"Minha Filha Salvou o Homem Mais Temido da Cidade" Capítulo 2

O que havia no guardanapo

Na sala de café, Lily pediu água e perguntou se ainda podia comer o pudim.

Sofia quase chorou.

Sentou-a no sofá, ajeitou sua fivela e procurou algum sinal de que a filha entendia o que acabara de acontecer. Encontrou o urso com uma orelha molhada de tanto ser apertada contra a boca.

"Por que você saiu de perto da Rosa?"

"O Bento caiu."

"Você podia ter me chamado."

Lily olhou para o urso.

"Eu peguei ele. Aí vi o moço."

Sofia se sentou ao lado dela.

"Você fez bem em avisar. Mas não pode sair sem contar para um adulto onde vai. Eu fiquei com muito medo quando não vi você na copa."

"Desculpa, mamãe."

"Venha cá."

Lily se enfiou em seu abraço, e Sofia beijou o cabelo fino que cheirava ao xampu de maçã comprado em promoção.

Marco permaneceu na porta. Quando Rosa apareceu com um copo de água, ele mesmo recebeu a bandeja.

A cozinheira estava pálida.

"Ela estava bem do meu lado. Virei para tirar a assadeira e achei que tinha ido atrás de você."

"Eu sei", Sofia respondeu. "Não foi de propósito."

Rosa quis se desculpar de novo. Sofia balançou a cabeça. Não tinha espaço dentro do peito para a culpa de mais ninguém.

Dominic chegou vinte minutos depois, sem o paletó. As mangas da camisa branca estavam dobradas, deixando aparecer tatuagens escuras no antebraço. Na outra mão, levava um prato pequeno de pudim.

Lily se endireitou.

"A Rosa disse que você estava esperando por isso."

Ele colocou o prato na mesinha.

A filha olhou para Sofia, pedindo autorização.

"Pode comer. Devagar."

Dominic esperou a menina se ocupar com a colher antes de falar.

"Encontraram um frasco vazio."

Sofia sentiu o tecido do sofá sob as unhas.

"No bolso dele?"

"Num guardanapo, atrás do vaso junto à parede. Um dos meus homens o viu deixar alguma coisa ali quando se levantou. O conteúdo da taça está sendo analisado."

"Então o senhor ainda não sabe o que era."

"Ainda não."

A honestidade da resposta a fez prestar atenção nele.

"Alessandro diz que era um remédio que derramou no guardanapo."

Lily levantou o rosto sujo de calda.

"Mas ele pôs na sua bebida."

Dominic se abaixou para pegar o guardanapo de papel que ela deixara cair.

"Eu ouvi você. Não precisa contar tudo outra vez agora."

Sofia esperou até Lily voltar ao pudim.

"Meu apartamento fica a quarenta minutos daqui. Se o senhor permitir que eu termine o turno mais cedo, posso levá-la para casa."

O rosto dele se fechou.

"Hoje, não."

Sofia sentiu o medo mudar de lugar.

"Ela precisa dormir na própria cama."

"Meu irmão sabe seu nome. Sabe que ela viu alguma coisa que ele não queria que vissem. Não vou mandar vocês para um prédio sem segurança enquanto não souber com quem estou lidando."

"O senhor está falando do seu irmão."

"Estou."

Sofia passou a palma na saia do uniforme.

Queria que ele dissesse que tudo estava resolvido. Queria uma resposta fácil, uma porta aberta e o ônibus de sempre. Dominic não lhe ofereceu nada disso.

"Por quanto tempo?"

"Esta noite, pelo menos. Amanhã conversamos com mais informação."

"Eu vou ficar com ela."

"Não pedi que se separassem."

A frase veio um pouco mais áspera. Ele percebeu, porque respirou antes de continuar:

"Vou providenciar um quarto para as duas. Se precisar de alguma coisa do apartamento, Marco manda buscar com você acompanhando por vídeo."

Lily estendeu a colher para ele.

"Você quer?"

Sofia abriu a boca para impedi-la. Dominic já tinha puxado uma cadeira.

"Esse é seu. Vou pedir outro."

"Esse lado não tem mordida."

Ele olhou para a colher, depois para a menina.

"Então aceito um pouquinho."

Comeu a ponta do pudim com uma seriedade que teria sido engraçada em qualquer outra noite.

Lily pareceu satisfeita.

No quarto de hóspedes, mais tarde, Sofia encontrou uma escova de dentes infantil ainda na embalagem e uma camiseta limpa que servia de camisola. Rosa levara as coisas e chorara enquanto ajeitava a cama.

Sofia estava lavando o rosto da filha quando Marco bateu.

Dominic esperava no corredor.

"Confirmaram uma substância tóxica na taça", ele disse baixo.

Sofia segurou a porta com força.

Do banheiro veio a voz de Lily, cantando para o urso enquanto o sentava sobre uma toalha.

"Se ela não tivesse falado, você teria bebido aquele vinho."

Dominic sustentou seu olhar em silêncio.

"Minha filha corre perigo?"

Ele sustentou seu olhar.

"Agora que sabemos que ela disse a verdade, eu preciso agir como se corresse."

Sofia olhou para o corredor comprido, para o segurança ao fundo, para a casa onde trabalhara durante quatro anos sem conhecer de verdade seus moradores.

"Então me diga onde posso ficar com ela sem precisar ter medo de quem abre a porta."

Dominic tirou uma chave do bolso e a colocou em sua mão.

"Comece trancando por dentro. Nem eu entro sem você abrir."

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