"O Bebê do Bilionário Só Parava de Chorar Comigo" Capítulo 9

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O QUE VOCÊ ESTÁ ME PEDINDO?

Dante permaneceu junto à porta.

"Aconteceu alguma coisa?"

Lívia colocou o macacão na bolsa antes de responder. Precisava organizar as palavras com o mesmo cuidado com que dobrava a roupa.

"O Nico voltou. O Noah está comigo. Você precisa de tempo com seu filho. Eu também."

"Você pode ter esse tempo aqui."

Ela assentiu.

"Posso. Mas ainda não sei o que significa ficar aqui."

Dante olhou para o uniforme pendurado atrás da porta. Célia o lavara e devolvera naquela manhã, sem saber se Lívia ainda o queria.

"Você acha que eu espero que volte ao trabalho?"

"Não. Você deixou isso claro."

"Então o que falta?"

A pergunta veio mais brusca do que ele pretendia. Lívia viu o arrependimento imediato, mas não respondeu para protegê-lo do desconforto.

"Falta eu entender o que é meu nesta história além do meu filho."

Dante entrou, mas não fechou a porta.

Ela continuou:

"Você me ajudou quando eu achei que ia enlouquecer. Eu fiquei quando você precisava encontrar o Nico. Nós passamos noites acordados. Eu sei o que senti. Só não quero decidir o resto da minha vida porque tenho medo de dormir sozinha amanhã."

Ele ficou em silêncio.

Lívia apertou o tecido entre os dedos. Era mais difícil dizer aquilo do que enfrentar a enfermeira. Naquela sala, podia apontar para uma mentira. Aqui, precisava mostrar um desejo antes de saber se seria correspondido.

"Se você quer que eu fique porque confia em mim com as crianças, eu entendo. Mas preciso saber se é só isso."

Dante olhou para ela de um jeito que a fez parar de respirar por um instante.

"Não é só isso."

As palavras vieram inteiras, sem a firmeza ensaiada que ele usava com os funcionários.

"Eu penso em você quando o quarto está quieto. Quero saber se comeu, se conseguiu dormir, se ainda olha para a porta esperando que alguém leve o Noah. E sinto falta da sua voz quando você está do outro lado da casa."

Lívia baixou os olhos. O peito doía de um jeito novo.

"Você também estava com medo."

"Ainda estou."

Dante se aproximou um pouco.

"Tenho medo de pedir a coisa errada. De parecer que estou confundindo gratidão com vontade. De falar da Helena e fazer você achar que precisa ocupar um lugar que era dela."

Lívia levantou o rosto.

"Eu não quero apagar ninguém."

"Eu sei. Foi por isso que consegui falar dela com você."

A resposta desfez a última distância que Lívia vinha mantendo por esforço.

Dante olhou para sua boca e voltou aos seus olhos.

"Eu quero conhecer você fora desses dias", disse. "Quero te levar para jantar sem olhar o telefone a cada minuto. Quero ouvir alguma história que não termine num hospital."

Lívia soltou uma risada pequena, quase um soluço.

"Eu tenho histórias ruins de trabalho também."

"Aceito começar por essas."

Ela chegou mais perto.

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Quando Dante tocou seu rosto, Lívia não pensou no berço nem na porta nem nos homens de segurança. Pensou na palma que lhe segurara o copo quando não conseguia beber água.

Foi ela quem encostou a boca na dele.

O primeiro beijo foi breve. Dante permaneceu imóvel por uma fração de segundo, depois pousou a outra mão em sua cintura.

Lívia segurou a camisa dele.

O segundo beijo veio com a respiração presa de ambos, mais lento, carregado de tudo o que tinham evitado nomear. Dante a trouxe para perto sem puxá-la com força, e ela sentiu o corpo inteiro reconhecer um desejo que o medo vinha mantendo em silêncio.

Quando se afastaram, Lívia apoiou a testa no peito dele.

"Eu ainda vou voltar para o apartamento."

Dante soltou o ar contra seu cabelo.

"Eu imaginava que você ia dizer isso."

"Não é uma despedida."

Ele beijou sua testa.

"Então eu vou te buscar para jantar."

Lívia fechou os olhos.

Poder sair sem perdê-lo pareceu, naquele momento, mais íntimo do que o beijo.

Nos dias seguintes, o mundo continuou exigindo respostas. A identidade de Nico foi confirmada com a documentação e os exames adequados. O médico Sérgio Valença foi afastado e passou a responder pelo que os registros, os depoimentos e as mensagens revelavam. Augusto foi detido quando tentou impedir o acesso aos arquivos da empresa de transporte.

O motivo apareceu com a mesma mesquinhez que Lívia temera: dívidas escondidas, dinheiro desviado e a intenção de usar Nico para forçar Dante a cobrir o rombo quando a fraude viesse à tona. A substituição servira para ganhar tempo. Um bebê sem família influente, disseram as mensagens, seria mais fácil de fazer desaparecer dos registros.

Lívia leu essa frase uma vez.

Depois fechou a pasta.

Dante se sentou ao seu lado, sem tentar disfarçar o horror.

"Eles acharam que ninguém ia procurar por ele", ela disse.

Ele segurou sua mão.

"Você procurou até quando não sabia onde procurar."

Ela chorou então, de raiva, pelo filho e por si mesma, por todas as vezes em que implorara para ser ouvida num corredor.

Elisa prestou depoimento completo e não recebeu a absolvição que talvez esperasse encontrar no reencontro. Lívia aceitou falar com ela uma última vez, com a advogada presente.

"Eu agradeço por ter contado", disse. "Mas eu não consigo te dizer que está tudo bem."

A enfermeira assentiu, com lágrimas nos olhos.

"Eu sei."

Também foi possível identificar a criança enterrada com o nome de Noah. A família, que recebera outra explicação falsa sobre o destino do corpo, foi localizada. A regularização da sepultura ocorreu com acompanhamento e sem transformar aquela perda em espetáculo.

Lívia deixou flores depois, num horário em que podia ficar sozinha.

Não chamou aquela criança pelo nome de seu filho.

Disse o nome verdadeiro, em voz baixa, e permaneceu ali o tempo necessário para não fugir da dor que continuava pertencendo a outra mãe.

Quando voltou ao carro, Dante esperava com Noah.

Ela abriu a porta e encostou o rosto no cabelo do menino.

Dante não perguntou como tinha sido.

Só lhe entregou a mão.

Na primeira noite no apartamento, Lívia acordou três vezes para conferir o berço.

Na quarta, pegou o telefone.

Havia uma mensagem enviada minutos antes.

"O Nico está dormindo. Eu ainda estou aprendendo. Como vocês estão?"

Lívia sorriu no escuro.

"O Noah também está dormindo. Acho que podemos aprender juntos."

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