"Na Noite do Noivado Dele, o Mafioso Viu Minhas Feridas" Capítulo 7

Um lugar à mesa

"O senhor está me convidando para jantar?"

Luca inclinou a cabeça.

"Achei que tivesse sido claro. Posso tentar de novo."

Apertei a alça da bolsa.

"É que eu costumo trabalhar nos seus jantares."

"Eu sei. Desta vez, quero que se sente comigo."

A rua estava quieta. Um vizinho fechou o portão do outro lado, e esperei que o som passasse antes de responder.

"Sábado eu posso."

Luca sorriu como se tivesse conseguido algo que não estava acostumado a pedir.

"Às oito?"

Assenti.

Depois que entrei, fiquei encostada na porta por um tempo vergonhoso. Minha mãe acendeu a luz do corredor.

"Está procurando coragem ou perdeu a chave?"

"A senhora não estava dormindo?"

"Eu estava. Você suspirou na casa inteira."

Tentei negar, mas ela já sorria. Contei sobre o convite enquanto tirava os sapatos, e ouvi a pergunta que vinha evitando fazer a mim mesma.

"Você quer ir porque ele foi bom com você ou porque gosta dele?"

Lembrei o peso da mão dele na minha, o homem no tapete, o café sem açúcar.

"Acho que quero descobrir."

No sábado, escolhi um vestido verde que usara no aniversário de uma prima. Era bonito sem ser novo, e a gola cobria o curativo menor. Passei mais tempo com o cabelo do que levara para comprar o vestido.

Quando o carro chegou, minha mãe alisou uma dobra nas minhas costas com cuidado.

"Não precisa impressioná-lo com gratidão. Vá conversar."

Levei aquelas palavras comigo.

Na propriedade, o guarda me cumprimentou pelo nome. Eu estava acostumada a entrar pela lateral, mas o motorista parou diante da escadaria principal.

Luca aguardava na porta.

Camisa branca, mangas dobradas, nenhum paletó. A luz do vestíbulo desenhava seus ombros, e precisei me lembrar de subir o último degrau.

Ele estendeu a mão. Quando toquei seus dedos, o polegar dele passou de leve sobre minha pele.

"Você está linda."

O elogio era simples. Não havia uma plateia para ouvi-lo.

"Obrigada. O senhor também..."

Parei, constrangida.

"Eu também estou linda?"

Ri, e o nervosismo perdeu parte da força.

"Não era bem essa a palavra."

"Pode me contar durante o jantar. E pode me chamar de Luca."

Atravessamos o corredor. Dona Célia apareceu com um sorriso que procurava manter profissional e falhava nas bordas.

"Boa noite, Elisa. Bruno já jantou. Não adianta trazer nada escondido."

"Eu não trouxe."

Ela olhou para minha bolsa.

"Uma vez", admiti. "Aconteceu uma vez."

Luca riu e me conduziu até o terraço.

Havia uma mesa para dois, flores baixas num vaso e luzes quentes sob a cobertura. Nada de uma longa fila de talheres ou taças demais. Ele puxou minha cadeira.

Pela porta aberta, vi Bruno na cama junto ao escritório. Sua cauda bateu quando reconheceu meu cheiro. Levantei a mão para ele.

"Pode ir cumprimentá-lo", Luca disse.

Olhei para meu vestido.

"Antes que eu fique cheia de pelo?"

"Receio que eu já esteja."

Havia mesmo um fio dourado na calça escura. Retirei antes de pensar no gesto.

Minha mão parou perto da coxa dele. Luca olhou para meus dedos, depois para meu rosto.

Sentei depressa.

Ele teve a delicadeza de não sorrir até se acomodar do outro lado.

Durante o primeiro prato, conversamos sobre minha mãe, que passara a discutir com o fisioterapeuta sobre quem mandava na própria perna. Luca contou que Célia já o proibira de comprar uma cama maior para Bruno porque o cachorro continuaria preferindo a manta velha.

"Ela manda no senhor?"

"Desde que eu tinha dez anos. Aprendi a escolher minhas batalhas."

Aos poucos, o homem diante de mim ganhou detalhes que não cabiam no nome Moretti. Preferia comida simples, não sabia cuidar de plantas e tinha o hábito de ler a última página de um livro antes de decidir se começaria.

"Isso é horrível", falei.

"É eficiente."

"O senhor descobre o final antes de conhecer as pessoas."

Ele me observou por cima do copo.

"Talvez eu esteja mudando de método."

Baixei os olhos, mas não consegui esconder o sorriso.

Quando chegou a comida, tentei alcançar uma travessa. Luca a aproximou antes que eu estendesse o braço ferido.

"Já consigo fazer isso."

"Eu sei. Estou sendo atencioso."

"É um hábito recente?"

"Com você, estou praticando bastante."

Fiquei sem resposta. Ele pareceu gostar mais disso do que devia.

Mais tarde, quando os pratos foram retirados, fiz a pergunta que me acompanhara desde quinta-feira.

"Por que me convidou?"

Luca deixou o guardanapo junto ao prato.

"Porque queria passar uma noite com você sem um ferimento aberto, uma emergência ou um telefone tocando a cada cinco minutos."

"Pode ser gratidão."

"Parte do que sinto começou assim. Não vou fingir que não."

Meu peito apertou antes que ele continuasse.

"Mas gratidão não explica por que procuro você quando entro na lavanderia. Nem por que fico esperando a resposta de uma mensagem sobre um cachorro que está dormindo aos meus pés."

Eu prendi a respiração.

"O senhor vai à lavanderia?"

"Fui duas vezes nesta semana. Célia me informou que você tinha terminado o turno. Na segunda vez, ela riu de mim."

Imaginei a cena e ri também, com os olhos ardendo de uma emoção nova.

Luca inclinou-se um pouco.

"Você acha mesmo que só a vi naquela noite?"

"Eu passava pela sua mesa todos os dias. Isso não significa..."

"Eu via você arrastando o tapete para Bruno não escorregar. Vi quando levou uma marmita para o rapaz da jardinagem que tinha esquecido o almoço. Eu só não fazia as perguntas certas."

Ele respirou devagar.

"Agora quero fazê-las."

Contei que gostava de cozinhar quando ninguém estava esperando que a comida aparecesse pronta. Que guardava receitas em cadernos e tinha vontade de aprender confeitaria direito, um dia. Que não sabia dançar, embora minha mãe jurasse que qualquer pessoa com duas pernas podia aprender.

Luca escutou como se aqueles desejos pequenos merecessem lugar na mesa.

Depois fomos até o parapeito do terraço. O jardim estava iluminado, e a água da fonte chegava até nós como um ruído distante.

Ele parou ao meu lado, perto demais para eu fingir que não percebia.

"Você está desconfortável?"

Olhei para sua boca antes de responder. Foi um erro revelador.

"Estou nervosa. É diferente."

A mão dele encontrou a minha sobre a pedra.

"Eu também."

Ri de incredulidade.

"Luca Moretti fica nervoso?"

"Quando a resposta importa."

Virei o rosto. Ele levantou a mão e afastou uma mecha do meu cabelo. Seus dedos pararam junto à minha face, e eu encostei nela antes que pudesse recuar.

Fui eu quem diminuiu a distância restante.

O primeiro beijo foi cuidadoso por um instante. Depois minha mão se fechou na camisa dele, e Luca me puxou pela cintura, firme, atento ao lado machucado.

Havia desejo naquele gesto. Eu o senti no modo como ele respirou contra minha boca, na pausa difícil quando nos afastamos.

Encostei a testa no peito dele e ri sem ar.

"Eu tinha ensaiado como me despedir."

Sua mão permaneceu nas minhas costas, abaixo do curativo.

"Pode guardar para outra noite. Ainda quero ficar com você."

Fiquei.

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