde não poderá circular. Meus advogados já receberam o laudo e os registros de hoje. Vou entregar o material às autoridades."
Sofia o encarou.
"Seu próprio irmão?"
"Ele tentou me matar. Depois tentou ameaçar você. O parentesco não desfaz nenhuma das duas coisas."
Ela passou os dedos no pulso, onde ainda sentia o frio da maçaneta.
"Por que ele fez isso?"
"Queria assumir meu lugar. Há meses venho tirando dele acesso a dinheiro e decisões. Subestimei o que faria para recuperar esse poder."
Dominic olhou para a menina junto à pia.
"E vocês pagaram por isso."
Sofia não o absolveu. Não tinha como.
"Eu preciso saber quando vai ser seguro sair. Não só ouvir que o senhor vai cuidar de tudo."
"Vai saber. Marco pode explicar o que estiver sendo feito, sem esconder de você o que disser respeito às duas."
Lily voltou com as mãos limpas e o desenho preso entre dois dedos.
"É pra você."
Dominic se abaixou. Havia três manchas amarelas e uma forma marrom no papel.
"Obrigado. Esse é o Bento?"
"É. Ele tá de guarda."
Sofia soltou uma risada curta, involuntária, que quase virou soluço.
Lily franziu a testa.
"Você tá triste?"
"Fiquei assustada. Já está passando."
A menina encostou a mão na bochecha dela.
Dominic se levantou com o desenho.
"Vou deixar vocês descansarem."
Sofia olhou para a folha pequena naquela mão grande.
"O senhor também precisa comer alguma coisa. Não tocou no café."
Ele pareceu surpreso por ela ter reparado.
"Vou comer."
"A Rosa faz ovos melhores quando a pessoa pede com educação", Lily informou.
Pela primeira vez, Sofia viu Dominic rir de verdade.
Foi um som baixo, breve. Ainda assim, mudou o rosto dele inteiro.
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