"Ela Me Jogou na Piscina. Uma Ligação Minha Calou a Festa" Capítulo 9
PUBLICIDADE
SEM DESCULPAS NO MEIO
O pedido de Patrícia chegou perto de completar um ano da festa.
Veio por Beatriz, acompanhado de uma frase que Sofia releu enquanto esperava o café terminar de passar: ela gostaria de pedir desculpas pessoalmente, mas compreenderia se Sofia não quisesse encontrá-la.
Não havia referência à empresa, às relações do pai ou aos convites perdidos.
Sofia levou dois dias para aceitar.
Escolheu um café movimentado, no início da manhã, e avisou que teria quarenta minutos.
Patrícia já estava lá quando ela chegou. Usava uma camisa clara e tinha uma pasta pequena sobre a mesa. Sofia reconheceu imediatamente a forma de endireitar as costas quando percebia alguém olhando.
Alguns hábitos permaneciam.
"Obrigada por vir", Patrícia disse.
Sofia se sentou.
A atendente trouxe o cardápio. Patrícia pediu um café, olhou para o crachá da moça e agradeceu pelo nome.
Sofia percebeu o gesto, mas não soube dizer se era espontâneo ou preparado. Preferiu não tratá-lo como prova de nada.
"Eu ensaiei uma explicação", Patrícia começou. "Trouxe até umas coisas escritas."
Tocou na pasta e a afastou.
"Sempre que eu lia, parecia que estava tentando fazer você gostar de mim. Não é por isso que pedi a conversa."
Sofia aguardou.
"Eu empurrei você porque você não fez o que eu mandei. Não foi um acidente, eu não perdi o equilíbrio e a bebida não explica. Eu quis que você passasse vergonha."
Ouvir a descrição direta fez a garganta de Sofia apertar.
Era diferente de uma expressão vaga numa carta.
"E, quando soube quem eu era?", perguntou.
Patrícia baixou os olhos.
"Pensei que tinha estragado minha vida por não reconhecer você."
Sofia segurou a xícara com as duas mãos.
"Durante muito tempo, foi isso que pareceu incomodar você."
"Foi. Eu estava preocupada com as pessoas se afastando e com meu pai parando de resolver tudo. Eu dizia que estavam exagerando."
A atendente colocou o café diante dela. Patrícia esperou que se afastasse antes de continuar.
"Meu pai me tirou de compromissos em que eu representava a empresa. Se eu quisesse voltar, teria de trabalhar e responder pelo que fazia. Comecei numa função administrativa. Fiquei furiosa. Achei um castigo trabalhar com pessoas que não tinham nada a ver com a minha vida."
Ela soltou uma risada curta, sem humor.
"Estou ouvindo como isso soa."
Sofia não a ajudou a suavizar.
"E depois?"
"Depois eu precisei dessas pessoas. Para entender o trabalho, para corrigir coisas que fiz errado. Uma colega me ajudou numa manhã em que eu tinha tratado ela mal na semana anterior. Eu fiquei tão sem jeito que tentei comprar um presente caro. Ela pediu que eu parasse de interromper quando estivesse me explicando alguma coisa."
Pela primeira vez, Sofia percebeu um constrangimento que não parecia exigir uma resposta sua.
"Não acho que trabalhar alguns meses resolva o que eu fiz", Patrícia acrescentou. "Também não quero dizer que virei outra pessoa. Ainda me pego fazendo coisas que antes nem notava. Mas agora tento parar."
PUBLICIDADE
"Mesmo quando ninguém importante está perto?"
Patrícia sustentou o olhar por um momento.
"É isso que eu estou tentando aprender."
Sofia desviou os olhos para a rua.
Uma pessoa atravessava com uma criança pela mão. Um entregador equilibrava duas caixas na entrada da loja ao lado. O mundo não tinha parado na noite da piscina, embora durante algum tempo ela sentisse que carregava aquela cena para todo lugar.
"Eu fiquei com medo de bater a cabeça", disse.
Patrícia não se moveu.
"E fiquei com vergonha quando saí. Teve gente preocupada com o piso antes de alguém perguntar se eu estava bem. Depois, quando Beatriz disse meu nome, todo mundo lembrou como oferecer uma cadeira."
Os olhos de Patrícia se encheram de lágrimas.
Sofia continuou antes que a conversa se deslocasse para elas.
"Você não tem como desfazer essa parte."
"Eu sei. Sinto muito por ter feito isso com você."
A frase não reparou o passado. Também não pareceu vazia.
Sofia tomou o último gole de café e deixou a xícara sobre o pires.
"Eu aceito suas desculpas. Isso não significa que vamos ter uma relação ou que vou esquecer."
Patrícia assentiu imediatamente.
"Eu não espero isso."
"Então espero que continue fazendo esse trabalho sem precisar que eu acompanhe."
"Vou continuar."
Sofia pagou seu café e se levantou. Patrícia agradeceu outra vez, sem pedir um abraço ou uma fotografia.
Ao sair, Sofia respirou o ar quente da calçada.
Não sentiu uma paz instantânea. Sentiu que uma conversa necessária tinha finalmente terminado.
No telefone havia uma mensagem de Júlia, com a foto de uma mesa montada e uma dúvida sobre a distribuição dos convidados na recepção de Angra.
Sofia ampliou a imagem.
Depois respondeu que a decisão era dela e da equipe, e que confiava no planejamento que tinham apresentado.
Júlia mandou de volta um áudio rindo.
"Eu queria que você decidisse por mim. Foi uma tentativa discreta."
Sofia sorriu no meio da calçada.
Ainda estava sorrindo quando chamou o carro.
PUBLICIDADE
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 11
Duas Pulseiras de Prata — e a Mãe Que Disseram Estar Morta
Caio cresceu acreditando que a mãe havia morrido. Dela, restavam algumas fotografias e uma velha pulseira de prata que sua avó lhe entregara. Aos onze anos, ele entra num jantar beneficente em São Paulo procurando um homem que talvez conheça sua história. Mas é o pulso de uma menina que o faz parar: Rosa usa uma pulseira quase idêntica à sua. O mesmo símbolo. Duas letras diferentes. E duas crianças que reconhecem a própria mãe na mesma fotografia. Enquanto Rosa exige respostas do pai, Caio descobre que as pessoas em quem mais confiava esconderam muito mais do que um parentesco. Agora, encontrar a verdade pode lhe devolver alguém que ele passou a infância inteira procurando — e mudar para sempre a família que pensava conhecer.Drama|Traição|Vingança|Moderno11.1 mil palavras5 0 -
TerminadoCapítulo 10
Meu Filho Encontrou Seu Gêmeo no Aeroporto — e Eu Descobri Que Tinham Roubado Meu Bebê
Durante nove anos, Camila Duarte acreditou ter apenas um filho. Até o dia em que Theo apontou para um menino no aeroporto e perguntou: “Mãe, por que ele tem a minha cara?” O desconhecido se chamava Noah. Tinha os mesmos olhos, a mesma covinha e um casaco grande demais para esconder a fome e o abandono. No pescoço, carregava uma placa riscada: BEBÊ Nº 2. Para Camila, aquelas palavras trouxeram de volta um choro que todos juraram que ela havia imaginado. Decidida a descobrir quem lhe roubou o filho, ela começa a procurar respostas. Mas os documentos antigos revelam um nome que jamais esperava encontrar: o do próprio marido, morto cinco anos antes. Enquanto tenta reconstruir aquela noite, Camila precisa se aproximar de um menino que tem uma pergunta ainda mais dolorosa: por que seu irmão cresceu numa família, enquanto ele ficou para trás?Drama|Vingança|Moderno8.3 mil palavras5 0 -
TerminadoCapítulo 10
O Velho de Jaqueta de Couro
Aos cinquenta e cinco anos, Antônio Ferreira voltou à academia onde não pisava havia três décadas. Queria apenas rever seu antigo treinador. Mas um jovem boxeador decidiu transformar sua chegada em motivo de piada. Diego zombou da jaqueta velha, mexeu em sua bolsa e o desafiou diante dos outros alunos. Antônio não levantou a voz. Tirou o casaco, pegou as bandagens e começou a preparar as mãos. Foi então que o treinador o reconheceu. O desconhecido era um antigo campeão brasileiro. Mas descobrir seu nome seria apenas o começo. Porque Antônio não tinha voltado para recuperar um título — e Diego ainda precisava aprender uma coisa que seus melhores golpes nunca lhe ensinaram.Drama|Vingança|Moderno7.1 mil palavras5 0