"Ela Me Jogou na Piscina. Uma Ligação Minha Calou a Festa" Capítulo 4
PUBLICIDADE
A CONTA QUE ELE NÃO QUERIA PAGAR
Renato olhou a mensagem e empurrou o papel alguns centímetros para longe.
"Eu pedi ao responsável que não a escalasse mais nas minhas recepções."
Sofia manteve as mãos sobre a mesa.
"Por quê?"
"Porque ela abandonou o posto no meio do serviço e se envolveu num conflito com os convidados."
"Ela trouxe uma toalha para uma pessoa que tinha sido empurrada na piscina."
"Não foi só isso. Ela me confrontou diante de todos."
Sofia sentiu o advogado de Renato se mexer na cadeira.
"Você a ouviu perguntar se eu estava machucada", disse. "Foi essa a afronta?"
Renato olhou para o homem ao lado, tarde demais para retirar a resposta.
Beatriz anotou alguma coisa.
"Essa orientação foi transmitida por escrito?", perguntou.
"Eu telefonei para o supervisor. Não sei o que ele registrou."
A confirmação não trouxe satisfação imediata a Sofia. Trouxe a imagem de Júlia no ponto de ônibus, tentando entender como uma toalha podia custar o dinheiro do mês.
"Quero que essa decisão seja revista e que a comunicação chegue também ao buffet", disse.
"Podemos fazer isso."
Renato respondeu depressa, como quem identificava um preço pequeno para recuperar uma negociação maior.
Sofia deixou que terminasse.
"Também posso oferecer uma compensação pelo ocorrido na festa. A Patrícia está disposta a pedir desculpas. Tivemos uma conversa difícil."
"Ela ainda não falou comigo."
"Vai falar. Mas precisamos separar um incidente pessoal de uma operação que envolve muita gente."
Beatriz abriu a pasta à sua frente.
"Concordamos que há assuntos distintos. A agressão será tratada por um caminho. As condições de trabalho e as informações prestadas aos investidores precisam ser examinadas por outro."
Renato assentiu, aliviado antes da hora.
A advogada colocou dois documentos lado a lado. Num deles, um prestador aparecia como pago. No outro, a cobrança enviada pelo mesmo fornecedor na semana anterior detalhava parcelas vencidas.
"Essa diferença é anterior à festa", explicou.
O sorriso dele desapareceu.
"O financeiro pode esclarecer."
"É o que pedimos há duas semanas. Ainda não recebemos uma resposta completa."
Renato pegou os papéis. Leu com uma atenção que Sofia não tinha visto quando falavam de Júlia.
"Há um problema de fluxo. Não significa que a empresa seja inviável."
"Ninguém afirmou isso", Sofia respondeu. "Mas vocês apresentaram uma situação mais confortável do que os documentos sustentam."
"Toda empresa organiza a própria apresentação."
Ela o deixou ouvir o silêncio depois da frase.
O advogado dele se inclinou.
"Podemos encaminhar os esclarecimentos até sexta-feira e discutir um cronograma revisado."
Beatriz concordou com o envio. Sofia não concordou com a segunda parte.
"A proposta original não vai continuar sendo negociada como se dependesse apenas de uma nova data."
Renato baixou os documentos.
"Você entende o efeito disso?"
"Entendo que sua empresa precisa de dinheiro. Também entendo que meu grupo não aprovou o investimento. Se o senhor anunciou alguma coisa diferente, vai precisar corrigir."
Ele se recostou.
PUBLICIDADE
Durante alguns segundos, só se ouviu o ar-condicionado.
"Você veio à minha casa disfarçada", disse por fim. "Acha isso uma forma honesta de começar uma relação?"
A pergunta atingiu um ponto que Sofia tinha examinado mais de uma vez desde a festa.
"A visita operacional estava autorizada. Minha presença no serviço foi combinada com a direção do buffet. Ainda assim, podemos discutir o método. Não muda o que aconteceu diante de mim."
"Era uma festa. As pessoas bebem. Às vezes exageram."
"E você decide quem precisa suportar o exagero."
O advogado interveio antes que Renato respondesse.
A reunião prosseguiu com pedidos de documentos, datas e perguntas que exigiam respostas menos convenientes. Sofia não anunciou uma ruína que não podia decretar. Não ameaçou tomar uma casa que não lhe pertencia. Recusou autorizar dinheiro sem esclarecer o que sustentava o negócio.
Quando Beatriz e o outro advogado saíram para organizar os próximos encaminhamentos, Renato pediu dois minutos.
Sofia aceitou. A porta ficou aberta.
"Eu deveria ter tirado Patrícia da festa", ele disse.
"Deveria."
"O pai dela tem relações importantes para o grupo. Eu não queria criar um problema."
"Criou para mim. Depois para Júlia."
Ele apertou a ponte do nariz.
"Eu sei que fica feio quando você coloca dessa forma."
"Foi dessa forma que aconteceu."
Renato olhou para a janela. Do outro lado do vidro, o trânsito seguia pela avenida, indiferente à dificuldade de um homem acostumado a se sentir indispensável.
"Minha empresa tem gente que depende dela", disse.
Sofia não respondeu de imediato.
Era a primeira frase da tarde que a impedia de encerrar a conversa com a facilidade que desejava.
"Então entregue informações que permitam avaliar o que pode ser preservado", respondeu. "E pare de prejudicar quem não consegue se defender de você."
Depois que ele saiu, Sofia ficou na sala até o café esfriar.
Beatriz voltou com uma confirmação: Renato enviaria a revisão da orientação sobre Júlia naquele dia. O buffet teria de esclarecer a própria participação, e os prejuízos sofridos por ela seriam tratados com acompanhamento.
Uma hora mais tarde, Júlia encaminhou a nova mensagem.
A restrição aos eventos tinha sido retirada. Não havia pedido de desculpas do supervisor, apenas uma explicação curta sobre um "ajuste interno".
"Posso dizer que não quero voltar para lá?", Júlia perguntou.
Sofia apoiou o telefone na mesa antes de responder.
"Pode. Recuperar a possibilidade não obriga você a aceitar. Como foram os contatos para as outras diárias?"
Júlia mandou uma foto de um orçamento, seguida de um áudio muito mais animado. Tinha conseguido uma entrevista com a coordenadora de outra equipe.
Sofia ouviu até o fim.
Pela primeira vez desde a piscina, alguma coisa naquela história tinha saído do lugar certo.
Ao fechar os relatórios, porém, encontrou a lista de pagamentos pendentes.
Júlia era um nome. Havia muitos outros.
PUBLICIDADE
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 11
Duas Pulseiras de Prata — e a Mãe Que Disseram Estar Morta
Caio cresceu acreditando que a mãe havia morrido. Dela, restavam algumas fotografias e uma velha pulseira de prata que sua avó lhe entregara. Aos onze anos, ele entra num jantar beneficente em São Paulo procurando um homem que talvez conheça sua história. Mas é o pulso de uma menina que o faz parar: Rosa usa uma pulseira quase idêntica à sua. O mesmo símbolo. Duas letras diferentes. E duas crianças que reconhecem a própria mãe na mesma fotografia. Enquanto Rosa exige respostas do pai, Caio descobre que as pessoas em quem mais confiava esconderam muito mais do que um parentesco. Agora, encontrar a verdade pode lhe devolver alguém que ele passou a infância inteira procurando — e mudar para sempre a família que pensava conhecer.Drama|Traição|Vingança|Moderno11.1 mil palavras5 0 -
TerminadoCapítulo 10
Meu Filho Encontrou Seu Gêmeo no Aeroporto — e Eu Descobri Que Tinham Roubado Meu Bebê
Durante nove anos, Camila Duarte acreditou ter apenas um filho. Até o dia em que Theo apontou para um menino no aeroporto e perguntou: “Mãe, por que ele tem a minha cara?” O desconhecido se chamava Noah. Tinha os mesmos olhos, a mesma covinha e um casaco grande demais para esconder a fome e o abandono. No pescoço, carregava uma placa riscada: BEBÊ Nº 2. Para Camila, aquelas palavras trouxeram de volta um choro que todos juraram que ela havia imaginado. Decidida a descobrir quem lhe roubou o filho, ela começa a procurar respostas. Mas os documentos antigos revelam um nome que jamais esperava encontrar: o do próprio marido, morto cinco anos antes. Enquanto tenta reconstruir aquela noite, Camila precisa se aproximar de um menino que tem uma pergunta ainda mais dolorosa: por que seu irmão cresceu numa família, enquanto ele ficou para trás?Drama|Vingança|Moderno8.3 mil palavras5 0 -
TerminadoCapítulo 10
O Velho de Jaqueta de Couro
Aos cinquenta e cinco anos, Antônio Ferreira voltou à academia onde não pisava havia três décadas. Queria apenas rever seu antigo treinador. Mas um jovem boxeador decidiu transformar sua chegada em motivo de piada. Diego zombou da jaqueta velha, mexeu em sua bolsa e o desafiou diante dos outros alunos. Antônio não levantou a voz. Tirou o casaco, pegou as bandagens e começou a preparar as mãos. Foi então que o treinador o reconheceu. O desconhecido era um antigo campeão brasileiro. Mas descobrir seu nome seria apenas o começo. Porque Antônio não tinha voltado para recuperar um título — e Diego ainda precisava aprender uma coisa que seus melhores golpes nunca lhe ensinaram.Drama|Vingança|Moderno7.1 mil palavras5 0