"Meu Filho Encontrou Seu Gêmeo no Aeroporto — e Eu Descobri Que Tinham Roubado Meu Bebê" Capítulo 7
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NÃO QUERO SER O QUE CHEGOU DEPOIS
Na quinta-feira, Camila ouviu a primeira discussão dos meninos.
Estava numa reunião pelo computador quando uma gaveta bateu. Depois veio a voz de Theo, alta o bastante para atravessar a porta da sala.
"Eu só estou tentando te ajudar!"
Camila pediu alguns minutos ao cliente e fechou a câmera.
Encontrou um monte de camisetas sobre a cama de Noah. Theo segurava uma azul, com um desenho de dinossauro desbotado. O irmão estava no canto, de braços cruzados.
"O que aconteceu?"
"Eu trouxe umas roupas minhas. Ele não gostou de nenhuma."
"Eu falei que não queria."
"Mas você não tem!"
O silêncio que se seguiu deixou Theo vermelho antes que Camila falasse.
Noah pegou as camisetas e as empurrou contra o peito dele.
"Então fica com elas. Eu não quero tudo que você não quer mais."
Theo deixou uma cair.
"Eu uso essa! Eu estava te dando porque gosto dela!"
Camila recolheu a peça e a colocou sobre a cama.
"Theo, deixa a gente conversar um pouco. Depois eu vou ao seu quarto."
Ele olhou para ela, ferido.
"Você sempre fica aqui."
Saiu antes que Camila pudesse responder.
Ela quis chamá-lo de volta. Noah estava tremendo ao lado da janela.
"Eu não pedi as coisas dele."
"Eu sei. Ele entendeu que compartilhar seria uma forma de receber você."
"Tudo aqui era dele primeiro. O prato, os brinquedos. Até você."
Camila puxou a cadeira da mesa, mas não se sentou ainda.
"Posso?"
Noah encolheu os ombros.
"Eu não era do Theo antes. Sou mãe dele. E estou tentando aprender a ser sua mãe também."
O menino olhou para o chão.
"Eu não quero ele falando que eu não tenho as coisas. Eu sei que não tenho."
Ela deixou a frase chegar inteira, sem recobri-la com uma promessa de compras.
"Vou conversar com ele sobre isso. E vou pedir desculpa por uma coisa minha: eu devia ter perguntado quais roupas você queria escolher, em vez de deixar parecer que bastava trazer as dele."
Noah afastou uma camiseta com a ponta do pé.
"Eu gosto de verde."
Camila assentiu.
"Vamos lembrar disso."
No quarto ao lado, encontrou Theo debaixo da coberta, embora fizesse calor.
Sentou na ponta da cama.
"Você disse que eu sempre fico com ele."
O filho não respondeu.
"Quero entender."
Theo puxou o tecido até o queixo.
"Você senta no quarto dele de noite. Você fala baixinho com ele. Quando eu te chamo, você pede para esperar."
Camila abriu a boca para explicar as noites difíceis de Noah. Parou antes de transformar a queixa do filho em mais uma conversa sobre o irmão.
"Eu pedi para você esperar muitas vezes."
Ele assentiu, ainda sem olhá-la.
"Eu queria mostrar o trabalho de ciências. Você nem viu."
A lembrança veio inteira: a cartolina, o pedido de dez minutos, uma ligação de Beatriz e o trabalho desaparecendo da mesa quando finalmente encerrara a chamada.
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"Você tem razão. Eu esqueci. Sinto muito."
Theo apertou a borda da fronha.
"Eu queria um irmão. Não queria que você ficasse triste o tempo todo."
Camila se deitou ao lado dele por cima da colcha.
"Eu também não queria. Estou feliz que ele esteja aqui e triste pelo que aconteceu. Às vezes as duas coisas vêm juntas. Mas você não tem de fazer tudo dar certo para mim."
Theo virou o rosto.
"Ele nunca gosta de nada."
"Ele gostou da placa na porta. Você fez uma coisa muito bonita."
"Então por que é tão difícil?"
"Porque a gente ainda está aprendendo. E você pode achar difícil sem deixar de gostar dele."
O filho encostou a testa no ombro dela.
Camila ficou ali até ele pedir para mostrar a cartolina.
Naquela tarde, foram os três comprar roupas. Camila avisou antes de sair que cada um escolheria duas camisetas. Theo procurou uma com um planeta; Noah passou os dedos por uma verde lisa.
"Essa não tem desenho", comentou Theo.
"Eu vi."
Theo quase respondeu. Olhou para Camila e fechou a boca.
Ela fingiu examinar uma etiqueta.
Mais tarde, ao organizar as sacolas, encontrou a camiseta de dinossauro no chão do corredor. Ia devolvê-la quando Noah apareceu.
"Ele gosta mesmo dessa?"
"Gosta."
O menino pegou a peça e foi até a porta do irmão.
Camila permaneceu perto do armário, dobrando uma toalha que já estava dobrada.
"Eu não quero suas coisas todas", disse Noah. "Mas essa você pode me emprestar. Se ainda quiser."
Theo demorou um pouco.
"Posso. Só não usa para dormir porque o desenho gruda."
"Então para que serve?"
"Para usar de dia, ué."
Camila ouviu uma gaveta abrir.
Quando os dois saíram para jantar, Noah vestia a camiseta verde nova. A de dinossauro estava dobrada sobre sua cama.
Pela primeira vez, não parecia uma roupa que sobrara.
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