"Ela Me Jogou na Piscina. Uma Ligação Minha Calou a Festa" Capítulo 1

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OS RISOS À BEIRA DA PISCINA

Patrícia encostou as duas mãos no peito de Sofia e empurrou.

A bandeja bateu na borda da piscina. Uma taça se quebrou antes que Sofia atingisse a água; as outras desapareceram junto com ela.

O primeiro impulso foi respirar.

Engoliu água, sentiu o nariz arder e procurou o fundo com os pés. A saia se enrolou nas pernas. Quando conseguiu voltar à superfície, ouviu uma gargalhada acima da música.

Patrícia Monteiro continuava no mesmo lugar, com o vestido violeta protegido por um passo para trás.

"Agora você tem um motivo para ficar me olhando desse jeito."

Sofia tossiu. A escada ficava do outro lado, perto de um vaso de palmeira. Começou a nadar naquela direção, sentindo uma dor fina no ombro direito.

Ninguém entrou na piscina.

Um homem ergueu o celular. A mulher ao lado segurou o braço dele, mas não pediu ajuda. Perto da mesa de bebidas, Renato Valença se levantou com uma expressão irritada, como se alguém tivesse derrubado vinho no tapete de sua sala.

Vinte minutos antes, Sofia ainda esperava terminar o serviço sem chamar atenção.

Tinha passado a tarde na cozinha daquela casa em Angra dos Reis, ajudando a separar taças e a conferir bandejas. Júlia, a garçonete de trança apertada, mostrara onde ficavam as toalhas e avisara que o piso perto da piscina escorregava.

Sofia lembrava disso agora, quando apoiou o pé no primeiro degrau de metal.

A mão direita falhou. Precisou usar a esquerda para se puxar.

"Cuidado com o mármore", disse uma voz masculina. "Está molhando tudo."

Ela não identificou quem tinha falado. Havia uns cinquenta convidados no terraço, e vários pareciam subitamente interessados no que seguravam nas mãos.

Ao sair, Sofia sentiu o tecido frio grudar no corpo. Um dos sapatos tinha ficado na água. O outro fez um ruído úmido quando ela o tirou.

Patrícia olhou para os pés descalços e sorriu.

"Era só pedir desculpas direito."

Sofia passou a mão pelo rosto. Os dedos tremiam tanto que ela precisou fechá-los contra a palma.

Tudo começara por algumas gotas de espumante.

Patrícia pegara uma taça da bandeja enquanto conversava com as amigas. Ao virar depressa, derramara bebida nos próprios dedos e exigira que Sofia assumisse a culpa.

Sofia oferecera um guardanapo.

Depois outro.

Quando Patrícia mandara que ela se ajoelhasse para verificar uma suposta mancha na barra do vestido, Sofia respondera que poderia chamar alguém da organização, mas não faria aquilo.

Então vieram a pergunta sobre quem ela pensava que era, a palavra "garçonete" pronunciada como um insulto e as mãos contra seu peito.

Renato se aproximou sem tirar o copo da mão.

"Vamos resolver isso com calma."

Sofia apontou para Patrícia.

"Ela me empurrou."

"Eu vi o final."

"Então viu o suficiente."

Ele olhou rapidamente para os convidados.

"Não precisa transformar uma brincadeira infeliz num escândalo. Vá se trocar. Vou pedir que lhe paguem a diária inteira."

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Sofia levou alguns segundos para compreender que ele achava estar fazendo uma oferta generosa.

Uma diária inteira.

O pagamento pelo silêncio vinha acompanhado de roupa seca e da autorização para desaparecer pela cozinha.

"Você perguntou se ela se machucou?", alguém disse atrás de Renato.

Era Júlia.

Trazia uma toalha grande, branca, que provavelmente tirara do armário dos hóspedes. O supervisor do serviço apareceu na porta e fez um gesto para que voltasse, mas ela continuou andando.

"Pega", disse, abrindo a toalha diante de Sofia para protegê-la dos olhares. "Seu braço está vermelho."

"Obrigada, Júlia."

A moça envolveu os ombros dela com cuidado.

"Consegue mexer?"

Sofia tentou levantar o braço e sentiu a dor aumentar.

"Consigo. Dói um pouco."

"Tem vidro perto do seu pé. Não anda ainda."

Júlia afastou um caco com a sola do sapato. Só então Renato colocou o copo na mesa.

"Alguém pode limpar isso?", pediu.

Patrícia cruzou os braços.

"Se ela tivesse educação, nada disso teria acontecido."

Sofia se lembrou do pai chegando em casa com a frente do uniforme manchada de vinho. Ela tinha doze anos e perguntara por que ele não respondera ao cliente.

Porque precisava voltar no dia seguinte.

A lembrança veio inteira, com a luz amarela da cozinha e a mãe esfregando a roupa no tanque, mas Sofia a interrompeu antes que os olhos ardessem mais.

Não queria chorar diante de Patrícia. Queria sair dali sem deixar Júlia sozinha com aquelas pessoas.

"Meu telefone", disse, procurando o bolso interno da saia.

O aparelho estava numa capa de proteção fechada, a mesma que usava nas visitas de barco aos hotéis da região. A tela acendeu sob a película molhada.

Renato deu um passo na direção dela.

"Eu prefiro que você não ligue para a imprensa."

Sofia ergueu os olhos.

"Não estou ligando para a imprensa."

Encontrou o contato de Beatriz. A advogada atendeu no segundo toque.

"Sofia? A reunião foi antecipada?"

"Peça ao pessoal para entrar agora. Eu estou no terraço da piscina."

Houve uma pausa curta.

"O que aconteceu?"

"Uma convidada me empurrou na água. Estou de pé, mas quero ir embora."

"Estamos indo. Não fique sozinha."

Sofia encerrou a chamada.

Patrícia soltou uma risada sem muita vontade.

"Chamou seu namorado para me assustar?"

Sofia não respondeu. Pediu a Júlia que avisasse a cozinha sobre os cacos, para ninguém passar descalço por ali depois.

O supervisor reapareceu, impaciente.

"Júlia, o serviço não acabou."

"Ela está sem sapato", Júlia respondeu. "Eu vou buscar um chinelo."

Dessa vez, não esperou autorização.

Pouco depois, um rádio chiou na cintura do segurança junto à porta. O homem escutou, olhou para Renato e se afastou para atender.

Da entrada lateral do terraço, Sofia conseguia ver parte da alameda. Os faróis surgiram entre as árvores. Um SUV preto, depois outro, até que seis veículos atravessaram o portão e pararam diante da casa.

A música continuou tocando, inadequadamente alegre.

Renato olhou para a entrada com a irritação de quem esperava uma entrega fora de hora. Então viu Beatriz Nogueira sair do primeiro carro.

Seu rosto mudou.

Ele deixou Patrícia falando sozinha e caminhou depressa até a escada.

"Doutora Beatriz?", chamou. "Eu não sabia que vocês já estavam aqui."

A advogada passou por ele sem estender a mão.

"Onde está Sofia?"

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