"Meu Filho Encontrou Seu Gêmeo no Aeroporto — e Eu Descobri Que Tinham Roubado Meu Bebê" Capítulo 9

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AS FOTOGRAFIAS QUE AINDA NÃO EXISTIAM

No primeiro aniversário que passaram juntos, Camila quase estragou o bolo.

Encomendara dois, depois cancelara um, depois ligara para perguntar se podia colocar dois nomes sem dividir a decoração ao meio. Passou uma noite escolhendo velas, como se a cor certa pudesse impedir que algum dos meninos se sentisse menor.

Renata apareceu na cozinha enquanto ela examinava uma terceira opção de enfeite.

"Perguntou para eles?"

Camila levou as mãos ao rosto.

Não tinha perguntado.

Theo queria chocolate. Noah também. Concordaram sobre o recheio em menos de um minuto e começaram a discutir porque os dois queriam escrever o próprio nome na cobertura.

Camila comprou dois tubos de glacê.

No dia da festa, os nomes ficaram tortos. O de Theo ocupou espaço demais e Noah acrescentou uma estrela entre os dois. Um colega perguntou se eles sempre tinham estudado em escolas diferentes.

Noah olhou para Camila antes de responder.

"A gente morava em casas diferentes. Agora mora junto."

Ela se manteve perto, sem completar a história.

Mais tarde, quando todos foram embora, encontrou uma fatia de bolo guardada num pote.

"É para o Marcos", explicou Noah.

Camila assentiu. A visita seria no fim de semana, acompanhada como as anteriores. Ele recebera alta e estava com um familiar, enquanto respondia pelos próprios atos e seguia os encaminhamentos do caso.

Ela providenciou uma bolsa para transportar o pote.

Foi até o quarto depois e fechou a porta para chorar.

Não sentia ciúme da fatia de bolo. Sentia ciúme dos aniversários que Marcos vira, mesmo dos que não tinham bolo algum. Odiava aquela conta dentro de si: quem ouvira a primeira palavra, quem vira o primeiro passo, quem sabia qual história fazia Noah dormir aos cinco anos.

Na semana seguinte, procurou uma fotografia de Theo pequeno para uma atividade da escola. Abriu os álbuns sobre a mesa da sala.

Theo com quatro meses, segurando o próprio pé. Theo na primeira bicicleta. Theo dormindo sobre André num domingo em que ela também aparecia, refletida no vidro da janela.

Camila passou o dedo pela fotografia.

Havia espaço no sofá.

Não havia um segundo bebê.

Só percebeu que chorava quando uma gota caiu no plástico.

Noah parou junto à mesa, carregando um lápis.

"Você está triste com meu pai?"

Ela hesitou. O menino já começara a chamar André assim em algumas conversas. Cada vez, a palavra encontrava um lugar diferente dentro dela.

"Hoje eu estou triste com o tempo."

Noah olhou as páginas.

Camila enxugou o rosto.

"Tenho tantas fotos do Theo pequeno. Queria ter algumas suas também."

Ele apoiou o lápis sobre a mesa.

"O Marcos tinha uma de quando eu estava sem os dois dentes. Eu estava comendo melancia."

"Você lembra onde?"

"Acho que numa caixa azul. Posso perguntar."

Camila assentiu.

Noah se sentou na cadeira ao lado.

"Mas a gente pode tirar outras."

Ela o olhou.

"Não iguais a essas", acrescentou ele, indicando o bebê. "De agora."

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Camila fechou o álbum com cuidado.

"Podemos."

Naquela tarde, fotografou os dois tentando montar uma estante com Renata. Uma peça estava ao contrário, Theo segurava as instruções de cabeça para baixo e Noah ria de alguma coisa que a tia dissera.

A foto saiu um pouco borrada.

Camila a imprimiu mesmo assim.

O caso da maternidade avançava por caminhos mais lentos. Os registros de Álvaro foram comparados a outros arquivos; os documentos de Vera e o material guardado por Marcos ajudaram a localizar pessoas e esclarecer transferências. Camila prestou depoimento mais de uma vez.

Houve dias em que voltou para casa furiosa. Houve outros em que um detalhe confirmado lhe deu alívio. Beatriz a avisava antes de encaminhar notícias difíceis, para que não abrisse mensagens no meio do jantar.

A antiga direção não podia mais dizer que se tratava da lembrança confusa de uma mulher.

Ainda assim, Camila começou a perceber que acompanhar cada movimento da investigação não era o mesmo que estar perto dos filhos.

Passou a deixar o telefone fora da mesa.

Foi numa dessas semanas que recebeu uma carta de André, preservada entre os pertences que Marcos entregara. Beatriz explicou a origem, enviou uma cópia e perguntou quando ela gostaria de buscar o original.

Não havia outra revelação sobre os responsáveis. A carta começava com duas palavras: Meus meninos.

Camila a leu sozinha primeiro.

Depois perguntou aos filhos se queriam ouvir.

Sentaram no sofá, sem cerimônia. Theo levou uma almofada para o colo. Noah ficou na ponta, com um pé tocando o tapete.

André escrevera que não sabia se conseguiria reparar o que fizera. Admitia que o silêncio fora uma escolha sua e que Camila não deveria carregar a culpa por ela.

Quando chegou ao trecho seguinte, a voz dela falhou.

"Ao meu outro menino: eu segurei você antes de levar você ao Marcos. Você agarrou meu dedo. Eu fiquei parado muito tempo porque não queria acordar você. Se um dia disserem que ninguém esperou por você, não acredite. Sua mãe não sabia. Eu não contei. Essa culpa é minha."

Noah olhou para as próprias mãos.

"Ele me pegou no colo?"

"Pegou."

"Eu era pequeno?"

Camila baixou a carta para respirar.

"Era um bebê. Pequeno o bastante para segurar um dedo com a mão inteira."

Theo estendeu o indicador. Noah o encarou, desconfiado, e depois segurou o dedo com a própria mão.

"Não cabia assim", murmurou.

"Sua mão cresceu, né", respondeu Theo, com os olhos molhados.

Noah soltou o dedo e se aproximou alguns centímetros de Camila.

Ela continuou a leitura só quando conseguiu.

Não pediu que os filhos perdoassem André. Não transformou a carta numa despedida perfeita.

Naquela noite, bastou que Noah pudesse imaginar o próprio começo de outro jeito: havia sido um bebê segurado no colo, com uma mão pequena fechada em torno de alguém.

Antes de dormir, ele deixou sobre a mesa o caderno de capa verde.

Na primeira página estava colada a fotografia da estante torta.

"Você tem cola?", perguntou. "Essa ponta está levantando."

Camila abriu a gaveta e foi ajudá-lo.

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