"O Bebê do Bilionário Só Parava de Chorar Comigo" Capítulo 2

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A ESTRELA DE PRATA

Dante não se afastou. Apenas puxou outra cadeira e sentou à frente dela.

"Em qual hospital?"

"Santa Cecília."

Ele ficou tão quieto que Lívia percebeu a mudança antes de compreender o motivo.

"O Nico também estava lá?"

"Estava."

O bebê começou a esfregar o rosto no uniforme dela. Lívia ajeitou a manta, tentando dar às mãos alguma coisa para fazer.

"É um hospital grande", disse. "Muita gente passa por lá."

Dante assentiu, mas não pareceu convencido. Ela também não estava. Só queria que uma coincidência pudesse continuar sendo uma coincidência.

"Há quanto tempo o seu filho estava internado?"

"Entrava e saía desde pequeno. Nasceu com dificuldade para respirar. Na última semana, ficou num setor onde eu só podia visitar em determinados horários. Disseram que ele tinha piorado."

Ela se lembrou da porta de vidro, da máscara sobre o rostinho, das vezes em que o encontrara dormindo. Naqueles dias, permitiam que ela tocasse seus pés, mas quase nunca o pegasse.

"Eu reclamava", acrescentou, sem saber por quê. "Não aceitei tudo calada."

Dante apoiou os antebraços nos joelhos.

"Eu não pensei isso."

Ela respirou com dificuldade.

"Às vezes parece que as pessoas pensam."

Ele desviou os olhos para o berço.

"Minha esposa morreu quando o Nico tinha dois meses. Disseram que eu precisava aprender a confiar em quem entendia mais de bebês do que eu. Quando ele voltou diferente, ouvi isso de novo."

A voz não tinha pedido de piedade. Talvez por isso Lívia sentisse vontade de tocar seu braço.

Não tocou.

"O que aconteceu com ela?"

"Um acidente na estrada."

Ele girou a aliança que ainda usava. Lívia não tinha notado antes.

"E o senhor ficou sozinho com ele."

"Minha irmã passou um tempo aqui. Meu primo Augusto resolveu as coisas que eu não conseguia resolver. Foi ele quem indicou o hospital quando o Nico teve febre."

A criança adormeceu de verdade. O pequeno peso se entregou aos braços dela, e Lívia sentiu o corpo inteiro resistir à ideia de colocá-lo no berço.

Dante pareceu perceber.

"Pode ficar com ele mais um pouco."

Ela olhou para uma câmera perto da estante.

"O senhor acompanha o quarto por ali?"

"Depois do que aconteceu, sim."

Lívia ergueu o rosto.

Dante esfregou a mão na mandíbula.

"Uma mulher entrou aqui na terceira noite depois da alta. Usou um crachá falso de uma empresa terceirizada. O alarme de uma porta de serviço disparou e ela fugiu."

"Ela chegou perto dele?"

"Chegou."

Lívia sentiu o estômago se contrair.

"O senhor pode me mostrar?"

Dante demorou a responder. Depois pegou um tablet num armário e abriu uma gravação.

A imagem tinha data e horário. Uma mulher de capuz entrou no quarto, olhou para trás e se aproximou do berço. Tocou o bebê, abaixou o rosto perto dele. Parecia chorar.

Então se agachou, tirou alguma coisa do bolso e mexeu na base do berço.

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A luz junto à porta piscou. A mulher fugiu.

Lívia se inclinou para a tela.

"Ela deixou alguma coisa."

"A equipe procurou. Não encontrou nada."

"Ela não colocou em cima da madeira. Olha o movimento da mão."

Dante voltou alguns segundos da gravação. Na segunda vez, Lívia viu os dedos da mulher desaparecerem sob a borda lateral.

Ele pousou o tablet e foi até o berço.

Retirou o colchão, examinou a base e passou a mão por baixo da moldura. Havia uma pequena abertura de montagem coberta por uma lingueta. A fita que a prendia estava solta de um lado.

Dante puxou a madeira.

Uma corrente caiu sobre o tapete.

Lívia ouviu o som antes de enxergar o objeto.

O peito se fechou.

"Não pega", ela disse.

Dante parou, com a mão estendida.

Lívia olhava para a pequena estrela de prata presa à corrente. Havia uma ponta ligeiramente torta, marcada anos antes por uma queda no chão da cozinha de sua mãe.

Não era só parecida.

Era aquela.

"É do meu filho."

As palavras saíram claras. Depois delas, tudo perdeu a firmeza.

Dante se aproximou devagar.

"Você tem certeza?"

"Atrás tem as letras E.D. Era da minha mãe. Ester Duarte. Eu dei para o Noah quando ele nasceu."

Ele virou a estrela.

Lívia viu a resposta no rosto dele.

O bebê se mexeu, incomodado pelo aperto dos braços dela. Ela afrouxou o abraço imediatamente.

"Desculpa, meu amor. Desculpa."

Dante se ajoelhou à sua frente e colocou o pingente sobre a manta, longe das mãos da criança.

Lívia tocou a ponta torta com o indicador.

Lembrou-se de sua mãe prendendo a corrente no pescoço dela no aniversário de quinze anos. Depois, lembrou-se de colocá-la junto ao filho no pequeno caixão.

Sua mão começou a tremer.

"Eu levei para o velório. Deixei junto da roupa dele. A funcionária da funerária disse que ia guardar dentro do caixão antes de fechar."

Dante não fez a pergunta que ela já estava ouvindo por dentro.

Como aquela corrente tinha saído de um túmulo?

"Eu preciso que alguém venha olhar o bebê", ele disse, sem tirar os olhos dela. "E preciso descobrir quem era a mulher."

Lívia agarrou a manta.

"Não tire ele de mim agora."

A vergonha veio logo depois do pedido. Ela não tinha direito algum sobre aquela criança. Podia estar atravessando um limite terrível, usando o filho de outra pessoa para preencher o vazio do seu.

Mas Dante não estendeu os braços.

"Ninguém vai tirar ele de você enquanto você estiver assim."

Ele chamou Rafael e deu ordens curtas, longe o suficiente para não acordar o bebê. Lívia ouviu o nome do hospital, o da empresa de transporte, a orientação de não avisar ninguém da família.

Quando ele voltou, trouxe um copo de água.

Segurou-o enquanto ela bebia, porque suas mãos não obedeciam.

"Como ele se chamava?", perguntou.

"Noah."

"Você pode me mostrar uma foto?"

Lívia tirou o celular do bolso. A tela de bloqueio mostrava o filho com um macacão amarelo. Ela já tinha evitado aquela fotografia tantas vezes que o próprio gesto de abri-la pareceu uma violência.

Dante olhou demoradamente.

Depois baixou os olhos para o bebê adormecido.

Havia diferenças nas imagens, nos ângulos, no inchaço do rostinho durante a internação. E havia semelhanças que Lívia não suportava medir.

Ela esperou que Dante dissesse que todos os bebês daquela idade pareciam iguais.

Ele não disse.

"Vamos descobrir", prometeu.

Lívia fechou a mão sobre a estrela.

"Não prometa isso só para me acalmar."

Dante a olhou de frente.

"Eu não estou calmo o suficiente para mentir desse jeito."

Pela primeira vez, ela percebeu que o medo já não estava apenas dentro dela.

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