"Ela Me Jogou na Piscina. Uma Ligação Minha Calou a Festa" Capítulo 2

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O NOME QUE ELE CONHECIA

Sofia levantou a mão esquerda.

Beatriz atravessou o terraço, seguida por um segurança. Ao ver a toalha, a roupa encharcada e o ombro avermelhado, guardou imediatamente o telefone.

"Bateu a cabeça?"

"Não. Engoli água e bati o braço na escada."

"Vamos avaliar isso. Você trouxe roupa?"

"Minha bolsa está com o buffet."

Júlia voltou com um par de chinelos e a bolsa. Entregou os dois sem perguntar quem eram as pessoas que tinham acabado de chegar.

"Eu guardei no armário da cozinha. Não molhou."

Sofia agradeceu. Tentou calçar o chinelo, mas o pé escorregou. Sentou-se numa cadeira, furiosa com o pequeno gesto que o próprio corpo não conseguia cumprir.

Beatriz se agachou para ajudá-la.

Renato tinha parado a alguns passos.

"Sofia?", repetiu.

Ele conhecia aquele nome de mensagens encaminhadas pela equipe de negociação. Sofia Azevedo. A pessoa cuja aprovação ainda faltava para que a proposta de investimento avançasse.

Sofia viu o reconhecimento se formar no rosto dele, seguido por uma tentativa quase imediata de sorrir.

"Você é a senhora Azevedo?"

"Sou."

Atrás dele, Patrícia descruzou os braços.

"Renato, quem é essa mulher?"

Beatriz se levantou.

"A presidente da Azevedo Participações. Nós tínhamos uma reunião com o senhor depois da recepção."

O silêncio se espalhou pelas mesas mais próximas. Um convidado que estivera rindo colocou a taça sobre o aparador sem terminar a bebida.

Sofia observou aquilo com um desconforto novo. Minutos antes, sua dor tinha sido um inconveniente. Agora seu nome parecia exigir providências urgentes.

Renato puxou outra cadeira.

"Por favor, sente-se com mais conforto. Eu não fazia ideia."

"Eu já estou sentada."

"Claro. Vou pedir que preparem um quarto."

"Eu vou embora."

Patrícia se aproximou, olhando de Sofia para Beatriz.

"Isso é algum tipo de encenação? Ela passou a noite servindo bebida."

"Passei", Sofia confirmou.

"Por quê?"

"Para acompanhar o trabalho da equipe. A visita foi combinada com a empresa responsável pelo serviço."

Renato apertou os lábios. A autorização para observar a operação constava das conversas preliminares, embora ele evidentemente imaginasse uma visita com pranchetas e funcionários avisados.

"Você poderia ter se apresentado", disse.

Sofia segurou a toalha contra o peito.

"Isso teria mudado o quê?"

Ele olhou para Patrícia e não respondeu.

O segurança aguardava perto da porta. Beatriz pediu que trouxessem o carro mais próximo da saída e se voltou para o dono da casa.

"Precisamos que preserve as gravações das câmeras desta área. Amanhã conversaremos sobre os encaminhamentos."

"Não há necessidade de chegar a esse ponto. Foi uma situação lamentável, mas podemos conversar."

"Nós estamos conversando", Sofia disse. "Você só começou a me ouvir agora."

Patrícia soltou o ar com força.

"Eu não sabia quem você era."

A frase caiu entre elas.

Sofia ergueu o rosto.

"Você sabia que eu era uma pessoa."

Patrícia abriu a boca, fechou e procurou apoio nas amigas. Uma delas se afastara para atender o telefone. A outra olhava para a piscina.

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Renato baixou a voz.

"Sofia, vamos entrar. Não é adequado falar dos nossos assuntos diante dos convidados."

Ela também preferia não transformar sua vida numa atração. Queria um banho quente, uma avaliação médica e alguns minutos sem ter de sustentar o olhar de ninguém.

Mas não permitiria que ele confundisse sua saída com um acordo.

"A reunião de hoje está cancelada. Nenhuma decisão sobre o investimento será tomada antes de concluirmos as verificações. Beatriz vai falar com sua equipe."

Renato perdeu a pouca cor que ainda tinha.

"Há compromissos dependendo dessa operação."

"Eu sei. Por isso ninguém deveria tê-la tratado como aprovada."

Um homem grisalho, que Sofia reconhecia de encontros do setor hoteleiro, chegou perto e ofereceu ajuda. Chamava-se Miguel, e conhecera seu tio Gabriel.

"Não a reconheci, Sofia. Se houver alguma coisa que eu possa fazer..."

Ela apontou discretamente para o funcionário que recolhia os cacos.

"Peça que isolem essa passagem até terminar a limpeza. Tem vidro dentro da água também."

Ele assentiu e se ocupou disso.

Era uma ajuda tardia. Ainda assim, evitava que alguém se cortasse.

Na saída, Júlia acompanhou Sofia até o corredor.

"Eu fico com a roupa molhada, se você quiser trocar."

"Obrigada. Vou trocar no banheiro antes de sair."

Beatriz esperou do lado de fora enquanto Sofia vestia a camiseta e a calça que trouxera na bolsa. Levantar o braço era difícil. Quando finalmente fechou a porta do banheiro atrás de si, precisou apoiar a testa na parede por alguns segundos.

A raiva ainda estava ali. Mas havia vergonha também, e ela odiou sentir vergonha de uma coisa que não escolhera.

Do corredor veio a voz de Júlia.

"Quer que eu entre?"

"Não. Eu consigo. Só preciso de um minuto."

"Tudo bem. Estou aqui."

Sofia respirou até conseguir abrir a porta.

Pediu o telefone de Júlia antes de partir. A moça hesitou, dizendo que não precisava de nada.

"Quero saber se você chegou bem em casa", Sofia explicou.

No carro, Beatriz acomodou uma toalha dobrada entre o ombro dela e o cinto. Os outros veículos começaram a sair, levando os profissionais que não tinham chegado a participar da reunião.

O comboio parecia exagerado agora que a noite tinha desmoronado. Horas antes, fazia parte de uma logística banal: equipes vindas de visitas diferentes, prontas para uma apresentação conjunta, com motoristas e segurança para o retorno.

Sofia olhou para a própria mão, ainda trêmula.

"Todo mundo mudou de voz", disse.

Beatriz esperou.

"Foi só você dizer meu cargo."

"Eu percebi."

"Júlia não precisou saber."

A advogada assentiu.

Foram primeiro a um atendimento médico. O ombro estava dolorido, mas a avaliação não encontrou lesão grave. Recebeu orientações, colocou roupa seca sobre a bolsa e chegou ao hotel depois da meia-noite.

Dormiu pouco.

Às oito e dezessete da manhã, o telefone vibrou.

Era Júlia.

"Desculpa incomodar. Você sabe se eu fiz alguma coisa errada ontem? O supervisor disse que não sou mais para trabalhar nos eventos do Valença. Pedi uma explicação e ele mandou eu parar de insistir."

Sofia se sentou na cama.

Leu a mensagem outra vez.

Depois ligou.

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