"O Bebê do Bilionário Só Parava de Chorar Comigo" Capítulo 8

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O FILHO DELE

"Você fica com o Noah", Dante disse, já junto à porta.

Lívia assentiu. Não tentou transformar o próprio medo numa razão para segui-lo.

"Me avise assim que puder."

Ele voltou dois passos.

Por um instante, Lívia achou que ele fosse dizer alguma coisa sobre o que tinha acontecido no escritório. Em vez disso, Dante colocou a mão na lateral de seu rosto.

Os dedos estavam frios.

"Obrigado por estar aqui."

Ela cobriu a mão dele com a sua.

"Vai buscar o seu menino."

Dante se afastou antes que a voz dela falhasse.

A espera teve o tamanho de uma tarde inteira, embora o relógio avançasse pouco. Lívia deu comida a Noah, limpou a boca dele e trocou uma camiseta manchada de banana. Cada tarefa a prendia ao presente por alguns minutos.

Depois o pensamento voltava para o outro bebê.

Será que já o tinham colocado no carro? Será que ele chorava? Será que Dante saberia reconhecê-lo antes mesmo de alguém confirmar?

Célia percebeu quando Lívia começou a esfregar sem necessidade uma mancha já limpa da mesa.

"Senta um pouco, minha filha."

Lívia sentou. Noah bateu as mãos na bandeja da cadeira e exigiu mais banana.

Ela riu, depois chorou no meio do riso.

A governanta ficou ao seu lado até passar.

O telefone tocou quando o sol já se inclinava sobre o jardim.

Era Rafael.

"A criança está no local. O transporte foi impedido antes de sair. Estão concluindo a identificação e o atendimento."

Lívia apertou o aparelho.

"E o Dante?"

"Está com ele."

Ela fechou os olhos.

Não era ainda o fim de tudo, mas era um chão sob os pés.

Rafael pediu uma informação. Tinham encontrado um bebê com dieta e cuidados registrados em nome diferente; o padrão de atendimento precisava ser comparado aos dados que Dante trouxera.

Lívia lembrou-se de algo que não estava nos documentos da casa: no vídeo, o menino usava uma manta verde com uma ponta remendada. Ela a reconhecera da fotografia de Helena.

"O Dante levou uma foto com ele? Tem uma manta que era da mãe do Nico. A costura é branca num dos cantos."

Rafael agradeceu e desligou para conferir com a equipe. Não era uma prova de parentesco, mas era mais uma peça que ligava aquele menino à vida da qual tinha sido arrancado.

Quando Dante finalmente ligou por vídeo, Lívia precisou apoiar o celular num copo para que a imagem não tremesse tanto.

Ele estava sentado numa sala de atendimento, com Nico no colo.

O bebê observava seu rosto com a seriedade desconfiada de quem reencontra alguém depois de uma ausência incompreensível.

Dante não o apertava. Sustentava suas costas e esperava.

"Ele está aqui", disse.

A voz quebrou na última palavra.

Lívia levou a mão à boca.

Nico tocou a barba dele, puxou um fio de cabelo perto da orelha e começou a resmungar.

Dante soltou um riso molhado.

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"Ele sempre fazia isso."

Lívia não conseguiu responder. Só assentiu, chorando, enquanto Noah se erguia apoiado em seu joelho para tentar alcançar a tela.

O retorno aconteceu à noite.

Lívia estava no saguão quando a porta abriu, no mesmo lugar onde deixara cair os lençóis. Célia segurava Noah a seu lado.

Dante entrou devagar.

Nico tinha o rosto encostado em seu ombro e a manta verde cobrindo as pernas. O corpo do homem parecia inclinado para protegê-lo de qualquer corrente de ar, de qualquer olhar mais demorado.

Lívia não correu até eles.

Esperou que ele chegasse.

"Está bem?", perguntou.

"Os exames iniciais foram bons. Vamos continuar acompanhando."

Ele olhou para o menino, como se precisasse conferir outra vez.

"Eles cuidaram dele. A mulher que mandou o vídeo cuidou dele. Não sabia quem era até ver a fotografia. Disseram que a mãe estava doente e o pai trabalhava fora."

Lívia soltou o ar lentamente.

"E agora ele está com você."

Dante assentiu.

Havia uma mancha úmida na gola de sua camisa. Lívia não sabia se vinha da boca do bebê ou do rosto do pai.

Nico acordou quando subiram. Olhou em volta, incomodado com as luzes e as pessoas, e começou a chorar.

Dante enrijeceu.

Lívia tocou seu braço.

"Você pode ficar sentado com ele. Não precisa fazer ele parar depressa."

Ele a olhou, e ela percebeu o quanto ainda havia de terror naquele reencontro. Encontrar o filho não devolvia imediatamente a confiança perdida.

No quarto, Dante sentou na poltrona. Nico chorou contra seu peito. Ele murmurou seu nome, repetidamente, sem entregar o bebê a ninguém.

Lívia ficou perto da porta com Noah no colo.

Depois de alguns minutos, o choro virou soluço. O menino fechou os dedos no colarinho do pai.

Dante baixou a cabeça e encostou os lábios no cabelo dele.

"Eu vim buscar você", disse. "Desculpa por ter demorado."

Lívia precisou sair por um instante.

No corredor, abraçou Noah e deixou as lágrimas escorrerem sem enxugar.

A imagem de dois filhos vivos dentro daquela casa era tão grande que ainda não cabia nela inteira.

Antes de voltar para o próprio quarto, Lívia passou pela copa e encontrou Dante preparando uma mamadeira. Ele conferia duas vezes a quantidade indicada pelo pediatra, com o papel aberto junto à bancada.

"Você quer ajuda?"

Ele balançou a cabeça, depois mudou de ideia.

"Quero que veja se estou seguindo direito. Não quero que faça por mim."

Lívia ficou ao seu lado. Leu a orientação, observou as mãos dele e assentiu.

Dante soltou a respiração.

"Eu preciso aprender de novo."

"Hoje você descobriu uma coisa importante. Ele conseguiu se acalmar com você."

O homem pousou a mamadeira e levou alguns segundos para responder.

"Eu achei que esse momento não fosse acontecer mais."

Lívia encostou a mão em suas costas. Sob a camisa, sentiu a tensão ceder apenas um pouco. Já era alguma coisa. Ficaram perto até o ruído do monitor anunciar que Nico estava acordando.

Dante pegou a mamadeira e voltou para o filho. Lívia o observou desaparecer no corredor antes de seguir para Noah.

Mais tarde, quando Nico dormiu, Dante encontrou Lívia dobrando as roupas do filho sobre a cama.

Havia uma bolsa aberta ao lado.

Ele parou no limiar.

Lívia ergueu o rosto, segurando o macacão amarelo que tinha passado vinte e dois dias numa gaveta fechada.

"Eu estava pensando em voltar para o apartamento amanhã", disse.

A alegria no rosto dele se recolheu lentamente.

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