"O Bebê do Bilionário Só Parava de Chorar Comigo" Capítulo 3

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A MULHER QUE ASSINOU

O pediatra chegou antes do almoço. Dante o recebeu na porta, conferiu seu nome com Rafael e só então permitiu que entrasse.

Lívia permaneceu na poltrona enquanto o médico examinava o bebê sobre uma manta no tapete. Quase não piscava.

"Ele parece bem", o homem disse. "Vou comparar os registros, mas isso não determina identidade. Precisamos do exame adequado."

Dante assentiu.

"Providencie. Com coleta documentada e alguém independente do Santa Cecília."

Lívia manteve os olhos no bebê. Ele estava sentado entre suas pernas, batendo a mão num chocalho. Quando o médico tocou seu ombro, ela viu melhor a pequena marca sob a gola.

"Essa cicatriz", disse. "O Noah teve uma inflamação bem aí. Eu tenho uma foto do curativo."

A boca de Dante perdeu a cor.

O médico não confirmou nem negou. Pediu a fotografia, registrou o que viu e explicou que semelhanças não substituíam o resultado.

A cautela feriu Lívia e, ao mesmo tempo, a segurou. Ela precisava que alguém permanecesse inteiro enquanto sua cabeça tentava atravessar uma parede.

Depois da coleta, Dante pediu que trouxessem comida.

"Eu não consigo", ela disse.

"Tente algumas colheradas. Ele vai precisar que você tenha força."

Lívia quase respondeu que já tinha ouvido aquela frase no hospital. Mas Dante se sentou também, pegou o próprio prato e começou a comer sem apressá-la.

Acabou conseguindo engolir um pouco de arroz e caldo.

O bebê quis a colher. Ela deixou que segurasse uma vazia. Ele bateu no prato e riu, satisfeito com o barulho.

A risada a pegou desprevenida.

Lívia cobriu a boca. Os olhos se encheram antes que pudesse baixar a cabeça.

Dante afastou o prato dela para que não o derrubasse.

"Eu esqueci como era", ela disse.

Ele não perguntou o quê.

Ficou ali enquanto ela chorava silenciosamente, com a criança brincando entre eles.

No começo da tarde, Rafael voltou com duas pastas e um rosto que não oferecia boas notícias.

Dante se levantou. Lívia também, com o bebê no colo.

"Eu quero ouvir."

Rafael esperou a confirmação do patrão.

"Pode falar", Dante disse.

Os documentos tinham sido obtidos a partir dos registros que Dante já possuía e das cópias guardadas por Lívia. Não eram duas certidões iguais, nem dois bebês nascidos na mesma manhã. Eram horários de internação, etiquetas de transferência e o nome de uma empresa de transporte que aparecia nos dois prontuários.

Noah Duarte tinha nascido vinte e um dias antes de Nicolas Moretti.

Os dois tinham passado pelo mesmo setor do Santa Cecília na semana da morte anunciada de Noah.

Uma transferência interna constava para ambos no mesmo horário.

"Não prova que houve troca", Rafael explicou. "Mas a empresa que levou o Nico para casa tinha um carro perto do muro na noite da invasão. Encontramos a identificação da funcionária que usou aquele veículo."

Lívia sentiu o bebê escorregar ligeiramente e o ajustou com pressa.

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"Quem é ela?"

"Elisa Farias. Enfermeira. Trabalhou no Santa Cecília até três semanas atrás."

O nome abriu uma lembrança incompleta. Uma mulher de cabelo preso. Um casaco azul no cemitério. Um lenço de papel oferecido sem que Lívia pedisse.

"Ela estava no enterro", disse.

Dante se aproximou.

"Você a conhece do hospital?"

"Eu via muita gente. Não lembro de todos os rostos. Mas lembro dela perto do túmulo."

Lívia sentou na beirada da cama de apoio. O corpo começava a cobrar o peso das horas.

"Ela disse que sentia muito. Depois ficou me olhando como se quisesse falar alguma coisa."

Rafael apertou a pasta.

"Está tentando entrar em contato com você desde ontem. Ligou para o número antigo registrado no hospital. Encontramos uma mensagem na recepção de uma associação onde ela pediu ajuda."

Lívia tinha cancelado o telefone antigo depois de vender o aparelho melhor para pagar parte do funeral. Não havia nada misterioso naquele desencontro. Só a crueldade das pequenas necessidades.

Dante passou a mão sobre a boca.

"Conseguiram falar com ela?"

"Conseguimos. Está no Santa Cecília buscando uma cópia de documentos. Disse que só sai de lá acompanhada."

"Então busquem. Sem passar pela recepção desta casa. Quero saber quem estiver com ela a cada minuto."

Rafael assentiu e saiu.

Lívia olhou para Dante.

"O senhor acha que eu fiz alguma coisa?"

Ele pareceu surpreso.

"Por que eu acharia isso?"

"Eu cheguei aqui hoje. O bebê veio para o meu colo. Agora tem uma enfermeira querendo falar comigo."

Dante demorou um instante, como se escolhesse uma resposta que não a tratasse como criança.

"Eu mandei verificar sua contratação. Foi feita por uma agência que a dona Célia usa há anos. Você respondeu a um anúncio antes de saber meu nome. Não vou fingir que não fiz perguntas. Mas não, Lívia. Não acho que você tenha armado isso."

Ela assentiu, magoada e aliviada ao mesmo tempo.

"Eu precisava trabalhar. Só isso."

"Eu sei."

O bebê puxou um fio solto do punho de Dante. Ele deixou. Lívia observou os dedos pequenos apertando a mão do homem e sentiu uma nova espécie de horror.

Se aquele fosse Noah, o que acontecera com Nico?

Dante pareceu reconhecer a pergunta no rosto dela.

Virou-se para a janela antes que ela pudesse falar.

A espera pela enfermeira durou pouco mais de duas horas. Lívia trocou uma fralda, preparou uma mamadeira conforme as orientações deixadas no quarto e cantou uma canção que sua mãe inventara, sempre desafinando a última nota.

O bebê relaxou antes do refrão.

Dante observou da porta.

"É uma música conhecida?"

Lívia balançou a cabeça.

"Só na minha família."

Ele fechou os olhos por um instante.

Quando Rafael avisou que Elisa estava na sala reservada, Dante pediu a Célia que aguardasse no corredor e acompanhou Lívia com a criança.

A enfermeira se levantou assim que os viu.

Era a mulher do cemitério.

Não havia capuz agora. Só olhos fundos, unhas roídas e uma expressão que desabou quando o bebê encostou o rosto no pescoço de Lívia.

"Eu tentei voltar", ela disse. "Fiquei com medo. Eu sei que isso não desculpa."

Lívia não conseguiu se sentar.

"Foi você que deixou a corrente?"

"Foi. Eu tinha tirado do envelope antes de entregarem as coisas para a funerária. Queria que alguém encontrasse."

"Por que não me procurou?"

Elisa começou a chorar.

Lívia deu um passo à frente.

"Olhe para mim. Eu enterrei uma criança. Passei vinte e dois dias desejando não acordar de manhã. Você precisa falar comigo agora."

Dante permaneceu ao seu lado, sem interromper.

Elisa segurou a borda da mesa.

"Eu assinei o documento que dizia que o Noah tinha morrido."

Lívia sentiu os joelhos perderem firmeza.

"Você estava lá?"

A enfermeira balançou a cabeça.

"Seu filho estava vivo quando tiraram ele do setor. Eu vi levarem o Noah respirando."

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