"Levei Três Tiros pelo Filho do Chefe da Máfia." Capítulo 2
PUBLICIDADE
ELE ESPEROU VOCÊ ACORDAR
Clara voltou ao mundo ouvindo o irmão discutir.
"Ela não gosta de dormir com a porta aberta."
"Eu preciso enxergar o corredor."
"Então fica do lado de fora."
A voz de Caio tremia na última palavra. Clara quis pedir que ele fosse educado, mas abrir os olhos exigiu mais esforço do que esperava.
O quarto tinha luz baixa. Uma bomba apitava perto da cama. Sua boca estava seca, e havia um peso dolorido no ombro esquerdo, outro mais profundo no lado do corpo.
"Caio?"
A cadeira arrastou no chão.
Ele apareceu diante dela com o mesmo moletom da noite anterior. Ou talvez não fosse mais a noite anterior. Clara não sabia quanto tempo perdera.
"Você é muito idiota", ele disse.
O alívio em seu rosto desmanchou a ofensa.
Clara tentou sorrir.
"Você comeu o bolo?"
Caio soltou uma risada quebrada e levou a mão à boca. Depois se curvou sobre ela com tanto cuidado que aquilo a assustou mais do que qualquer palavra.
"Eu achei que você não fosse acordar."
Ela sentiu os dedos dele na borda do lençol. Quis abraçá-lo, mas o braço não obedeceu. Caio percebeu e aproximou a própria testa da dela.
Ficaram assim até a enfermeira entrar.
Clara soube aos poucos que passara por uma cirurgia, que as três feridas exigiriam acompanhamento, que não devia tentar levantar sozinha. A médica falou com tranquilidade, sem prometer uma recuperação fácil.
Ela ouviu tudo e perguntou quando poderia trabalhar.
A médica puxou uma cadeira.
"Hoje você precisa conseguir beber água sem passar mal. Vamos começar por isso."
Só depois que a equipe saiu Clara percebeu o homem junto à janela.
Lorenzo Bellini ainda vestia a calça do terno. Trocara a camisa, mas tinha uma marca escura no punho, como se nem toda a noite tivesse saído de sua pele.
"Seu filho?" ela perguntou.
"Está com a governanta. Não se machucou."
Clara deixou a cabeça afundar no travesseiro.
"Ainda bem."
Caio olhou de um para o outro.
"Você podia ter morrido por um menino que nem conhecia."
Ela reconheceu o que havia por trás da acusação. Desde que perderam os pais, Caio tinha aprendido a transformar medo em mau humor.
"Eu vi a arma apontada para ele. Não deu tempo de pensar em outra coisa."
O irmão se sentou. Parecia menor dentro do moletom.
Enzo se aproximou da cama, mas manteve distância suficiente para não obrigá-la a erguer a cabeça.
"As despesas estão resolvidas."
A frase provocou um aperto imediato no estômago dela.
"Eu não tenho como devolver isso agora."
Ele ficou imóvel por um segundo.
"Eu não estou emprestando dinheiro."
"Mesmo assim, eu preciso entender..."
"Você protegeu meu filho com o próprio corpo. Não vai receber uma cobrança por continuar viva."
Clara desviou o olhar. O tom dele não fora gentil. Talvez por isso a resposta a atingisse tão fundo.
Caio se levantou para buscar café. Ela percebeu que era uma desculpa quando ele esfregou o rosto antes de sair.
PUBLICIDADE
Sozinha com Enzo, sentiu o silêncio do quarto mudar.
"Ele tomou a medicação?" perguntou.
"Seu irmão conversou com a equipe. As coisas dele foram trazidas de casa."
"Quem entrou no meu apartamento?"
Enzo aceitou a desconfiança sem demonstrar irritação.
"Uma vizinha que ele indicou acompanhou meu motorista. Caio ficou com as chaves."
Clara relaxou um pouco. O homem reparou.
"Eu não sabia como perguntar o que você precisava. Resolvi o que consegui."
A admissão pareceu custar mais do que o dinheiro do hospital.
Ela olhou para as mãos dele. Lembrava delas pressionando seu ferimento. Da voz mandando que não fechasse os olhos.
"Obrigada por encontrar meu irmão."
Enzo se sentou na cadeira vazia.
"Léo quer ver você. Só quando estiver pronta."
Clara tocou a cobertura sobre o curativo.
"Eu estou com uma aparência muito ruim?"
Ele a observou de um jeito que a fez sentir a própria respiração.
"Você parece alguém que precisa descansar."
"Isso foi uma resposta muito cuidadosa."
A boca dele quase se moveu num sorriso.
Na tarde seguinte, Léo entrou segurando o robô pelas pernas. Enzo vinha atrás, preparado para intervir a qualquer sinal de cansaço.
O menino parou perto da porta.
"Pode chegar", Clara disse.
Ele se aproximou devagar, encarando a faixa no braço dela.
"Foi porque eu saí da mesa?"
Clara sentiu o peito apertar.
"Não, Léo."
"Meu pai falou para eu não sair."
Enzo deu um passo, mas Clara levantou os olhos para ele. O homem parou.
"Quem fez uma coisa errada foi o homem que levou a arma", ela explicou. "Você não causou isso."
O menino apertou o robô.
"Eu fiquei em cima de você."
"Eu puxei você para perto. Queria que ficasse protegido."
Léo começou a chorar sem fazer barulho. As lágrimas caíram retas por suas bochechas, e ele tentou limpá-las antes que alguém percebesse.
Clara estendeu a mão boa.
Ele a segurou com cuidado.
"Meu pai disse que você ia voltar."
Ela olhou para Enzo. Pela primeira vez, viu quanto cansaço havia atrás de sua postura impecável.
"Seu pai ficou aqui?"
"Ele não queria ir dormir."
Enzo baixou os olhos para o filho, como se aquela informação o tivesse exposto.
Léo colocou o robô na mesa de cabeceira.
"Ele pode ficar fazendo companhia. Eu busco depois."
Clara passou o polegar pela mão pequena.
"Vou cuidar bem dele."
Nos dias seguintes, aprendeu a medir o tempo pelas visitas da enfermeira, pelo desconforto das mudanças de posição e pelas mensagens de Caio da escola. Enzo aparecia sempre antes de Léo, verificava se ela podia recebê-lo e nunca mencionava o próprio trabalho.
Certa noite, Clara acordou depois de um sonho com o estampido dos tiros. Não gritou. Ficou imóvel, tentando encontrar ar.
Enzo estava na poltrona.
Ele se levantou ao ouvir a mudança em sua respiração.
"Quer que eu chame alguém?"
Clara negou, envergonhada de estar tremendo.
"Eu sabia que ele estava apontando para o menino. Continuo vendo."
Enzo não disse que já passara. Puxou a cadeira e permaneceu perto, sem tocá-la, até ela conseguir falar de novo.
Na manhã do sexto dia, Caio chegou mais cedo. Estava pálido.
Entregou o celular a Clara.
Na tela havia uma fotografia dele saindo da escola, mochila num ombro, uma coxinha na mão. A mensagem viera de um número desconhecido.
Sua irmã devia ter continuado servindo as mesas.
Clara sentiu os dedos gelarem.
Dessa vez, quando olhou para Enzo, não precisou perguntar se a noite do hotel tinha acabado.
Ele já estava olhando para a porta.
PUBLICIDADE
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 10
Quebrei o Caixão da Minha Irmã
Rafael estava prestes a se despedir da irmã quando ouviu um choro vindo de dentro do caixão. Disseram que era o desespero. Tentaram afastá-lo. Mas ele pegou um castiçal e quebrou a madeira diante de todos. Luísa estava viva. Amarrada, amordaçada e apavorada. Salvá-la deveria ter sido o fim daquele pesadelo. Até que ela implorou para não voltar ao hospital onde fora declarada morta. Agora, Rafael precisa descobrir quem tentou enterrar sua irmã viva — e por que as pessoas em quem sempre confiou querem impedir que ela conte o que sabe. Naquela família, nem todos os funerais enterraram os mortos. Alguns enterraram a verdade.Drama|Bilionário|Traição|Vingança|Moderno10.6 mil palavras5 0 -
TerminadoCapítulo 10
O Bebê do Bilionário Só Parava de Chorar Comigo
Vinte e dois dias depois de enterrar o filho, Lívia Duarte aceita trabalhar como empregada na mansão de Dante Moretti. Ela precisa pagar o aluguel — e encontrar forças para atravessar mais um dia. Não espera ouvir um bebê chorando. Viúvo, poderoso e acostumado a controlar tudo, Dante não consegue acalmar o próprio filho. O menino rejeita enfermeiras, babás e até o colo do pai. Mas, quando vê Lívia, estende os braços. Basta ela segurá-lo para o choro parar. Dante quer saber o que aquela desconhecida tem de tão especial. Lívia tenta não procurar o rosto do filho que perdeu em outra criança. Até encontrarem, escondido no berço, um pequeno pingente de prata. O mesmo que ela acreditava ter enterrado com seu bebê. Agora, entre o medo de acreditar e o perigo de descobrir a verdade, Lívia se aproxima de um homem que também conhece a dor da perda. E a única pessoa capaz de ajudá-la pode ser quem mais tem a perder com a resposta.Empregada/Babá|Bilionário|Vingança|Moderno10.0 mil palavras5 0 -
TerminadoCapítulo 11
O Chefe da Máfia Mais Temido Viu Minhas Mãos Tremendo… E Fez Uma Única Pergunta
Isabela Oliveira Martins só queria sobreviver a mais um turno em um restaurante sofisticado nos Jardins, em São Paulo. Mas, ao servir a mesa 17, suas mãos começaram a tremer diante do homem que todos no salão pareciam temer: Dante Vasconcelos Montenegro, um poderoso e misterioso chefe da máfia. Quando Dante percebe as marcas no pulso da garçonete, segura sua mão e pergunta baixinho: "Quem fez isso com você?" Isabela não consegue responder. Porque o homem de quem está fugindo é Marcelo Ferraz, seu ex-namorado controlador, alguém que parece sempre saber onde ela está. O que Isabela ainda não sabe é que seu encontro com Dante está longe de ser uma coincidência do destino. Uma investigação começa a revelar que Marcelo se aproximou dela por causa de Antônio, seu pai, morto quinze anos antes em circunstâncias nunca esclarecidas. E quanto mais Isabela procura respostas, mais descobre que os Ferraz e os Montenegro escondem um passado construído sobre dinheiro, traições e silêncio. Até Dante guarda um segredo sobre a noite em que Antônio morreu. Agora, Isabela terá que descobrir em quem pode confiar — sem permitir que outro homem decida seu destino. Porque talvez seu pai não tenha morrido apenas por descobrir um crime.Bilionário|Máfia|Moderno14.3 mil palavras5 4123 -
TerminadoCapítulo 11
O Segredo Dentro Do Ouvido De Mafia Boss
"Mamãe… tem um bichinho preto no ouvido dele." Mariana Oliveira é uma mãe solo que luta para criar o pequeno Gabriel em São Paulo. Sem ter com quem deixar o filho, ela é obrigada a levá-lo escondido para uma noite de trabalho na luxuosa Mansão Montenegro. O que deveria ser apenas mais um turno muda tudo quando Gabriel percebe algo estranho no ouvido de Dante Montenegro, o poderoso empresário que perdeu a audição após um misterioso acidente três anos antes. Com a inocência de uma criança, Gabriel retira do ouvido de Dante um minúsculo dispositivo preto. E, de repente, Dante volta a ouvir. Por trás de anos de mentiras existe um homem disposto a destruir qualquer pessoa para manter seu poder. Agora, Dante e Mariana terão que descobrir toda a verdade antes que o menino que revelou o segredo se torne a próxima vítima.Bilionário|Máfia|Moderno14.4 mil palavras5 6376 -
TerminadoCapítulo 12
A Babá Que Perdeu Tudo e Ganhou um Filho
Ana Oliveira dedicou doze anos da sua vida a cuidar dos filhos da família Montenegro. Ela limpava, cozinhava, consolava e amava como se fossem seus. Até que um dia foi acusada injustamente de roubo, humilhada na frente do país inteiro e afastada do menino que considerava seu filho. Mas Lucas, o pequeno que sempre a chamou de mamãe no coração, correu até o tribunal para provar a verdade.Empregada/Babá|Bilionário|Moderno10.7 mil palavras5 2806 -
TerminadoCapítulo 11
Minha Filha Escolheu a Empregada
Depois da morte da esposa, Daniel Monteiro acreditava que protegia sua filha sozinha. Mas sua pequena Sofia fez uma escolha inesperada: Ana, a silenciosa empregada da mansão, tornou-se seu refúgio, sua guardiã… e agora a porta para um segredo que ninguém na família deveria conhecer.Empregada/Babá|Bilionário|Moderno7.6 mil palavras5 1795 -
TerminadoCapítulo 16
Quando o Filho do Bilionário Escolheu a Empregada
Um bebê que só se acalma nos braços da humilde empregada. Uma família milionária cheia de segredos. Helena Silva precisará enfrentar a arrogância da mãe do bebê e proteger Lucas a todo custo. Entre luxo, traição e emoções à flor da pele, será que a verdade poderá salvar o herdeiro da família Albuquerque?Empregada/Babá|Bilionário|Moderno12.2 mil palavras5 461 -
TerminadoCapítulo 11
O Filho Chamou a Empregada de Mamãe
Todos acreditavam que Clara Oliveira estava morta. Dois anos atrás, seu carro despencou de um penhasco durante uma tempestade. O veículo explodiu. Nenhum corpo foi encontrado. E, aos poucos, o mundo seguiu em frente. Até mesmo seu marido. Agora, Ethan Oliveira, um dos empresários mais poderosos do Brasil, está prestes a se casar novamente com a elegante Vanessa. Mas na noite do noivado, um garotinho de apenas seis anos corre pelo salão de festas lotado e muda tudo. “Mamãe!” Diante de centenas de convidados chocados, Noah se joga nos braços de uma simples governanta. Uma mulher que todos acreditavam ser apenas uma empregada. Uma mulher que Ethan jurava ter enterrado há dois anos.Empregada/Babá|Bilionário|Moderno7.9 mil palavras5 1308