"“Você É Meu Pai.” A Menina Que Mudou a Vida do Bilionário" Capítulo 7
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AS PERGUNTAS QUE ELA NÃO FEZ
Clara estava no sofá com Sofia encostada ao seu lado. A menina usava meias diferentes e segurava uma caneca vazia. Havia migalhas no colo das duas.
Aquela mulher de cabelos brancos não parecia capaz de atravessar uma vida inteira escondendo coisas. Também não parecia frágil quando levantou o rosto e viu Helena.
"Minha filha."
Helena fechou a porta.
"Você deu o cartão do Matteo para a Sofia?"
Clara assentiu. Sofia se encolheu.
"Eu não mandei que ela fosse sozinha", a avó disse imediatamente. "Disse que mostrasse para você quando quisesse conversar sobre o pai."
"Ela tem seis anos, mãe."
"Eu sei. Eu devia ter entregado a você."
Não houve justificativa naquela resposta. Helena pareceu perder por um momento o impulso que a sustentara durante a viagem.
Bete se despediu discretamente. Agradeci, acompanhei-a até a porta e voltei para perto da mesa, onde Júlio esperava. Ele e Clara ainda não tinham se falado, pelo que Salvador me contou em voz baixa.
Sofia saiu de debaixo do braço da avó.
"Eu escondi o cartão."
Helena se ajoelhou diante dela.
"Por quê?"
A menina começou a puxar uma linha solta da meia.
"Porque você ia ficar triste de novo."
Eu me sentei na cadeira mais próxima. Precisava fazer alguma coisa com as mãos e não havia nada que pudesse consertar ali.
"Você pode conversar comigo mesmo quando eu fico triste", Helena respondeu.
"Eu perguntei se ele morava longe e você falou que tinha que fazer o jantar. Depois perguntei se ele gostava de criança e você falou para escovar os dentes."
A boca de Helena se abriu um pouco. Ela passou os dedos pela linha que Sofia puxava, soltando-a devagar.
"Eu lembro."
"Aí achei que não podia mais perguntar."
O silêncio que se seguiu foi interrompido pelo motor de uma motocicleta na rua. Helena abraçou a filha e permaneceu assim até conseguir falar.
"Podia. Eu devia ter ouvido direito."
Sofia encostou o queixo no ombro da mãe.
"Você está brava porque eu fui ou porque achei ele?"
Helena afastou o rosto para olhá-la.
"Porque você saiu sozinha e eu tive medo de perder você. Não porque encontrou seu pai."
A menina me procurou. Fiz um movimento de cabeça, pequeno, para confirmar que ouvira.
Ela desceu do sofá e veio até mim. Parou entre meus joelhos, sem encostar.
"Você ficou bravo?"
"Fiquei preocupado quando descobri como chegou. Mas estou feliz por ter conhecido você."
Sofia apoiou uma mão no meu braço.
"Eu estava com medo de você não gostar de mim."
Tive que respirar antes de responder.
"Não aconteceu nada disso."
"Você estava com cara de bravo."
"Eu tenho pouca prática com visitas importantes."
Ela considerou a explicação e depois, como se já estivesse tarde demais para continuar de pé, encostou a testa no meu peito.
Segurei suas costas com cuidado. Era o primeiro abraço que ela me dava. O cabelo ainda cheirava ao xampu do banho. Eu poderia ter ficado ali até o dia amanhecer.
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Helena me observava do sofá. Seus olhos estavam vermelhos.
Quando Sofia começou a cochilar novamente, a mãe indicou o quarto. Levei a menina até a cama. Bati o ombro no batente, assustado com a responsabilidade de carregá-la sem acordar. Helena conteve um sorriso e afastou o cobertor.
"O urso fica virado para a porta", sussurrou.
Obedeci. Sofia abriu os olhos só um pouco.
"Você voltou."
"Eu prometi."
Ela segurou meu dedo até adormecer.
Na sala, Clara havia tirado o casaco. As mãos repousavam sobre uma bolsa de tecido. Júlio permaneceu do outro lado, sem exigir atenção.
Helena voltou antes de mim.
"Eu li a sua carta. Sei sobre o Júlio, sobre o Gabriel e sobre você ter pedido ao Vittorio que ele não procurasse a gente."
Clara fechou os olhos.
"Eu achei que ia conseguir criar você longe deles."
"Você conseguiu. Mas eu não tinha como saber do que precisava ficar longe."
A mãe ergueu o rosto.
"Quando soube do Matteo, eu entrei em pânico. Reconheci o sobrenome. Você já tinha sofrido, estava grávida e não queria me ouvir. Eu mandei que esquecesse aquela família."
"Você podia ter me contado por que a conhecia."
"Podia."
Clara apertou a bolsa. Fiquei me perguntando quantas vezes Júlio se sentara numa sala imaginando aquela conversa.
"Eu não sabia das mensagens falsas", ela continuou. "Acreditei que ele tinha feito com você o mesmo que os outros tinham feito comigo. Quando vi quem ele era, numa reportagem recente, comecei a pensar que talvez estivesse repetindo tudo. Mandei a carta para o escritório porque não sabia como chegar a ele. Depois entreguei o cartão à Sofia, na visita dela. Foi outra escolha errada."
Helena olhou para mim.
"Você nunca tinha visto minha mãe?"
"Nunca."
Clara confirmou. Tinha visto meu rosto, hesitado diante da torre e ido embora antes de entrar. Não existia outro encontro escondido esperando por nós.
Helena passou as mãos pelos cabelos.
"Eu estou cansada de descobrir que as pessoas discutiram minha vida sem me incluir."
Clara chorou em silêncio. Júlio tirou um lenço do bolso, deu alguns passos e o deixou ao alcance dela. Não se sentou ao seu lado.
"Você tinha o direito de me odiar", ele disse. "Não de decidir se ela deveria me conhecer."
Clara pegou o lenço.
"Hoje eu sei. Na época, eu também estava furiosa comigo. Fui adiando até não saber mais como começar."
Helena não correu para consolá-la. Ficou perto da janela, com os braços cruzados, enquanto a mãe enxugava o rosto.
Eu conhecia bem demais o desconforto de ver alguém da família vulnerável e desejar encerrar o assunto com uma ordem. Pela primeira vez, permaneci quieto.
Clara abriu a bolsa por fim. Tirou uma pasta fina, envolta num pano.
"Existe outra coisa. Eu não quero que você a descubra por alguém de fora."
Helena soltou uma respiração cansada.
"Então diga de uma vez."
Clara colocou os papéis sobre a mesa e virou a primeira página para a filha.
"O Gabriel deixou uma promessa. Seu nome está numa participação da empresa. Você devia ter sido informada quando ficou adulta."
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