"Meu Filho Encontrou Seu Gêmeo no Aeroporto — e Eu Descobri Que Tinham Roubado Meu Bebê" Capítulo 5

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VOCÊ DISSE QUE VOLTAVA

Camila não levou Noah ao hospital naquela mesma tarde.

Primeiro confirmou com a equipe responsável pelo atendimento dele como fariam a visita. Depois pediu que Vera transmitisse um recado a Marcos: não haveria conversa escondida, pedido para guardar segredo nem promessa de levar o menino embora.

Noah ouviu a última parte da sala.

"Você acha que eu vou com ele?"

Camila colocou o telefone sobre a mesa.

"Acho que você já teve de escolher coisas demais sem ninguém explicar direito. Quero que saiba o que vai acontecer antes de entrar."

Ele se sentou no braço do sofá de Renata. Ainda não haviam passado no apartamento de Camila; os três dormiriam ali enquanto organizavam os próximos dias.

"Eu quero perguntar uma coisa para ele."

"Você pode perguntar."

"Sem você perguntar primeiro."

Ela concordou, embora já carregasse uma lista inteira de perguntas.

Na segunda-feira, encontraram Marcos numa enfermaria. Uma perna imobilizada se elevava sobre o colchão. Ele tinha a barba irregular e um curativo próximo à têmpora.

Camila parou junto à porta.

Imaginara um homem capaz de guardar nove anos dentro de um cofre. Encontrou alguém magro, com uma sacola de roupa pendurada na cadeira e a vergonha estampada no rosto.

A aparência dele não diminuiu sua raiva.

Noah avançou até a metade do quarto.

"Você disse que voltava antes de escurecer."

Marcos levou a mão ao lençol.

"Eu sofri um acidente no serviço. Fiquei sem conseguir falar por vários dias."

"Você disse que voltava."

"Eu sei. Você ficou sozinho."

"Bateram na porta cobrando o quarto. Eu achei que você vinha no outro dia."

O menino apertou a alça da mochila. Camila se obrigou a não responder por nenhum dos dois.

Marcos explicou que saíra para uma diária num depósito. Depois da queda, fora levado sem o telefone. Quando conseguiu dar informações, acreditara que o vizinho com quem deixara dinheiro continuava perto de Noah. Não confirmara. O vizinho também saíra do imóvel.

"Eu devia ter deixado um adulto responsável por você. Um jeito de pedir ajuda. Não deixei."

Noah chutou de leve o pé da cama.

"Eu tentei ligar naquele número da geladeira. Só dava uma mensagem."

"Era do trabalho antigo."

"Então por que você falou para ligar?"

Marcos não tinha uma resposta que coubesse numa desculpa.

Quando Noah se calou, Camila aproximou a cadeira.

"André entregou meu filho ao senhor por alguns dias. Por que não o devolveu?"

Marcos olhou para o menino antes de responder.

"Um homem foi atrás de mim. Queria saber onde eu estava com o bebê. Peguei minhas coisas e saí. Troquei de cidade. No começo, achei que estava fazendo o certo."

"E depois?"

Ele esfregou o polegar no curativo da mão.

"Depois eu me acostumei a ter ele comigo. Quanto mais tempo passava, mais eu tinha medo do que aconteceria se aparecesse. Perder ele. Ser preso."

Camila sentiu as unhas entrando na palma.

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"Eu estava a uma ligação de distância."

"Eu sei. André me encontrou quando o menino tinha quatro anos. Mandou aquela segunda gravação para eu guardar e disse que voltaria. Quando morreu, eu tive mais medo. Usei isso para continuar fugindo."

"Durante cinco anos."

Marcos assentiu.

Noah puxou a corrente para fora da camiseta.

"Você falou que tinha me encontrado."

"Eu menti."

"E isso aqui?"

A placa balançou entre eles.

Marcos contou que guardara uma etiqueta da transferência junto aos primeiros papéis. Quando Noah começara a perguntar de onde vinha, mandara gravar aquelas palavras numa pequena peça de metal.

"Achei que você precisava ter alguma coisa sua."

"Eu precisava de um nome."

Camila baixou os olhos. Não conseguiria olhar para Marcos sem gritar.

"Você tem razão", disse ele.

Não houve abraço no fim da visita. Noah deixou sobre a cadeira o desenho que fizera no carro e saiu primeiro. Camila ficou alguns segundos a mais.

"Ele gosta do senhor. Eu vi. Isso não transforma o que fez em proteção."

Marcos começou a chorar.

Ela não ficou para consolá-lo.

No corredor, Noah encostara a testa numa parede fria. Camila se aproximou sem tocar.

"Ele falou a verdade?"

"Vamos conferir o que pode ser conferido. Algumas coisas ele vai ter de explicar às pessoas que estão cuidando do caso."

"Eu não queria que ele estivesse morto."

"Eu sei."

"Você ficou brava porque eu perguntei dele?"

Camila sentou no banco ao lado.

"Fiquei brava com o que ele fez. Você sentir falta dele não me machuca do mesmo jeito."

Noah a encarou, desconfiado.

Ela preferiu corrigir a própria frase.

"Às vezes vai ser difícil para mim. Mas essa parte eu resolvo com adultos. Você não precisa esconder o que sente para me deixar contente."

Ele esfregou o nariz na manga.

"Ele fazia sopa quando eu ficava doente."

"Você pode me contar."

"Mas tinha dia que gritava por qualquer coisa. Eu ouvia a chave e já sabia."

Camila sentiu vontade de fechar os olhos. Não fechou.

"Você não devia ter precisado adivinhar como ele ia chegar."

Ficaram sentados até o corredor esvaziar um pouco. Quando ela se levantou, Noah segurou a ponta de sua bolsa.

"Na sua casa tem um lugar para minha mochila?"

Camila demorou um segundo para responder sem chorar.

"Tem. Podemos escolher juntos."

"Eu posso ir só para ver?"

"Pode."

Ele soltou a bolsa, mas permaneceu ao lado dela até o elevador.

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