"O Bebê do Bilionário Só Parava de Chorar Comigo" Capítulo 10

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O QUE A GENTE ESCOLHEU

Dante chegou ao primeiro jantar com vinte minutos de antecedência e uma bolsa de bebê no ombro.

Lívia abriu a porta e começou a rir.

"A Célia não ia ficar com o Nico?"

"Ia. Ficou. Eu percebi que estava com a bolsa quando já tinha saído do carro."

Ela se apoiou no batente, ainda sorrindo.

Dante olhou para a própria mão, onde segurava também um pacote de lenços umedecidos.

"Eu trouxe flores. Estão no banco de trás."

Lívia riu de verdade então, com uma liberdade que parecia quase desconhecida.

Ele a observou por um segundo antes de sorrir junto.

O jantar não foi perfeito. Dante conferiu o telefone duas vezes. Lívia pediu para ver uma fotografia de Noah dormindo e se sentiu aliviada quando ele mostrou a mesma necessidade em relação a Nico.

Mas falaram de outras coisas.

Ela contou que detestava mamão, que tinha aprendido a cozinhar com a mãe e que uma vez servira café com sal para uma patroa por engano. Ele contou que não sabia nadar bem, embora houvesse uma piscina enorme na casa, e que Helena costumava ameaçar inscrevê-lo numa turma infantil.

O nome dela não estragou a noite.

Lívia percebeu isso com uma surpresa tranquila.

Ao deixá-la em casa, Dante perguntou se podia vê-la de novo no sábado.

Ela respondeu antes que ele terminasse.

Nas semanas seguintes, foram descobrindo as partes menos extraordinárias um do outro. Dante tinha o hábito irritante de atender perguntas com outra pergunta quando não queria admitir que estava preocupado. Lívia guardava sacolas demais, desconfiava de comida cara e ficava impaciente quando ele tentava resolver um problema antes de ouvi-la até o fim.

Discutiram pela primeira vez por causa de um carro.

Ele mandara um motorista buscá-la sem combinar. Ela o dispensou e pegou um táxi.

"Eu queria facilitar", Dante disse ao telefone.

"Então me pergunta do que eu preciso."

Houve uma pausa longa.

"Você tem razão. Eu não gostei de imaginar vocês dois esperando na rua."

"Eu também não gosto de muita coisa. Ainda preciso poder sair de casa."

Ele respirou do outro lado.

"Posso buscar vocês amanhã?"

Lívia olhou para Noah, que tentava arrancar uma meia.

"Amanhã pode. Às dez."

Dante chegou às dez.

Foi assim, em pequenos acertos, que a confiança encontrou espaço fora da emergência.

Lívia aceitou ajuda para regularizar os documentos do filho, mas escolheu uma profissional independente para acompanhá-la. Recebeu os valores a que tinha direito pelo emprego e, mais tarde, passou a trabalhar algumas horas por semana com encomendas de comida, num projeto pequeno que já imaginara antes da gravidez.

Dante foi seu primeiro cliente e quase virou o último quando tentou encomendar quarenta porções para uma reunião de seis pessoas.

"Não compre tudo só porque é meu", ela reclamou.

"O pessoal da segurança também almoça."

Ela olhou para ele, desconfiada.

Dante ergueu as mãos.

"Dessa vez é verdade."

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Noah começou a dar os primeiros passos segurando a ponta do sofá do apartamento. Nico aprendeu a bater palmas e fazia isso para tudo, inclusive quando derrubava a própria comida.

Os encontros passaram a incluir tapetes, mamadeiras trocadas por engano antes de perceberem os nomes escritos, noites interrompidas e duas cadeirinhas no banco de trás.

Dante nunca chamou Noah de Nico outra vez.

Lívia reparou nisso. Ele se corrigia antes de falar, quando a memória antiga ameaçava escapar, e foi aprendendo a relação nova sem exigir que a criança coubesse na anterior.

Um domingo, Noah caiu sentado e estendeu os braços para ele.

Dante o pegou, beijou a testa e continuou a conversa como se fosse a coisa mais simples do mundo.

Lívia precisou virar o rosto para a janela.

Não estava chorando por medo.

Era isso que ainda a surpreendia.

Quatro meses depois da volta de Nico, Dante a convidou para passar o fim de semana na casa. Já tinham feito isso outras vezes, mas naquela sexta-feira havia uma cômoda vazia no quarto, duas gavetas abertas e um vaso com flores pequenas sobre a mesa.

Lívia ficou parada diante delas.

"Você está arrumando espaço?"

Dante apareceu atrás, sem encostar.

"Estou perguntando se você quer."

Ela se virou.

"Morar aqui?"

"Comigo. Com os meninos. Continuar trabalhando, sair quando quiser, brigar comigo se eu voltar a tomar decisões sozinho."

Lívia cruzou os braços, tentando esconder o sorriso.

"Essa última parte vai acontecer."

"Eu imaginei."

O humor se aquietou entre os dois.

Dante passou o polegar pela borda de uma gaveta.

"Eu quero acordar com você quando a noite tiver sido boa também", disse. "Não só quando um de nós estiver com medo."

Lívia sentiu a garganta apertar.

Olhou para o quarto, para a janela aberta, para a própria bolsa sobre a cadeira. Não havia uniforme atrás da porta. Ninguém aguardava uma tarefa.

"Eu quero trazer os móveis do quarto do Noah", disse.

Dante assentiu.

"A gente encontra espaço."

"E aquela poltrona horrível que você acha pequena demais."

Ele sorriu.

"Também."

Lívia se aproximou e segurou seu rosto com as duas mãos.

"Então eu quero."

Dante a beijou como se ainda se surpreendesse com a resposta. Ela passou os braços por seu pescoço e sentiu o corpo dele relaxar contra o seu.

Mais tarde, quando as crianças dormiram, ficaram na varanda com uma manta sobre as pernas. Lívia apoiou a cabeça no ombro dele. A casa estava quieta, mas já não parecia vazia.

"Eu ainda tenho dias ruins", ela disse.

Dante beijou seus cabelos.

"Eu também."

Ela levantou a mão e observou a estrela de prata no próprio pulso, presa agora a uma pulseira curta. Não colocaria uma corrente no bebê. Queria guardar o objeto perto sem exigir dele a função de provar mais nada.

"Às vezes eu lembro daquele caixão e sinto tudo outra vez. Mesmo sabendo que ele está aqui."

Dante apoiou a mão sobre a dela.

"Você pode me contar quando acontecer."

Lívia fechou os olhos.

Pela primeira vez, aquela oferta não parecia uma promessa grande demais.

Na manhã seguinte, o choro atravessou o saguão.

Lívia parou no meio da escada.

O coração reagiu antes da razão, apertando com a memória do primeiro dia. Então ela ouviu Dante na sala.

"Eu sei, Nico. Mas você não pode comer o sapato."

O menino protestou mais alto.

Noah, sentado no tapete ao lado, começou a rir.

Lívia desceu devagar, com uma mão sobre o corrimão. Dante estava de joelhos, segurando um tênis pequeno fora do alcance do filho. Tinha banana na manga da camisa e uma expressão de derrota que a fez sorrir antes de chegar à porta.

Noah a viu.

Soltou o brinquedo e ficou em pé, apoiado no sofá. Deu um passo incerto, depois outro, abrindo os braços.

Lívia se agachou.

O menino caiu contra seu peito com uma risada, e ela o abraçou, sentindo o peso inteiro dele, quente e vivo.

Dante se aproximou com Nico no colo e sentou ao seu lado no tapete.

Nenhum dos quatro estava pronto para uma fotografia. Havia migalhas no chão, um sapato escondido sob a mesa e dois meninos querendo o mesmo brinquedo.

Lívia beijou a bochecha do filho e encostou o ombro no de Dante.

Noah se afastou um pouco para tocar seu rosto.

Ela pegou aquela mão pequena e beijou a palma.

"Bom dia, meu amor. A mamãe está aqui."

FIM

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