"Na Noite do Noivado Dele, o Mafioso Viu Minhas Feridas" Capítulo 9

A cadeira ao lado dele

Na noite da reunião, minha mãe me emprestou um par de brincos pequenos.

"São de verdade?", perguntei, observando as pedras claras.

"A coragem que você precisa também não é comprada. Coloque logo antes que eu mude de ideia."

Eu ri e a abracei com cuidado. O ombro ainda repuxava em alguns movimentos, mas o curativo havia diminuído. Já não me lembrava da dor a cada respiração.

Luca veio me buscar.

Quando abri a porta, ele olhou primeiro para meu rosto, como se quisesse saber se eu continuava disposta. Só depois seus olhos percorreram o vestido azul-escuro.

"Está pronta?"

"Ainda dá para pedir cinco minutos de coragem?"

Ele levantou a mão com que eu segurava a bolsa e beijou meus dedos.

"Dou dez. Mas prefiro que passe esses dez comigo."

No carro, contou quem estaria na casa. Uma tia que o criara por algum tempo, dois primos, um casal presente no jantar e o pai de Vanessa. Não havia uma multidão esperando meu constrangimento.

"Ela vem?"

"O pai pediu para trazê-la. Aceitei porque não quero deixar espaço para que diga depois que não pôde responder. Se você preferir, não entraremos na mesma sala."

Pensei no sorriso dela diante do pão caído.

"Eu entro."

Luca assentiu. Não me chamou de corajosa. Não transformou minha decisão num teste. Apenas aproximou minha mão da dele, deixando-a ali até chegarmos.

A tia dele, dona Teresa, nos recebeu perto da sala.

"Você deve ser Elisa."

Sua voz era cordial, mas o olhar tinha atenção suficiente para me deixar nervosa.

"Sou, sim. Boa noite."

Ela segurou minhas mãos.

"Obrigada pelo que fez por Bruno. Minha irmã teria gostado de conhecê-la melhor."

A referência à mãe de Luca tornou impossível responder apenas por educação.

"Ele fez companhia para mim também. Não fui a única a ajudar."

Teresa olhou para o sobrinho.

"Estou começando a perceber."

Vanessa chegou pouco depois, acompanhada do pai. Usava um vestido claro e o cabelo preso. Parecia preparada para uma conversa em que todos concordariam em evitar palavras desagradáveis.

Quando me viu ao lado de Luca, a expressão escapou por um instante.

O pai cumprimentou a família e pediu que se sentassem.

"Quero começar dizendo que lamentamos o transtorno. Minha filha agiu de maneira precipitada. Certamente vocês podem encontrar uma solução discreta."

Luca não se sentou.

"O noivado acabou. Isso não está em discussão. Estamos aqui porque começaram a circular versões falsas sobre o motivo."

Vanessa cruzou as pernas.

"Falsas segundo quem?"

Daniel colocou uma pasta sobre a mesa. Não a abriu como se exibisse um troféu. Apresentou a sequência dos registros: o transporte contratado, as informações fornecidas na entrega, a solicitação em nome de Luca e a tentativa de antecipação.

Eu já conhecia os fatos. Ouvi-los diante de outras pessoas, sem precisar implorar que acreditassem em mim, foi diferente.

O casal que estivera no jantar trocou um olhar. A mulher, que oferecera uma desculpa por Vanessa naquela noite, baixou os olhos.

"Não houve autorização minha", Luca disse. "Elisa tentou impedir a retirada de Bruno. Foi puxada pelo uniforme, caiu contra o portão e voltou a trabalhar ferida depois de ser ameaçada com a perda do emprego."

O pai de Vanessa olhou para a filha.

"Você disse que ela havia caído sozinha."

"Ela se colocou no meio. Eu só tentei afastá-la."

A justificativa atingiu a sala com mais força do que uma negação.

Luca fez um movimento para responder. Toquei seu braço.

Ele olhou para mim e esperou.

"Eu me coloquei no meio porque pediram que eu abrisse um portão para levarem um animal que mal conseguia andar", falei. "Pedi que esperassem para confirmar com o dono. A senhora me puxou quando eu recusei."

Vanessa soltou uma risada seca.

"E agora está aqui, toda arrumada, fingindo que isso não trouxe vantagem nenhuma. Até outro dia estava servindo esta casa."

O sangue subiu ao meu rosto. Ainda doía ouvir, mesmo preparada.

"Eu servia esta casa, sim. Nunca escondi isso. Fui paga pelo meu trabalho e fiz o melhor que podia. Não preciso me desculpar por ter trabalhado, nem por ter tentado proteger Bruno."

Minha voz saiu inteira. Não alta, não perfeita. Inteira.

Vanessa olhou para Luca.

"Você vai mesmo deixá-la falar assim comigo?"

"Ela acabou de descrever o que você fez."

Ele passou a mão pela minha, ali, diante de todos.

"Eu encerrei nosso noivado antes de começar qualquer relação com Elisa. E estou com ela porque quero estar. Não vou aceitar que usem meu nome para humilhá-la de novo."

O pai de Vanessa se levantou devagar. Parecia mais velho do que ao chegar.

"Nós vamos embora."

Ela ainda quis responder, mas ele repetiu seu nome de um jeito que encerrou a tentativa. Daniel os acompanhou até a saída. Os pertences restantes já haviam sido separados, e o acesso de Vanessa à propriedade estava cancelado. Os documentos seriam tratados pelos profissionais responsáveis, sem que eu precisasse carregar essa tarefa também.

Quando a porta se fechou, percebi que meus dedos tremiam.

Luca os cobriu com a outra mão.

"Quer um minuto lá fora?"

Assenti.

No corredor, encostei a testa no peito dele. Ele me abraçou sem dizer que eu não devia me importar.

"Eu odiei aquilo", confessei.

"Eu também."

"Achei que, quando respondesse, ia parar de doer."

A mão dele subiu pelo meu cabelo.

"Talvez precise de mais que cinco minutos."

Ri contra a camisa.

Ele beijou minha testa e esperou comigo até eu estar pronta para voltar.

O jantar foi menor do que o primeiro e muito mais humano. Teresa perguntou sobre minha mãe. Um dos primos contou uma história constrangedora sobre Luca adolescente, e ele aceitou a provocação sem tentar proteger a própria imagem.

Na entrada da sala de jantar, parei por um instante.

Reconheci o lugar onde o alfinete havia caído.

Luca não me apressou. Caminhou até a cadeira ao lado da dele e a puxou.

"Elisa."

Fui até ele.

Sentei na mesma sala em que tentara esconder minhas costas, e uma funcionária me trouxe um prato. Agradeci pelo nome. Ela sorriu para mim com uma naturalidade que tornou mais fácil segurar os talheres.

Luca me serviu água e continuou participando da conversa, a mão apoiada junto à minha sobre a mesa.

Não fez um discurso a respeito do meu lugar.

Guardou-o para mim a noite inteira.

Mais tarde, quando nos despedíamos no vestíbulo, um segurança abriu a porta. Eu já segurava a mão de Luca.

Dessa vez, não a soltei para que ninguém percebesse.

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