"O Bebê do Bilionário Só Parava de Chorar Comigo" Capítulo 5

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EU NÃO VOU LEVAR VOCÊS À FORÇA

Dante preparou a saída dela antes de pedir que ficasse.

Foi isso que Lívia menos esperou.

Naquela tarde, Célia trouxe uma bolsa com roupas de bebê, fraldas e uma mamadeira nova. Rafael explicou que havia um carro disponível para levá-los a um lugar protegido, escolhido por ela com a ajuda da advogada.

O uniforme continuava no corpo de Lívia, embora ninguém tivesse falado em trabalho desde a véspera.

"Ele quer que eu vá embora?", perguntou à governanta.

Célia suspirou.

"Ele acha que você precisa poder ir."

Lívia encontrou Dante no quarto de Nico.

Ele estava diante da cômoda, segurando um macacão azul. Parecia não saber o que fazer com a peça. Quando a viu, colocou-a de volta numa gaveta vazia e fechou depressa.

"A bolsa está pronta", ela disse.

"Se faltar alguma coisa, a Célia resolve."

"Você nem perguntou para onde eu quero ir."

Dante apoiou a mão no móvel.

"Porque não quero que escolha um lugar para me tranquilizar."

Noah balbuciou em seu colo. Lívia sentiu os dedos pequenos apertarem sua blusa emprestada e olhou para o berço que já não era dele.

"O meu apartamento ainda tem as coisas dele."

Dante assentiu.

"Você pode mandar buscar o que quiser."

"Eu deixei o lençol sem lavar."

A frase veio de um lugar fundo demais. Lívia tentou continuar de um jeito prático, mas a garganta fechou.

"Tinha medo de perder o cheiro."

Dante virou o rosto para a cômoda. Lívia viu seus dedos apertarem a borda.

O quarto também estava cheio de coisas que um pai não sabia se deveria guardar.

Ela se aproximou.

"Eu quero ajudar a encontrar o Nico."

"Você já ajudou."

"Não estou dizendo isso por educação."

Ele olhou para Noah.

"Eu sei que você tem medo de ficar longe dele. Aqui foi onde colocaram seu filho depois de tirar ele de você. Não vou fingir que esta casa é segura só porque é minha."

Era a primeira vez que Lívia o ouvia admitir aquilo tão claramente.

"Então mude quem entra nela", disse. "Eu não quero fugir toda vez que sentir medo."

Dante passou os dedos pelo cabelo, exausto.

"Eu queria que você ficasse desde ontem. Antes do exame. Mas não confio inteiramente em mim para pedir."

A honestidade mexeu com ela de uma maneira inconveniente. Não era atração ainda, ou não apenas. Era a sensação de estar diante de alguém que poderia impor uma decisão e escolhia suportar a resposta.

"Eu fico por enquanto", Lívia disse. "Com o Noah no meu quarto. E quero saber o que vocês descobrirem."

Dante assentiu.

"Você vai saber."

Ela hesitou.

"E eu não vou continuar trabalhando como se nada tivesse acontecido."

"Seu salário pelo período contratado está garantido. Depois nós resolvemos o restante sem misturar as coisas."

Lívia não sabia o que significava o restante. Naquele momento, bastava que ele não chamasse sua permanência de obrigação.

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Antes de sair do quarto, Lívia parou junto à porta.

"Você pode chamar ele de Noah", disse. "Não precisa evitar o nome perto de mim."

Dante olhou para o bebê. Moveu os lábios sem som, experimentando uma mudança que ainda doía.

"Boa tarde, Noah."

O menino bateu a mão no ombro de Lívia.

Ela sorriu com os olhos molhados. Não esperava que Dante sorrisse também, e ele não tentou. Ainda assim, aquela voz dizendo o nome certo pareceu devolver ao filho um pequeno pedaço da vida que tinham roubado.

Lívia tocou o braço dele antes de seguir pelo corredor. Dessa vez, não precisou explicar o gesto.

Célia preparou uma suíte pequena na mesma ala. Lívia pediu que retirassem o excesso de almofadas e aproximassem o berço da cama. Pela primeira vez desde o funeral, abriu uma mala de bebê sem sentir que estava tocando nos pertences de um morto.

Quando a governanta trouxe as coisas do apartamento, o cheiro do lençol a fez sentar no chão.

Noah engatinhou até ela e puxou a bainha de sua saia.

Lívia abriu os braços.

"Você voltou para casa", murmurou.

Não era o apartamento. Não era a mansão.

Por enquanto, casa era o espaço entre os braços dela.

À noite, Dante bateu antes de entrar. Trazia uma caixa pequena.

"Encontrei isto no carro."

Dentro havia um mordedor amarelo. Noah estendeu a mão imediatamente.

Dante o entregou e ficou olhando.

Lívia percebeu que ele tinha vindo se despedir de uma rotina, não entregar um objeto.

"Pode sentar", disse.

Ele ocupou a poltrona perto da janela. Noah se apoiou no joelho dele e tentou alcançar o relógio.

Dante soltou a pulseira, colocou o relógio no bolso e ofereceu os dedos.

"Esse aqui você não consegue quebrar tão fácil."

Lívia sorriu pela primeira vez sem sentir culpa logo depois.

O sorriso desapareceu quando Dante olhou para a marca deixada pelo relógio no próprio pulso. Uma lembrança devia ter passado por ali. Ela não perguntou qual.

"Como o Nico era antes da internação?"

Ele demorou a responder.

"Muito barulhento. Dava risada quando eu espirrava. Ficava bravo se eu parava de balançar a colher."

"O Noah sempre quis pegar a colher. Mesmo quando ainda não sabia segurar."

Dante observou o mordedor molhado na mão do menino.

"Eu devia ter percebido."

Lívia sentiu a frase entrar no mesmo lugar onde guardava a própria culpa.

"Eu também achei isso sobre mim. Não ajudou o meu filho enquanto ele precisava de mim. Não vai ajudar o seu."

Ele ergueu o rosto. Por um segundo, pareceu que responderia com dureza. Depois respirou e assentiu.

Uma batida na porta interrompeu os dois.

Rafael aguardava com o celular na mão.

"Temos uma coisa."

O vídeo tinha poucos segundos. Fora enviado por uma funcionária de uma casa de recuperação infantil cujo nome constava na planilha de Elisa. A mulher procurara ajuda depois que Rafael apresentara a ela, por intermédio das autoridades, uma fotografia de Nico.

Na imagem, um bebê sentado num cercado batia um brinquedo contra a grade.

Dante levantou tão depressa que Noah se assustou.

Lívia o pegou antes do choro.

O vídeo continuou. Alguém fora de quadro espirrou.

O bebê jogou a cabeça para trás e riu.

Dante levou a mão à tela.

Não disse nada.

Lívia ficou ao lado dele, segurando Noah, enquanto o vídeo recomeçava.

Pela primeira vez desde o exame, ela viu esperança no rosto daquele homem.

E percebeu o quanto desejava que ele não tivesse de perdê-la.

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