"O Bebê do Bilionário Só Parava de Chorar Comigo" Capítulo 7

PUBLICIDADE

VOCÊ NÃO ESTAVA ENLOUQUECENDO

A primeira reação de Lívia foi olhar para a porta.

Augusto já tinha entrado naquela casa. Talvez tivesse caminhado pelo mesmo corredor, aberto o mesmo quarto, visto Noah e perguntado pelo suposto sobrinho com a tranquilidade de quem conhecia a resposta.

Dante percebeu.

"O acesso dele foi suspenso ontem, junto com o de todos os parentes que não moram aqui. Rafael está cuidando disso."

Lívia abraçou os próprios braços.

"Ele sabe que você descobriu?"

"Ainda não sabemos."

Dante parecia maior quando estava com raiva, mas a impressão não a intimidou como no primeiro dia. Agora ela conseguia enxergar o homem ferido dentro daquele silêncio.

No escritório, Rafael mostrou os pagamentos à advogada que acompanhava o caso. Lívia participou com Noah no colo, enquanto Célia organizava um espaço para ele brincar na sala ao lado.

O nome de Augusto aparecia onde antes havia apenas empresas e códigos. Ele administrava contratos do grupo e tinha acesso à rotina da família. Também havia acompanhado a internação de Nico durante as horas em que Dante precisara resolver uma emergência de trabalho.

"A autorização pode ter sido usada sem ele saber?", Lívia perguntou.

A advogada não descartou de imediato.

"Por isso precisamos cruzar os registros. Assinatura sozinha não conta a história inteira. Mas as mensagens da empresa de transporte e o depoimento de Elisa convergem para ele."

Dante ficou de pé, de costas para a mesa.

"Ela viu o Augusto?"

Rafael assentiu.

"Na saída particular. Disse que ele conversou com o Valença e conferiu o veículo. Não ouviu o conteúdo."

Lívia observou Dante fechar os dedos ao lado do corpo.

A verdade chegava em partes pequenas, e cada parte parecia abrir uma ferida em lugar diferente.

A advogada explicou o que poderia ser feito sem comprometer a localização da criança. Dante fez perguntas objetivas. Depois pediu alguns minutos sozinho.

Lívia levou Noah para Célia, que aguardava do outro lado da porta, e voltou.

Dante estava junto à estante, olhando uma fotografia.

Nela, Helena segurava Nico numa manta verde. Augusto aparecia ao lado, sorrindo para a câmera.

"Ele carregou o caixão dela", Dante disse.

Lívia não se aproximou imediatamente.

"Sinto muito."

"Eu passei a noite pensando em tudo. Até no acidente."

Ele pousou a fotografia com cuidado excessivo.

"Rafael verificou o que havia nos documentos. A chuva, o outro veículo, as testemunhas. Não apareceu ligação com ele. Mesmo assim, minha cabeça não para."

Lívia assentiu devagar.

"Você descobriu uma mentira enorme. É difícil acreditar que alguma coisa ficou de pé."

Dante virou o rosto. A raiva ainda estava lá, mas por baixo havia uma exaustão que a fez chegar mais perto.

"Eu não vou usar a morte dela para inventar uma certeza", ele disse. "Preciso encontrar meu filho."

"Então fique nisso agora."

Ele olhou para as mãos dela.

Lívia tinha pequenas marcas de trabalho nos dedos e uma unha quebrada desde o dia em que tentara abrir, sozinha, a embalagem de uma roupa para o funeral. Dante tocou de leve essa unha, como se só então percebesse quanto o corpo dela também carregava.

PUBLICIDADE

"Você devia estar em casa, recuperando o tempo com o Noah."

"Eu estou recuperando. Ele dormiu ouvindo minha voz ontem. Hoje eu vou dar o almoço dele. Não precisa me devolver uma vida perfeita para eu querer estar aqui."

Dante ergueu os olhos.

Ela sentiu a proximidade de repente: o cheiro de café na camisa, a sombra de barba, a mão que continuava junto à sua.

Não se afastou.

Ele também não.

O telefone sobre a mesa vibrou antes que qualquer um dissesse mais alguma coisa.

Augusto.

Dante olhou para a tela até o terceiro toque. Depois atendeu no viva-voz, por orientação já combinada com Rafael.

"A Célia disse que o Nico não está recebendo visitas", veio a voz do primo. "Está tudo bem?"

Dante manteve a expressão imóvel.

"Ele está acompanhado."

"Você precisa sair um pouco dessa casa. Vai acabar adoecendo junto."

Lívia sentiu o maxilar apertar.

Dante olhou para ela, e aquele olhar pareceu impedir que a própria voz se partisse.

"Quero que me mande os contatos que usou na internação. Todos."

Houve uma pausa curta.

"Aconteceu alguma coisa?"

"Estou revendo o atendimento."

"Dante, você está dormindo? Porque essa obsessão com os médicos..."

"Mande os contatos, Augusto."

A ligação terminou pouco depois, sem confissão. Lívia não esperava uma. Mesmo assim, ficou tremendo ao ouvir o tom cuidadosamente paciente do homem.

Dante pousou o celular.

"Era assim", disse. "Sempre era assim."

Lívia segurou sua mão.

Ele olhou para o gesto, depois entrelaçou os dedos nos dela. A pressão foi forte no primeiro instante e se tornou mais cuidadosa logo em seguida.

Ficaram juntos sem falar.

No corredor, Noah soltou uma risada com Célia. Dante fechou os olhos.

Lívia aproximou o ombro do braço dele.

Não podia apagar o que Augusto tinha feito. Podia permanecer ali enquanto Dante deixava de ouvir a mentira com a voz do primo e começava a confiar no que tinha visto.

Pouco depois, Dante pediu para ver os vídeos antigos de Nico. Não os abriu para procurar mais um sinal perdido. Mostrou a Lívia o filho descobrindo os próprios pés, o filho espirrando depois de provar uma fruta, Helena rindo atrás da câmera.

"Eu tenho medo de esquecer como ele era antes", confessou.

Lívia sentou ao seu lado.

"Você vai conhecer o jeito dele agora também."

Dante passou o dedo pela borda do aparelho, sem cobrir a imagem.

"E se ele não quiser vir para mim?"

Ela pensou no choro de Noah naquele primeiro dia, na exaustão que ninguém conseguia explicar.

"Você espera. Fica perto. Aprende o que faz ele se sentir seguro. Ele não vai ter de cuidar da nossa saudade."

Dante assentiu devagar. Lívia percebeu quanto lhe custava admitir uma pergunta que não faria diante de Rafael.

Quando ele lhe entregou o celular, ela não encontrou a resposta perfeita. Apenas segurou o aparelho junto com ele até o vídeo terminar.

No fim da tarde, Rafael voltou antes de bater.

Trazia o telefone encostado ao ouvido e uma urgência que fez Dante soltar imediatamente a mão dela.

"A casa recebeu ordem para preparar a saída do menino. Um veículo está a caminho. A equipe no local foi avisada."

Dante pegou o paletó.

Lívia ficou em pé.

"Ele percebeu."

Ninguém precisou perguntar de quem ela falava.

PUBLICIDADE

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos: