"Meu Filho Encontrou Seu Gêmeo no Aeroporto — e Eu Descobri Que Tinham Roubado Meu Bebê" Capítulo 6

PUBLICIDADE

UMA NOITE, POR ENQUANTO

Camila quis comprar tudo antes que Noah entrasse no apartamento.

Toalha, pijama, tênis, um jogo de lençóis sem cheiro forte. Fez uma lista tão grande que Renata a tomou de sua mão.

"Você vai receber um menino, não abrir uma loja."

"Ele não tem quase nada."

"Então deixa ele escolher algumas coisas."

Camila aceitou o conselho contrariada. Comprar era uma tarefa que sabia concluir. Esperar que uma criança confiasse nela não tinha prazo nem recibo.

Beatriz a ajudou com os encaminhamentos, a coleta para confirmação do parentesco e a regularização dos cuidados. Nos dias seguintes, Camila compareceu às conversas necessárias, forneceu documentos e ouviu orientações. Queria Noah seguro, sem transformar a chegada dele em mais um segredo entre adultos.

Quando puderam ir para seu apartamento, o menino levou a mochila no colo durante todo o trajeto.

Theo os esperava na porta, com um papel dobrado na mão.

"Eu fiz uma placa para o quarto. Mas, se você achar ruim, eu tiro."

Noah olhou por cima do ombro de Camila.

Na porta do antigo escritório estava escrito NOAH, em canetinha verde.

Ele tocou uma das letras.

"Pode deixar."

Theo abriu um sorriso tão rápido que Camila sentiu um aperto no peito.

O quarto tinha cama, cômoda e uma mesa pequena. Ela deixara as prateleiras quase vazias. Noah passou os olhos por tudo e colocou a mochila no chão, entre os próprios pés.

"É só meu?"

"É."

"Você não trabalha aqui?"

"Vou trabalhar na sala."

Ele franziu a testa.

"Eu posso ficar em outro canto."

Camila se apoiou no batente.

"Eu escolhi arrumar este quarto para você. Não precisa me devolver o espaço."

Ele não respondeu. Deixou a mochila perto da cama e voltou imediatamente para buscá-la quando foram à cozinha.

No jantar, Theo falou da escola até perceber que comia sozinho. Noah segurava o garfo, esperando.

"Você não gosta de frango?", perguntou Camila.

"Gosto."

"Quer outra coisa?"

"Vocês já começaram?"

Ela pousou o copo devagar.

"Pode comer, Noah. Não precisa esperar minha autorização."

Ele deu uma garfada pequena. Depois outra. Quando a travessa ficou mais perto de Theo, olhou para o frango que restava e baixou a cabeça.

Camila ia oferecer, mas o filho se adiantou.

"Eu já peguei dois. Você pode pegar mais um."

Noah aceitou. Escondeu um pedaço de pão no bolso quando achou que ninguém via.

Camila deixou uma cesta coberta sobre a bancada antes de dormir.

Mostrou onde ficavam os copos, acendeu a luz do banheiro e perguntou se ele preferia a porta aberta ou fechada.

"Aberta um pouco."

"Assim?"

Ele indicou uma abertura menor.

Ela ajustou.

Às três da manhã, encontrou Noah no corredor, já calçado, com a mochila junto ao peito.

Seu coração disparou.

"Você quer ir embora?"

Ele se levantou num salto.

"Eu não peguei nada."

Camila se agachou a alguns passos dele.

"Eu não perguntei isso. Acordei e vi você aqui. Fiquei preocupada."

PUBLICIDADE

Noah afrouxou os dedos na alça.

"Não consegui dormir."

Ela se sentou no chão. O piso estava frio através do pijama.

"Posso ficar um pouco?"

Ele assentiu e tornou a sentar.

"Tem muito silêncio", explicou. "Parece que todo mundo saiu."

Camila ouviu o motor distante de um ônibus na avenida. Nunca pensara no apartamento como silencioso. Nos últimos cinco anos, reclamara da televisão alta, das chamadas de trabalho, da máquina de lavar tarde da noite.

"Eu estou no quarto do fim do corredor. Theo está nesse aqui. Você pode chamar."

"Mesmo de noite?"

"Mesmo de noite."

Noah passou a mão pela costura solta da mochila.

"Se eu fizer coisa errada, você vai mandar eu sair?"

Camila sentiu a resposta subir grande demais. Quis prometer que ele jamais sofreria outra vez. Escolheu algo que pudesse cumprir.

"Se você fizer alguma coisa errada, a gente vai conversar e resolver. Você não vai perder sua casa por causa disso."

"E se quebrar alguma coisa?"

"A gente vê se dá para consertar."

"E se não der?"

"Vai continuar sendo sua casa."

Ele ficou tão quieto que ela ouviu o roçar do tecido sob seus dedos.

Camila não pediu que largasse a mochila.

Depois de alguns minutos, Noah olhou para a cesta de pão, visível na cozinha.

"Você viu?"

"Vi."

Ele tirou o pedaço amassado do bolso do casaco.

"Era para amanhã."

Camila assentiu, controlando a voz.

"Podemos colocar num pote. Amanhã também vai ter café."

Ele a acompanhou até a cozinha. Escolheu um pote transparente e escreveu o próprio nome na tampa com uma etiqueta que Theo deixara na mesa.

Quando voltaram ao quarto, perguntou se ela podia permanecer na cadeira até ele pegar no sono.

Camila se acomodou com uma manta sobre os joelhos.

Pouco antes de fechar os olhos, Noah estendeu a mão para o corredor.

"A luz pode ficar acesa?"

"Pode."

Ela ficou ali depois que ele adormeceu. Não porque acreditasse ter recuperado uma noite perdida.

Porque, naquela noite, ele pedira que ela ficasse.

PUBLICIDADE

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos: