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"O Velho de Jaqueta de Couro" Capítulo 4

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A PRIMEIRA AULA

Às sete, Antônio colocou Diego diante de Mateus e pediu que mostrasse a posição dos pés.

Diego fez uma demonstração rápida, girou o quadril e terminou com dois golpes no ar.

"Agora ele", Antônio disse.

Mateus tentou acompanhar. Cruzou as pernas na saída e precisou dar um salto para recuperar o equilíbrio.

"Não é assim. Olha de novo."

Diego repetiu mais depressa.

Antônio tocou seu braço.

"Ele não precisa ver o que você consegue fazer. Precisa entender o que vai fazer com os próprios pés."

Diego soltou o ar pelo nariz, mas afastou as pernas devagar.

"Esse pé fica na frente. Isso. Não, um pouco menos aberto."

Mateus olhou para baixo. Antônio se agachou com algum esforço e colocou duas tiras curtas de fita no chão.

"Apoia aqui. Agora, para avançar, qual pé você acha que precisa sair primeiro?"

"O da frente?"

"Experimenta."

O garoto deu o passo. Diego esperou, visivelmente contrariado por assistir a uma coisa tão simples.

A academia ainda estava quase vazia. Geraldo organizava as fichas perto da entrada. Uma mulher pulava corda no fundo, e o ruído ritmado acompanhava o exercício.

Antônio sentira dor na perna ao levantar da cama. Lúcia perguntara se ele tinha caído de uma escada sem avisar. Depois de ouvi-lo contar a noite anterior, colocara uma bolsa de água morna ao seu lado.

"Vai amanhã", dissera. "Mas leva a idade que você tem. A outra ficou na foto."

Ele levara.

Sentou-se num banco para acompanhar os movimentos.

Diego corrigiu a mão de Mateus sem avisar. O garoto se encolheu.

"Não precisa ter medo. Não vou te bater."

A frase produziu o efeito contrário. Antônio viu os ombros de Mateus subirem.

"Pergunta antes de mexer nele."

"É só para colocar no lugar."

"Eu vi. Ele não sabia o que você ia fazer."

Diego baixou as mãos.

"Posso ajustar seu cotovelo?"

Mateus assentiu.

A diferença foi pequena, mas real. Na tentativa seguinte, o garoto não recuou.

Durante vinte minutos, trabalharam o mesmo avanço. Diego olhou duas vezes para o relógio. Na terceira, Antônio pediu que ele segurasse uma manopla na altura adequada.

"Um jab. Só um. Depois volta para a posição."

Mateus acertou fraco, como se estivesse pedindo desculpas ao equipamento.

Diego avançou a manopla ao encontro do golpe.

"Mais forte."

"Deixa o alvo parado", Antônio pediu.

Na próxima tentativa, a manopla voltou a ir para a frente.

Mateus perdeu o apoio.

Diego o segurou pelo ombro antes da queda.

"Você está mole demais."

Antônio se levantou.

"Quem mudou a distância?"

"Eu só tentei incentivar."

"Quem mudou?"

Diego ficou olhando para ele.

"Eu."

"Então começa corrigindo isso."

O rapaz tirou a manopla e a deixou sobre o banco com força desnecessária.

"Se quer me dar uma bronca por ontem, pode dar. Eu aguento. Mas não precisa me fazer passar uma hora ensinando alguém a andar."

Mateus deu um passo para trás.

Antônio sentiu a irritação chegar quente e imediata.

Quis dizer que Diego não aguentava coisa nenhuma. Que um homem de vinte e oito anos devia saber receber uma correção. A frase ficou pronta, afiada, quase agradável.

Ele respirou antes de usá-la.

"Você acha que eu acordei cedo para me vingar de uma piada?"

Diego não respondeu.

"Eu aceitei te ensinar. Você aceitou vir. Se esse exercício está abaixo de você, me mostra fazendo direito."

Apontou para Mateus.

"Ele vai dar dez jabs e voltar equilibrado. Seu trabalho é manter o alvo e observar. Sem pressa."

"E se ele errar?"

"Você tenta descobrir por quê."

Diego recolocou a manopla.

As três primeiras tentativas saíram tortas. Na quarta, Mateus deixou o braço esticado. Na quinta, avançou sem trazer o pé de trás.

Na sexta, Diego abriu a boca, fechou e esperou.

"Você ficou com o peso lá na frente", disse, enfim. "Tenta um passo menor."

O sétimo jab encontrou o alvo. Mateus recolheu a mão e permaneceu firme.

Diego ergueu a manopla outra vez.

"Isso. Faz igual."

Antônio ficou quieto.

No fim da aula, Mateus tinha acertado quatro repetições consecutivas. Parecia pouca coisa até o garoto sorrir para a própria mão.

"Ontem eu achei que não ia conseguir acompanhar ninguém."

Diego tirou o equipamento mais devagar.

"Você estava tentando fazer tudo junto."

"E com medo de atrapalhar."

A confissão permaneceu entre eles.

Mateus foi beber água. Antônio começou a retirar as fitas do chão.

"Ele estava com medo de mim?", Diego perguntou.

"Você viu o que aconteceu."

"Eu não ia machucar ele."

Antônio amassou uma das fitas na palma.

"Agora precisa dar a ele motivos para perceber isso."

Diego pegou a segunda tira antes que Antônio precisasse se abaixar.

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