"Ela Me Jogou na Piscina. Uma Ligação Minha Calou a Festa" Capítulo 8

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DEPOIS DAS PALAVRAS

Seis meses depois da recepção, Sofia voltou a uma sala de reunião com Renato.

Dessa vez, as assinaturas encerravam uma etapa que já passara pelas verificações e acordos necessários. Azevedo Participações e os parceiros assumiam o controle das atividades selecionadas. Renato conservava uma participação menor e compromissos de transição, mas deixava a direção executiva.

O novo administrador aguardava do outro lado da mesa.

Renato assinou o último documento sem fazer discurso.

Quando entregou a caneta, perguntou se poderia conversar com os antigos gerentes antes da comunicação às equipes.

"A comunicação será conjunta", respondeu o administrador. "Depois podemos organizar as conversas que ajudarem a transição."

Sofia viu o maxilar dele endurecer.

Era uma recusa pequena. Talvez justamente por isso fosse difícil de engolir.

Ao fim da reunião, Renato ficou para trás enquanto os outros saíam.

"Você conseguiu", disse.

Sofia guardou sua pasta.

"A operação foi concluída. Ainda há bastante trabalho."

"Você sabe do que estou falando."

Ela olhou para ele.

"Se está perguntando se estou satisfeita por você ter perdido o comando, estou satisfeita por ele não depender mais só da sua vontade. São coisas próximas, mas têm consequências diferentes."

Renato desviou o olhar para a cadeira onde se sentara o novo administrador.

"Vai ser estranho."

"Imagino."

Sofia não o consolou. Também não precisou acrescentar nada.

Naquela tarde, a cozinheira do hotel do Centro recebeu a primeira reunião de equipe em que as perguntas foram registradas e tiveram responsáveis por respondê-las. Sofia participou de parte do encontro, depois deixou a nova gestão conduzir.

Uma funcionária perguntou se as datas de pagamento mudariam. Outra quis saber quando o elevador seria revisado.

Ninguém perguntou quem tinha vencido.

Sofia anotou aquilo mentalmente ao sair.

Na semana seguinte, Beatriz trouxe os encaminhamentos relativos a Patrícia. O episódio tinha sido documentado, as versões confrontadas e as medidas acordadas seriam formalizadas. Sofia recebeu a reparação prevista e confirmou que os compromissos assumidos não dependiam de uma reconciliação pessoal.

A carta de desculpas chegou junto.

Era elegante, impressa em papel espesso, e mencionava "o constrangimento de uma noite infeliz" antes de chegar ao que Patrícia fizera.

Sofia leu até o fim.

"Ela quer me ligar?", perguntou.

"Pediu uma conversa. Você pode recusar."

Sofia preferiu ouvir.

Patrícia começou agradecendo a oportunidade. Sua voz parecia ensaiada, cuidadosamente baixa.

"Eu sinto muito pelo que aconteceu. Sei que as coisas saíram do controle."

Sofia apoiou o cotovelo na mesa.

"Você me empurrou. Isso precisa caber na frase."

Do outro lado, houve uma inspiração audível.

"Eu sinto muito por ter empurrado você."

"Obrigada por reconhecer."

Patrícia esperou. Sofia não ofereceu o encerramento confortável que ela parecia desejar.

"Meu pai está decepcionado comigo. Algumas pessoas não querem mais me receber. Você não imagina como isso ficou."

Sofia fechou os olhos por um instante.

"Eu não sou a pessoa com quem você deve procurar consolo por essas consequências."

"Não estou pedindo consolo. Só acho que estão me julgando como se uma noite definisse tudo."

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"Você conhece outras noites suas melhor do que eu. Pode começar por elas."

A ligação terminou pouco depois.

Sofia ficou irritada consigo por ter esperado mais. Beatriz recolheu os papéis sem comentar a expressão dela.

"Não precisa responder à carta hoje", disse apenas.

A vida de Júlia tinha uma velocidade diferente.

O buffet esclarecera o ocorrido, e os prejuízos das diárias canceladas tinham sido tratados. Ela decidira trabalhar com outra equipe sempre que pudesse. Depois de comparar horários e exigências, candidatara-se a um programa de formação ligado a hotéis parceiros da Azevedo.

Passara na seleção.

Agora chegava aos encontros com um caderno cheio de marcações e reclamações específicas sobre planilhas.

"Eu achei que coordenação fosse mandar as pessoas para o lugar certo", contou a Sofia num café. "Descobri que metade do trabalho é perceber que você calculou tudo errado antes de alguém ficar sem jantar."

"E a outra metade?"

"Fingir que não estou com vontade de fugir quando o fornecedor atrasa."

Sofia riu.

Júlia abriu o caderno para mostrar a programação de um evento de treinamento. Havia rasuras, setas e um horário de descanso assinalado em vermelho.

"A professora mandou refazer essa parte três vezes. Eu estava contando o deslocamento como pausa."

"E agora?"

"Agora alguém precisa cobrir a função para a pessoa conseguir sentar. Parece óbvio depois."

Sofia acompanhou a explicação sem interromper. Júlia tinha dúvidas reais, aprendia com os erros e já discordava de sugestões com mais facilidade.

Não era uma transformação instantânea. Era trabalho.

Quando se despediram, Júlia contou que havia uma proposta de encontro para apresentar o programa a novos candidatos e parceiros.

A propriedade de Angra, agora administrada entre os espaços de eventos da operação reorganizada, estava entre os locais possíveis.

"Você iria?", perguntou, com alguma cautela.

Sofia olhou para a marca fina que a bolsa deixava sobre seu braço, completamente recuperado.

"Você quer fazer lá?"

Júlia ergueu um ombro.

"Quero coordenar um lugar difícil e fazer direito. Mas não se isso deixar você mal."

Sofia não respondeu só para poupá-la.

Pediu um dia para pensar.

Na manhã seguinte, confirmou que iria.

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