"A Porta Azul Escondia a Mãe Dela — e o Segredo da Minha Família" Capítulo 4

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O NOME DE SOFIA

Abri a primeira folha sobre o capô do carro de Ronaldo.

O nome de Sofia Duarte aparecia abaixo do de Rosa, acompanhado da data de nascimento da menina. Rosa destinara a ela os direitos que buscava ver reconhecidos sobre o terreno oeste. Não era uma escritura pronta para transferir a fazenda. Era uma disposição formal, acompanhada de documentos antigos que sustentavam a reivindicação.

"Ela sabia que estava doente", explicou Álvaro. "Queria deixar a situação encaminhada. Faltavam peças da história, mas não era uma promessa vazia."

"Helena sabia?"

"Eu precisava conversar com ela. Foi por isso que vim pessoalmente."

A ambulância partiu antes que eu conseguisse dizer mais alguma coisa.

Passei os minutos seguintes respondendo a perguntas que pareciam simples até precisar organizar as respostas. Quando Helena desaparecera. Quem ficara responsável pela casa. Quem tinha acesso ao sistema. Quem encontrara a chave.

Ronaldo entregou aos policiais o que já havia preservado das câmeras e dos registros. Marcos se sentou na varanda, acompanhado por um agente. Celeste pediu para falar comigo a sós. Não aceitei.

Antes de sair para prestar esclarecimentos, ela passou perto da mesa onde eu colocara as folhas.

"Você não sabe o que vai começar com isso."

"Eu sei o que encontrei atrás daquela porta."

"Eu não queria que chegasse a três dias."

"Quanto tempo você considerava aceitável?"

Ela apertou os lábios. Pela primeira vez desde que eu chegara, não encontrou uma tarefa doméstica atrás da qual pudesse se esconder.

Ao meio-dia, fui para o hospital. Sofia estava sentada na cama ao lado da mãe, usando meias emprestadas e comendo um biscoito. Cida dormia numa cadeira, o pescoço torto.

Helena ergueu os olhos para mim.

"Encontrou o que ela queria esconder?"

Puxei uma cadeira e expliquei o que Álvaro dissera. Não usei a palavra herdeira. Ainda assim, ela olhou imediatamente para Sofia.

"Meu amor, você consegue mostrar seu desenho para a dona Cida um pouquinho?"

A menina cobriu o braço da mãe com a mão.

"Você vai sair?"

"Vou ficar nesta cama. Você pode ficar na cadeira do lado. Só preciso conversar com o Mateus."

Cida acordou com o movimento. Entendeu sem perguntas e se sentou perto da janela com Sofia, deixando as duas ao alcance uma da outra.

Helena esperou até a filha abrir a caixa de lápis.

"A Rosa me criou depois que minha mãe morreu. Eu tinha nove anos. Ela era amiga da minha mãe e virou minha tia porque eu precisava chamar alguém assim."

Havia uma fotografia dela na casa de Helena, ao lado de uma imagem de Nossa Senhora. Eu a vira numa visita para verificar um vazamento. Nunca perguntara quem era.

"Ela comentou alguma coisa sobre o terreno?"

"Disse que queria resolver um assunto antigo antes de morrer. Achei que fossem as dívidas do apartamento."

Helena apertou a borda do lençol.

"Eu trouxe a minha filha para morar aqui porque achei que fosse seguro. Agora o nome dela está em papéis que fizeram alguém me trancar num porão."

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Não havia resposta capaz de diminuir aquilo.

"Vou garantir que você receba cópias de tudo. E pode escolher outro advogado para examinar. Não precisa confiar só em alguém que trabalhou para meu pai."

Ela me olhou por um longo momento.

"Quero entender primeiro."

Contei o que sabia, que ainda era pouco. Depois pedi que me dissesse o que acontecera na terça-feira.

Helena passou o polegar pela marca vermelha no pulso.

"Eu fui levar uma planta para a Celeste. O doutor Álvaro estava na sala de arquivo. Ouvi os dois discutindo. Ele dizia que precisava falar com você e comigo. Ela queria ficar com a pasta."

"Ela pediu que você saísse?"

"Disse que ele estava confuso. Eu conhecia o nome dele, não conhecia o rosto. Mas ele perguntou se eu era a Helena e falou da Rosa. Quando eu respondi, a Celeste ficou diferente."

Helena olhou para a filha antes de continuar.

"Ela disse que os documentos antigos estavam embaixo, que podia mostrar. Eu fui porque achei que encerraria a discussão. O Marcos abriu o portão. Quando chegamos à sala, ela pegou a pasta do doutor Álvaro e saiu. Eu tentei ir atrás. O Marcos me empurrou para dentro."

Senti meus dedos endurecerem contra o braço da cadeira.

"Foi quando você machucou a testa?"

"Bati no armário. Eles fecharam a porta. Na primeira hora achei que iam voltar. Depois ouvi o cadeado."

Ela parou. Esperei, ouvindo Cida perguntar a Sofia de que cor seria o telhado do desenho.

"Por que ela não pegou as outras folhas?", perguntei.

"O doutor Álvaro tinha tirado algumas da pasta durante a discussão. Guardou por dentro do casaco. Quando percebeu que estávamos presos, escondeu na cadeira. Celeste voltou para procurar. Encontrou o telefone dele, o meu, revirou a sala. Eu não sabia onde estavam os papéis. Foi melhor assim."

Ela estava falando com firmeza demais. De repente o copo começou a tremer em sua mão. Peguei-o antes que a água caísse.

"Você não precisa terminar agora."

"Se eu parar, vou ficar ouvindo a porta de novo."

Deixei o copo na mesa e fiquei quieto. Ela puxou o ar duas vezes.

"Eu tinha medo de dormir e não ouvir a Sofi se chamasse. Não sabia se ela estava com febre, se tinha comido. O Marcos dizia que estava tudo bem. Eu implorei para ele levar um recado."

"Ele vai responder pelo que fez."

Helena esfregou o rosto.

"Não me promete que consegue consertar isso inteiro. Só não deixa ninguém dizer que eu fui embora."

"Vou corrigir isso com todas as pessoas que receberam essa informação. Hoje."

Ela assentiu. Uma lágrima caiu na camisola do hospital, e ela a limpou com irritação, como se o próprio corpo estivesse atrapalhando.

Meu celular vibrou. Era Ronaldo. Afastei-me alguns passos para atender.

Os funcionários responsáveis pela vistoria da estufa tinham chegado ao portão. A visita estava marcada para aquela tarde, mas Celeste tentara antecipá-la na segunda-feira. Depois insistira que ninguém entrasse nas fundações sem sua presença.

"Cancele a vistoria por enquanto", respondi.

Quando voltei à cadeira, Helena me observava.

"É a estufa, não é? Eu pedi os registros do terreno por causa da rachadura."

"Parece que foi isso que trouxe o Álvaro até aqui."

"Eu encontrei uma entrada de ar atrás da hera. Celeste mandou fechar antes que o pedreiro visse."

Peguei meu caderno e pedi que descrevesse a localização.

Helena desenhou um retângulo irregular. A mão continuava tremendo, mas ela conseguiu marcar a parede e o nível do chão.

"Se tiverem escondido alguma coisa", disse, "eu começaria aqui."

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