"O Bebê do Bilionário Só Parava de Chorar Comigo" Capítulo 4

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O NOME DO MEU FILHO

"Para onde levaram?", Lívia perguntou.

"Para a ala de saída particular. Colocaram nele uma pulseira com o nome Nicolas Moretti. Eu achei que corrigiam um erro de identificação. Depois recebi uma ordem para registrar uma morte que não tinha presenciado."

Dante segurou o encosto de uma cadeira.

"Quem deu essa ordem?"

"O doutor Sérgio Valença. Disse que a família já tinha sido informada e que outro médico tinha constatado o óbito. Eu devia ter recusado."

Lívia não ouviu o resto imediatamente. Olhava para a criança em seus braços.

Noah tinha saído vivo. Não era uma impressão, um sonho produzido pelo luto, uma canção que qualquer bebê poderia reconhecer.

Alguém o tinha visto.

"E o menino que eu vi?", perguntou.

Elisa começou a tremer.

"Uma criança de outro atendimento. Eu não sei tudo sobre ele. Sei que usaram o corpo e os documentos para encerrar a história do Noah. Eu só entendi depois, quando vi a saída no nome do Nico."

Lívia levou a mão ao rosto.

O pequeno caixão voltou inteiro. Tinham permitido uma despedida breve, com o bebê vestido até o pescoço. O rosto estava inchado e frio; uma faixa escondia parte da cabeça. Explicaram que os procedimentos da tentativa de reanimação tinham alterado sua aparência.

Ela tinha tocado a bochecha, procurado o filho naquele rosto e sentido uma rejeição tão instantânea que passara a odiar a si mesma.

Achara que não conseguia aceitar a morte.

Agora aquela lembrança se abriu de outra maneira.

"Eu disse que parecia diferente", sussurrou. "Eu falei isso."

Dante se aproximou.

Lívia olhou para ele com uma urgência que quase não cabia numa pergunta.

"Eu falei para o médico que não parecia o meu menino. Ele disse que era o choque."

"Eu acredito em você."

Ela apertou os olhos, sentindo a vergonha dos últimos vinte e dois dias mudar de lugar. Não desaparecia. Mas já não conseguia ficar inteiramente dentro dela.

"Por que entrou no quarto e não levou ele embora?", Dante perguntou à enfermeira.

"Porque havia gente vigiando a minha casa. Porque eu não sabia para onde ir com uma criança que todos diriam que eu tinha sequestrado. Entrei para conferir se era ele. Quis deixar uma pista. Quando o alarme tocou, entrei em pânico."

"E o meu filho?"

A voz de Dante fez Lívia erguer a cabeça.

"Eu não vi a saída dele", Elisa respondeu. "Mas havia uma segunda transferência. Eu copiei parte da planilha antes de perder meu acesso. Está no arquivo que entreguei ao seu segurança."

Dante se afastou da cadeira.

"Você vai contar tudo de novo, com os nomes e os horários. Sem esconder a sua participação."

Elisa assentiu, chorando. Rafael a acompanhou para outra sala, onde uma advogada aguardava para registrar seu relato e encaminhá-lo às autoridades.

Lívia ficou parada.

"O funeral foi dois dias depois da alta dele", disse, olhando para Dante. "Ela entrou aqui na noite seguinte ao enterro."

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Ele conferiu a data da gravação no tablet e assentiu. Pela primeira vez, a sequência fazia sentido: o envelope preparado para a despedida, a corrente retirada, a mulher que aparecera junto ao túmulo e depois dentro daquele quarto. Não havia um objeto saído da terra. Havia uma pessoa que soubera a verdade e demorara a dizê-la.

O bebê encostou a mão em seu rosto. Ela tentou sorrir e o som que saiu não foi um riso.

"Eu estava aqui", disse para ele. "Eu estava aqui o tempo todo, meu amor."

Dante puxou uma cadeira antes que ela caísse.

Ela sentou e beijou a testa da criança, depois o cabelo, os dedos. Parou de repente, assustada com a própria esperança.

"Ainda falta o exame."

Dante assentiu.

"Ainda falta."

Não tentou arrancá-la daquela alegria nem a empurrou mais fundo. Sentou a uma pequena distância, enquanto ela segurava o bebê e repetia a canção inteira, dessa vez sem conseguir terminar a última nota.

A madrugada chegou com Rafael ao telefone e Célia trazendo mantas que ninguém tinha pedido. Dante não saiu da ala reservada. A notícia já tinha passado de suspeita a investigação, mas ele não permitiu que parentes fossem avisados antes de entenderem quem estava envolvido.

Lívia levou o bebê para dormir num quarto próximo ao infantil. Em algum momento, adormeceu sentada, com Dante na cadeira em frente e a criança no berço de viagem ao lado.

Acordou com o som de papel.

Havia luz de manhã entre as cortinas.

O médico estava na porta. Dante segurava um envelope aberto.

Lívia se levantou tão depressa que a cadeira bateu na parede.

"Fala."

Dante olhou para ela. Seus olhos estavam vermelhos.

O médico explicou o resultado sem rodeios.

A maternidade de Lívia estava confirmada. A paternidade biológica de Dante, em relação àquela criança, tinha sido excluída.

O envelope escorregou alguns centímetros entre os dedos dele.

Lívia olhou para o berço.

O menino estava acordado, chupando a própria mão, completamente alheio à forma como o mundo tinha acabado de mudar de nome.

Ela se ajoelhou ao lado dele.

"Noah."

Disse baixinho. Como se o nome pudesse quebrar.

O bebê virou o rosto.

Lívia o pegou e sentou no chão. Chorou com o filho junto ao peito, sem tentar ficar bonita, sem pedir desculpas pelo som. O corpo inteiro parecia devolver uma dor que não sabia mais onde guardar.

"Eu fui embora sem você", repetia. "Eu achei que precisava deixar você lá."

Dante se ajoelhou perto, mas não tocou no bebê.

"Lívia, você foi enganada."

"Ele deve ter me procurado."

A frase quase não saiu.

Dante abaixou a cabeça.

Foi quando Lívia compreendeu que sua alegria tinha uma sombra do tamanho de outro pai.

Ele tinha passado a noite ajudando-a a esperar um resultado que lhe tiraria o filho.

Lívia enxugou o rosto com a manga e olhou para a mão dele pousada no tapete.

"Você pode encostar nele."

Dante não se moveu.

Noah estendeu o braço na direção de seu relógio. Um gesto simples, impaciente, aprendido nos dias em que aquele homem o carregara pela casa.

Dante deixou que o segurasse.

A mandíbula se contraiu. Uma lágrima caiu antes que ele desviasse o rosto.

"Eu achei que estava fazendo tudo errado", disse. "Ele chorava e eu pensava que nem o meu próprio filho queria ficar comigo."

Lívia pousou a mão sobre a dele.

Não havia frase capaz de devolver Nico. Ela não procurou uma.

Esperou Dante levantar os olhos.

"Agora nós vamos encontrar o seu menino."

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