"O Bebê do Bilionário Só Parava de Chorar Comigo" Capítulo 6

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A NOITE EM QUE NÃO FIQUEI SOZINHA

Dante assistiu ao vídeo quatro vezes antes de perguntar a data.

"Foi gravado hoje", Rafael respondeu. "A funcionária disse que ele está sendo cuidado. Não aparenta estar machucado."

"Eu quero ir agora."

"Se chegarmos lá sem saber quem recebe os avisos, podem tirar ele antes. A equipe responsável está verificando a casa. Precisamos acompanhar as saídas."

Lívia percebeu a luta no rosto de Dante. As mãos já procuravam a chave do carro; o corpo inteiro se voltava para a porta. Ainda assim, ele permaneceu no quarto.

"Quanto tempo?"

"Eu aviso assim que houver uma condição segura. Não vou inventar um prazo para o senhor."

Dante encarou o segurança. Depois assentiu, uma vez só.

Quando Rafael saiu, o silêncio pareceu maior do que o quarto.

Lívia ajeitou Noah no quadril.

"Você quer ficar sozinho?"

Dante balançou a cabeça antes que ela terminasse.

A rapidez da resposta a tocou.

Ele sentou na poltrona e apoiou os cotovelos nos joelhos. Lívia trouxe o cercado para perto e colocou Noah dentro com alguns brinquedos. O menino resmungou, mas logo se distraiu tentando colocar um cubo dentro de outro.

"Eu vi ele rir", Dante disse.

"Eu também."

"Estou aliviado porque ele ainda consegue rir longe de mim. E me sinto horrível por isso também."

Lívia sentou na beirada da cama.

"Porque parece que ele não sentiu a sua falta?"

Dante olhou para ela. Não precisou responder.

Lívia entrelaçou as mãos.

"Quando peguei o Noah no saguão, fiquei feliz. Antes de entender qualquer coisa. Depois me odiei por sentir aquilo com o filho de outra mulher nos braços."

"Você não sabia."

"Você também não sabe o que o Nico sentiu. Só sabe que ele encontrou alguma coisa engraçada por alguns segundos."

Dante passou a mão pela nuca. O movimento puxou o colarinho e revelou uma pequena tatuagem perto do ombro. Lívia desviou os olhos depressa, incomodada consigo mesma por perceber seu corpo naquele momento.

Ele não pareceu notar.

"Minha mulher se chamava Helena", disse.

Lívia esperou.

"Ela ria quando eu preparava a bolsa dele. Eu levava roupa para uma semana só para ir ao pediatra. Depois que ela morreu, comecei a esquecer coisas. Ficava olhando para o armário sem lembrar o que tinha ido buscar."

O rosto dele endureceu, mas a voz continuou baixa.

"O Augusto resolveu muita coisa. Contratou pessoal, falou com médicos. Quando eu dizia que o Nico parecia diferente depois da internação, ele perguntava se eu estava dormindo. Dizia que eu estava procurando outra perda onde não havia nenhuma."

Lívia sentiu a frase pesar entre eles.

Ainda não havia prova contra o primo. Havia, porém, uma crueldade que ela reconhecia: alguém decidir que sua dor a tornava incapaz de enxergar.

"Eu ouvi o médico dizer que o luto confundia a memória", ela contou. "E passei o enterro inteiro tentando me obrigar a reconhecer aquele rosto."

Dante levantou os olhos.

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Lívia apertou o tecido da saia.

"Eu queria ter insistido mais."

Ele atravessou o quarto e se sentou ao lado dela, deixando um espaço entre os dois.

"Eu não sei como fazer você parar de se culpar", disse. "Também não sei fazer isso comigo. Mas sei que eles precisaram mentir para nós. Não entregamos nossos filhos sabendo o que estava acontecendo."

Lívia assentiu. Uma lágrima caiu sobre sua mão.

Dante ofereceu um lenço. Ela pegou e, num gesto pequeno demais para ter sido planejado, encostou os dedos nos dele por um segundo a mais.

Noah bateu os cubos e exigiu atenção.

Os dois olharam para o cercado ao mesmo tempo.

Dante soltou uma respiração que quase foi um riso.

"Ele não está gostando da conversa."

"Ele nunca gostou de ficar fora das conversas."

Mais tarde, depois do banho e da mamadeira, Noah adormeceu no berço junto à cama. Dante se levantou para sair, mas Lívia segurou a manga dele.

Os dois olharam para a mão dela.

Ela soltou imediatamente.

"Você pode deixar a porta aberta?"

"Posso."

Ele deu um passo, hesitou e voltou o rosto.

"Você vai conseguir dormir?"

Lívia queria dizer que sim. Estava tão cansada que os olhos ardiam, mas o simples pensamento de fechar as pálpebras fazia seu coração acelerar.

"No hospital, eu fui para casa tomar banho. Disseram que ele estava estável. Quando voltei, ninguém me deixou entrar no setor."

Dante ficou imóvel.

"Eu sei que não é a mesma coisa", ela acrescentou. "Só que meu corpo não sabe."

Ele puxou a poltrona para perto do berço.

"Então eu fico aqui."

"Você está esperando notícias do seu filho."

"O celular funciona nesta cadeira."

Lívia olhou para ele por alguns segundos. Depois tirou os sapatos e deitou, ainda vestida.

Acordou menos de uma hora depois com o peito apertado.

Sentou antes de entender onde estava.

Dante ergueu a cabeça.

"Ele está aqui."

Noah dormia de barriga para cima, com a boca ligeiramente aberta.

Lívia se inclinou sobre o berço, observou o movimento do peito e encostou a mão na manta.

Dante não disse que ela precisava se acalmar. Apenas esperou.

Na segunda vez em que acordou, ele já estava em pé junto ao berço, sem tocar na criança.

"Continua aqui", murmurou.

Entre um despertar e outro, ela o encontrou com os olhos fechados e o telefone ainda na mão. O pescoço estava torto contra o encosto.

Lívia pegou uma almofada e se aproximou sem fazer barulho. Dante abriu os olhos antes que ela a colocasse atrás dele.

"Eu estava acordado", disse.

Ela ergueu uma sobrancelha.

"Claro que estava."

Ele aceitou a almofada com um sorriso cansado. Lívia ajeitou a manta sobre seus joelhos. A mão dele segurou seu pulso por um instante, sem apertar.

"Obrigado."

Ela voltou para a cama levando consigo aquela palavra simples. Até então, receber cuidado parecia sempre criar uma dívida. Naquela madrugada, cuidar dele também lhe deu alguma coisa.

Na terceira, Lívia nem chegou a se levantar. Encontrou Dante com os olhos e respirou até o coração desacelerar.

Perto das cinco, o telefone vibrou.

Dante atendeu no corredor, com a porta aberta. Lívia ouviu apenas algumas palavras antes de ele voltar.

O rosto dele estava duro de uma maneira nova.

"A casa recebe pagamentos de uma empresa da minha família. A pessoa que autorizou o transporte assinou com certificado próprio."

Lívia se sentou.

"Quem?"

Dante olhou para o filho dela, depois para o aparelho em sua mão.

"O Augusto."

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