"Ela Me Jogou na Piscina. Uma Ligação Minha Calou a Festa" Capítulo 7
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O PREÇO DE CONTINUAR
Renato leu a mesma página duas vezes.
Na terceira, tirou os óculos e os colocou sobre a mesa com cuidado excessivo.
"Você quer a minha empresa."
Sofia esperou que ele olhasse para ela.
"Quero apresentar uma proposta para algumas atividades que podem continuar operando. Seu grupo é maior do que isso, e parte dos projetos não entra."
"Mas eu deixo a direção."
"Das atividades que receberiam o investimento, sim. Haveria uma nova administração."
Ele passou a mão pela nuca. À sua direita, o advogado mantinha uma folha de anotações quase vazia. Os representantes dos outros investidores aguardavam.
Sofia tinha pedido uma sala sem a mesa comprida usada nas apresentações. Não queria um palco. Queria que todos pudessem ler os documentos e fazer perguntas.
Mesmo assim, Renato parecia procurar uma plateia a quem explicar o absurdo de lhe imporem condições.
"Eu fundei esse grupo."
"Isso está refletido na negociação da sua participação. Não significa que as decisões precisem continuar concentradas no senhor."
"Nenhum de vocês conhece os hotéis como eu."
Sofia abriu o relatório da visita.
"O senhor sabia quantos quartos estavam fechados na unidade do Centro?"
Ele fez um gesto impaciente.
"Eu não acompanho cada quarto. Tenho gerentes para isso."
"A apresentação entregue aos investidores contava com esses quartos. Quando pedimos esclarecimentos, ninguém os corrigiu. O problema não é o senhor deixar de acompanhar uma reforma. É não haver um caminho confiável para a informação chegar a quem decide."
Um dos representantes pediu a palavra e questionou a previsão de recursos para as obras interrompidas. A equipe respondeu com o que já estava verificado e indicou o que ainda dependia de confirmação.
A conversa avançou por quase uma hora.
Renato tentou negociar permanência como presidente executivo. Depois sugeriu um cargo com poder para aprovar contratações e despesas maiores.
Sofia recusou as duas alternativas.
Aceitaria uma transição delimitada, com atribuições claras. Não financiaria uma troca de títulos que preservasse o mesmo comando.
Quando discutiram os imóveis, Renato encontrou outra resistência.
A casa de Angra constava entre os bens de uma empresa do grupo. Recebia eventos e também era usada por ele como residência de temporada, com despesas misturadas na operação.
"Aquela casa fica fora", disse.
"Podemos discutir uma estrutura sem ela", Sofia respondeu. "Mas os números mudam. Os custos não podem continuar nas atividades financiadas enquanto o benefício fica reservado ao senhor."
O advogado de Renato pediu um intervalo.
Eles saíram para o corredor. Sofia permaneceu na sala, olhando a jarra de água.
Beatriz se aproximou.
"Você está bem?"
"Estou cansada de ouvir que ele construiu tudo sozinho."
A advogada se sentou ao lado.
"Quer fazer uma pausa?"
Sofia assentiu.
No banheiro, lavou as mãos com água fria. Havia uma marca amarelada quase desaparecida no braço. Passou os dedos perto dela sem tocar.
Não precisava olhar para a pele para saber por que começara aquela disputa. Precisava, porém, lembrar por que continuava, agora que a raiva já não bastava para organizar as escolhas.
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Voltou à sala antes de Renato.
Quando ele entrou, pediu para falar diretamente com ela.
"Há uma coisa que ninguém aqui está dizendo", começou. "Você foi humilhada na minha casa e agora pode escolher quanto eu perco."
Sofia sentiu a atenção da mesa se concentrar nos dois.
"Os problemas apresentados são anteriores à recepção. Foram avaliados por pessoas que não estavam lá e por parceiros que não dependem da minha aprovação pessoal. Você pode recusar a proposta."
"É muito fácil dizer isso quando conhece a minha situação."
"Sua situação também exige que eu justifique onde vou colocar os recursos. Se eu não conseguir justificar, não vou colocar."
Renato baixou a voz.
"Eu pedi desculpas."
"E continua tentando usar o pedido para obter uma decisão diferente."
Ele afastou a cadeira.
Sofia pensou que fosse sair. Em vez disso, Renato ficou de pé junto à janela, as mãos na cintura, e olhou para a rua.
Ninguém preencheu o silêncio por ele.
Quando voltou a sentar, perguntou o que aconteceria com os funcionários durante a transição.
A pergunta permitiu que a conversa mudasse. Sofia apresentou as condições de continuidade, os limites da proposta e a necessidade de comunicação com as equipes. Não haveria promessa de preservar qualquer posto independentemente da realidade de cada operação. Haveria análise, planejamento e responsabilidade pelo que fosse acordado.
"Eu não quero meu nome associado a um fechamento", Renato disse.
"Então ajude a entregar informações completas. É uma contribuição que você pode fazer agora."
A reunião terminou sem assinatura definitiva. Foram estabelecidos pontos para revisão, consultas e novas verificações.
Renato não gostou de nenhum deles.
Mas saiu com o documento nas mãos.
Na semana seguinte, a equipe recebeu os arquivos que faltavam. Alguns confirmaram riscos já identificados; outros permitiram corrigir avaliações pessimistas. Sofia aceitou as correções favoráveis com a mesma atenção que dedicara às ruins.
Não queria vencer uma discussão à custa de uma operação mal avaliada.
As negociações continuaram por meses, com avanços pequenos e dias em que parecia que tudo seria abandonado. Renato tentou retirar condições. Um investidor reduziu sua participação. Outro exigiu uma revisão que atrasou o calendário.
Sofia recusou a ideia de anunciar um acordo antes de existir um.
Numa sexta-feira à noite, Beatriz entrou no escritório com a versão final para a etapa seguinte de aprovações.
"Ele aceitou sair da direção. A participação remanescente e a transição estão ajustadas. Ainda precisamos concluir os demais passos."
Sofia leu a mensagem de confirmação duas vezes.
Lembrou-se da mão de Renato apontando para a cozinha, autorizando que desaparecesse.
Agora não havia aplauso, convidados ou faróis.
Havia uma decisão que ele não conseguira transformar em favor pessoal.
Sofia pegou a caneta de Gabriel e começou a conferir a primeira página.
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