"Ela Me Jogou na Piscina. Uma Ligação Minha Calou a Festa" Capítulo 6
PUBLICIDADE
QUEM CAI PRIMEIRO
O hotel em que Sofia entrou naquela quinta-feira não aparecia nas fotografias da recepção.
Ficava numa rua movimentada, longe do mar. Tinha hóspedes habituais, uma cozinha pequena e um elevador de serviço que fazia um ruído seco antes de fechar.
Renato o chamava de operação secundária.
A funcionária da recepção conhecia pelo nome o homem que chegou para uma reunião na cidade e perguntou se a esposa dele estava melhor.
Sofia ficou alguns instantes observando a conversa.
Era difícil chamar de secundário um lugar que sustentava tantas rotinas.
A visita fora marcada, e Sofia se apresentou ao gerente antes de acompanhar a operação. Não usou uniforme, nem pediu que fingissem não saber quem era.
Naquela fase, precisava de respostas e da liberdade de conferir o que lhe diziam.
O gerente, Celso, mostrou os quartos reformados e tentou evitar o corredor onde havia material empilhado.
"Essa parte está passando por um ajuste."
"Posso ver?"
Ele hesitou, então abriu a porta.
A reforma tinha parado porque o prestador não recebera a última parcela. Quatro quartos permaneciam fora de uso, embora a apresentação enviada aos investidores os contasse como disponíveis.
Sofia fotografou apenas o ambiente, com autorização, e fez uma anotação.
Na cozinha, conversou com uma cozinheira que tinha dezesseis anos de casa. A mulher foi cuidadosa nas respostas até Celso se afastar para atender uma chamada.
"A senhora vai fechar o hotel?", perguntou.
"Ainda estamos avaliando. Não vim anunciar fechamento."
"É que ninguém fala nada. A gente vê as entregas diminuindo e fica imaginando."
Sofia não ofereceu tranquilidade sem base.
"Eu entendo. Vou pedir que os responsáveis mantenham vocês informados sobre as decisões que afetarem o trabalho."
A cozinheira assentiu, sem parecer satisfeita. Sofia também não ficaria.
No escritório do Rio, os números confirmaram parte do que a visita mostrara. Algumas unidades recebiam hóspedes, geravam receita e poderiam se manter com gestão melhor. Outros projetos tinham sido anunciados para impressionar parceiros, embora ainda dependessem de recursos que não existiam.
A equipe montou cenários. Sofia leu as versões até as colunas começarem a se confundir.
No fim da tarde, Beatriz a encontrou de pé junto à janela.
"Você está tentando descobrir o que é possível ou procurando uma forma de ninguém sair machucado?"
Sofia cruzou os braços e se arrependeu quando o ombro reclamou.
"A segunda opção seria melhor."
"Não está disponível."
Ela sabia. Ainda assim, ouvir doía.
Um fornecedor aceitou falar pessoalmente no dia seguinte. Tinha uma empresa pequena de lavanderia e levou uma pasta com notas, mensagens e comprovantes.
Sofia conhecia a cifra total da dívida. Só entendeu sua dimensão quando ele explicou que adiara a manutenção de duas máquinas para manter o salário dos funcionários.
"Eu não estou pedindo prioridade porque minha história é triste", disse ele. "Quero saber com quem estou negociando. Cada semana me dão um nome novo."
"Eu não posso prometer pagamento pelo grupo hoje", Sofia respondeu. "Posso garantir que essa situação entre na análise e que ninguém use meu nome para prometer o que eu não aprovei."
PUBLICIDADE
Ele pareceu preferir aquela resposta a mais uma data inventada.
Depois da reunião, Sofia ligou para Renato.
"Você sabia que a lavanderia está há meses esperando?"
"Sei que há pendências com prestadores. O financeiro administra."
"O dono esteve aqui. O financeiro não administra a manutenção das máquinas dele."
Renato ficou em silêncio.
"Você quer me convencer de que sou o único empresário com dívidas?"
"Quero os documentos completos dos negócios que você apresentou como prontos para receber investimento. Continuam faltando informações."
"Eu estou providenciando."
"Sem elas, não há proposta nova."
Encerrada a chamada, Sofia percebeu que apertava a caneta com tanta força que os dedos doíam.
Não gostava de Renato. Não confiava em sua pressa. Teria sido mais fácil recusar o investimento e seguir para outro negócio.
Também seria uma decisão defensável.
Mas a cozinheira, o gerente e o dono da lavanderia existiam além daquela defesa.
Nas duas semanas seguintes, Sofia trabalhou com a equipe para desenhar uma operação menor do que a imaginada por Renato. Nada de financiar anúncios grandiosos. Os recursos seriam discutidos em torno das unidades que podiam continuar, das obrigações existentes e de mudanças reais na administração.
Alguns parceiros se interessaram. Outros recusaram, e ela aceitou as recusas sem prometer uma certeza que não tinha.
Beatriz sublinhou uma condição na minuta de trabalho.
"Ele não vai gostar desta parte."
Sofia leu de novo o trecho sobre o comando das atividades que receberiam capital.
"Eu também não gostaria de perder a direção de uma coisa que construí."
"Isso muda sua posição?"
"Não."
Na sexta-feira, Júlia passou no escritório depois de um evento. Trazia a roupa de trabalho numa sacola e a notícia de que tinha conseguido mais duas datas.
"A coordenadora reclamou da minha organização", contou. "Mas explicou o que precisava mudar. Não me chamou de burra. Foi quase estranho."
Sofia a convidou para sentar.
Conversaram sobre o ritmo do serviço, os horários e um curso de organização de eventos que Júlia vira num anúncio. Ela gostava do trabalho, mas queria aprender a coordenar equipes.
"Não sei se tenho cabeça para estudar depois de um dia inteiro em pé."
"Você pode começar com uma carga menor. Se quiser, vejo quais programas de formação nossos parceiros oferecem. A inscrição e a seleção continuam sendo suas."
Júlia assentiu devagar, como se a possibilidade precisasse de espaço antes de caber na vida.
Depois que ela saiu, Sofia voltou à proposta.
Telefonou para Beatriz e pediu que marcasse a reunião com Renato e os demais interessados.
Dessa vez, não bastaria ele dizer que corrigiria os problemas.
Precisaria aceitar que outras pessoas decidissem como verificar a correção.
PUBLICIDADE
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 11
Duas Pulseiras de Prata — e a Mãe Que Disseram Estar Morta
Caio cresceu acreditando que a mãe havia morrido. Dela, restavam algumas fotografias e uma velha pulseira de prata que sua avó lhe entregara. Aos onze anos, ele entra num jantar beneficente em São Paulo procurando um homem que talvez conheça sua história. Mas é o pulso de uma menina que o faz parar: Rosa usa uma pulseira quase idêntica à sua. O mesmo símbolo. Duas letras diferentes. E duas crianças que reconhecem a própria mãe na mesma fotografia. Enquanto Rosa exige respostas do pai, Caio descobre que as pessoas em quem mais confiava esconderam muito mais do que um parentesco. Agora, encontrar a verdade pode lhe devolver alguém que ele passou a infância inteira procurando — e mudar para sempre a família que pensava conhecer.Drama|Traição|Vingança|Moderno11.1 mil palavras5 0 -
TerminadoCapítulo 10
Meu Filho Encontrou Seu Gêmeo no Aeroporto — e Eu Descobri Que Tinham Roubado Meu Bebê
Durante nove anos, Camila Duarte acreditou ter apenas um filho. Até o dia em que Theo apontou para um menino no aeroporto e perguntou: “Mãe, por que ele tem a minha cara?” O desconhecido se chamava Noah. Tinha os mesmos olhos, a mesma covinha e um casaco grande demais para esconder a fome e o abandono. No pescoço, carregava uma placa riscada: BEBÊ Nº 2. Para Camila, aquelas palavras trouxeram de volta um choro que todos juraram que ela havia imaginado. Decidida a descobrir quem lhe roubou o filho, ela começa a procurar respostas. Mas os documentos antigos revelam um nome que jamais esperava encontrar: o do próprio marido, morto cinco anos antes. Enquanto tenta reconstruir aquela noite, Camila precisa se aproximar de um menino que tem uma pergunta ainda mais dolorosa: por que seu irmão cresceu numa família, enquanto ele ficou para trás?Drama|Vingança|Moderno8.3 mil palavras5 0 -
TerminadoCapítulo 10
O Velho de Jaqueta de Couro
Aos cinquenta e cinco anos, Antônio Ferreira voltou à academia onde não pisava havia três décadas. Queria apenas rever seu antigo treinador. Mas um jovem boxeador decidiu transformar sua chegada em motivo de piada. Diego zombou da jaqueta velha, mexeu em sua bolsa e o desafiou diante dos outros alunos. Antônio não levantou a voz. Tirou o casaco, pegou as bandagens e começou a preparar as mãos. Foi então que o treinador o reconheceu. O desconhecido era um antigo campeão brasileiro. Mas descobrir seu nome seria apenas o começo. Porque Antônio não tinha voltado para recuperar um título — e Diego ainda precisava aprender uma coisa que seus melhores golpes nunca lhe ensinaram.Drama|Vingança|Moderno7.1 mil palavras5 0