"O Bebê do Bilionário Só Parava de Chorar Comigo" Capítulo 1
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ELE SÓ QUERIA O MEU COLO
O segurança segurou Lívia pelo braço no instante em que o bebê estendeu as mãos para ela.
"A senhora não pode chegar perto."
Lívia tentou responder, mas o choro atravessou seu peito antes das palavras. Havia vinte e dois dias que ela acordava ouvindo um som que não existia mais. Agora ele vinha da escadaria de uma casa onde ela nunca tinha entrado.
O homem de camisa branca segurava a criança de um jeito desesperado. Uma das mangas estava dobrada; a outra pendia sobre o pulso. O bebê se arqueava, com as bochechas molhadas, e a mão enorme que sustentava suas costas tremia ligeiramente.
"Nico, por favor. O papai está aqui."
Lívia deixou cair os lençóis.
Não foi uma decisão. Seus braços se moveram antes de ela lembrar que precisava daquele emprego, que a governanta tinha proibido a aproximação do andar superior, que homens como Dante Moretti não gostavam de ser contrariados.
"Deixa eu pegar ele."
Dante ergueu os olhos.
O segurança apertou o braço dela.
"Eu mandei a senhora parar."
"Solte o braço dela", disse Dante.
O homem obedeceu imediatamente. Lívia massageou o lugar, mas não afastou os olhos da criança.
"Quem é você?"
"Lívia Duarte. Comecei hoje."
"Então comece cumprindo as orientações que recebeu."
Ela deveria ter abaixado a cabeça. Precisava pagar o aluguel de um apartamento onde a mamadeira ainda estava no escorredor. Tinha aceitado limpar banheiros porque precisava de uma tarefa que terminasse, de alguma coisa sobre a qual ainda tivesse controle.
Mas o bebê soluçou, sufocado pela própria exaustão.
"Ele está procurando alguma coisa", ela disse.
"Já foi examinado. Mais de uma vez."
"Eu não disse que estava doente."
Dante deu um passo em sua direção. De perto, era ainda mais alto do que parecia. Tinha uma pequena cicatriz junto à sobrancelha e uma expressão que teria feito Lívia recuar em qualquer outra circunstância.
"Você acha que sabe alguma coisa sobre o meu filho?"
Ela olhou para a boca trêmula do bebê.
"Eu sei que ele está cansado de chorar."
A resposta pareceu atingi-lo. Não o bastante para fazê-lo entregar a criança, mas o suficiente para que seu rosto perdesse, por um segundo, a dureza.
Lívia aproximou as mãos devagar.
"Pode ficar do meu lado. Não preciso sair daqui."
Então o choro parou.
O silêncio não veio aos poucos. O bebê simplesmente abriu os olhos, encontrou o rosto dela e ficou imóvel, ainda com a boca entreaberta.
Lívia sentiu uma dor tão aguda que precisou se lembrar de respirar.
Ele tinha uma dobrinha acima da sobrancelha esquerda.
Noah também tinha.
Não, ela pensou imediatamente. Não faça isso com você.
"Oi, meu amor", escapou de sua boca.
Dante a encarou.
O bebê soltou um som pequeno e se inclinou para a frente, abrindo os dois braços.
Dessa vez, quando Lívia se aproximou, ninguém a impediu.
O peso pousou em seus braços com uma familiaridade cruel. Ela ajeitou a criança contra o peito, sustentou sua cabeça e sentiu os dedos se fecharem no tecido do uniforme vinho.
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O rostinho se escondeu sob seu queixo.
Lívia fechou os olhos.
Por um instante, não houve escadaria, salário, segurança. Só um corpo quente respirando contra o seu. Um corpo que não estava frio. Que não tinha sido levado para trás de uma porta. Que não precisava ser deixado num buraco aberto na terra.
"O que você fez?"
Ela abriu os olhos. Dante continuava perto, olhando para o filho.
"Nada."
"Ele não deixou a enfermeira encostar nele esta manhã."
Lívia acariciou as costas do bebê. Seu corpo conhecia o movimento. A palma fazia círculos lentos enquanto os dedos protegiam a nuca.
"Talvez ele tenha gostado da minha voz."
A resposta era razoável. Ela se agarrou àquela explicação com uma força que a envergonhou.
Dante olhou para a mão da criança presa ao uniforme.
"Você tem filhos?"
O corredor pareceu se afastar.
"Eu tive um menino."
O homem não perguntou imediatamente. Foi essa pausa que quase a fez chorar.
"Sinto muito", ele disse.
Lívia assentiu, sem olhar para ele.
A governanta apareceu perto da porta de serviço. Tinha cabelos grisalhos presos com cuidado e a expressão preocupada de quem já tentava calcular o estrago.
"Senhor Dante, eu expliquei que o quarto do bebê não fazia parte das funções dela."
"Como a senhora se chama?", ele perguntou a Lívia, como se a governanta não tivesse falado.
"Lívia."
"Venha comigo, Lívia."
Ele subiu sem tentar pegar a criança de volta.
Ela o acompanhou, desconfortável com os sapatos baratos sobre a escada de mármore. No meio do caminho, o bebê se afastou um pouco para olhar seu rosto. Encostou os dedos no canto da boca dela.
Noah fazia aquilo quando começava a dormir.
Lívia beijou a mãozinha antes de conseguir se conter.
Dante viu. Ela percebeu pela forma como ele parou diante da porta.
"Desculpa", murmurou.
Ele ficou alguns segundos sem responder.
"Não precisa pedir desculpa por ser carinhosa com ele."
O quarto tinha paredes claras, cortinas compridas e brinquedos organizados em prateleiras. Havia um cavalo de madeira junto à janela e uma cadeira de amamentação que parecia nunca ter sido usada. Tudo era bonito. Tudo parecia esperando por alguém.
Dante puxou uma poltrona para ela.
"Sente. Seus braços vão cansar."
Os dela já estavam doloridos, mas Lívia teria ficado em pé até o anoitecer.
Sentou, ajeitando a criança de lado. Um pé descalço escapou do macacão. Ela cobriu com a mão, instintivamente.
"Ele sente frio nos pés", disse.
Dante olhou para ela.
Lívia corrigiu depressa:
"Meu filho sentia. Eu acostumei a fazer isso."
Ele abriu uma gaveta e lhe entregou uma manta. Em seguida, ficou em pé ao lado da poltrona, incapaz de se afastar.
"Faz três semanas que ele está assim. Não dorme no berço. Acorda assustado. Chora quando alguém tenta dar banho."
Lívia baixou os olhos.
Três semanas.
O bebê suspirou em seu colo e abriu os dedos. Uma marquinha vermelha apareceu perto do ombro, sob a gola. Ela conhecia o lugar onde Noah tinha passado tanto tempo com curativos, mas aquele pensamento era intolerável.
"Ele esteve internado?", perguntou.
"Teve uma infecção. Voltou para casa há vinte e dois dias."
A manta escorregou do joelho dela.
Dante a pegou antes de cair.
"Você está passando mal?"
Lívia tentou dizer que não. A palavra não saiu.
Vinte e dois dias antes, uma enfermeira tinha apertado sua mão num corredor de hospital. Um médico tinha dito que eles haviam feito tudo o que podiam.
Ela se lembrou do relógio sobre a porta, do gosto de café velho, da própria voz perguntando se podia pegar o filho uma última vez.
O bebê se mexeu, procurando seu peito.
Lívia o abraçou mais perto.
"Foi nesse dia", ela disse, quase sem voz.
"Nesse dia o quê?"
Ela encarou o homem que ainda acreditava ter o filho nos braços dela.
"Foi nesse dia que disseram que o meu menino tinha morrido."
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