"“Posso Pegar Seu Cachorro Emprestado?” A Filha da Empregada Revelou o Segredo do Chefe da Máfia" Capítulo 7
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A DISTÂNCIA ENTRE A PORTA E O ABRAÇO
Dante cumpriu a promessa de não organizar uma recepção.
Não conseguiu impedir Sofia de levar três vezes o mesmo desenho até a entrada.
"Ele já chegou?"
"Ainda não."
"O portão faz barulho?"
"Faz."
Ela esperou junto à janela por alguns segundos.
"E se a gente não ouvir?"
Dante baixou o jornal, que não lera desde a primeira pergunta.
"Alguém vai avisar."
Helena apareceu com uma bandeja de xícaras que dona Célia retirou das mãos dela antes que alcançasse a mesa.
"Pela quarta vez, você está de folga."
"Eu precisava fazer alguma coisa."
"Então sente. Está me deixando nervosa também."
Helena tentou obedecer. Levantou-se um minuto depois para ajeitar a fita no cabelo da filha.
Dante a observou desfazer e refazer o laço.
Usava um vestido azul simples. Sem uniforme, parecia alguém que ele conhecia de outro lugar e não conseguia identificar.
O interfone tocou pouco depois das quatro.
Sofia se virou tão depressa que quase derrubou Bruno, uma tarefa que parecia impossível até ela tentar.
"É ele?"
Dante recebeu a confirmação do segurança.
"É."
Helena parou com a fita entre os dedos.
Gabriel veio de carro de aplicativo. Trazia uma mochila e uma sacola de papel dobrada na mão. Dante o viu pela janela antes de vê-lo na porta.
Era mais magro do que parecia na fotografia. O cabelo caía sobre a testa, e ele olhou duas vezes para a entrada antes de avançar.
Luca fazia aquilo quando estava prestes a pedir uma coisa difícil.
Dante sentiu a lembrança como um golpe curto no peito.
Abriu a porta pessoalmente.
Gabriel parou no degrau.
"Oi."
"Oi, Gabriel."
O rapaz olhou além dele.
Helena permanecia perto da mesa, sem saber onde colocar as mãos.
Por alguns segundos, nenhum dos dois se moveu.
"Você cortou o cabelo", ela disse.
Gabriel passou os dedos pela lateral da cabeça.
"Faz um mês."
"Ficou bom."
Ele assentiu, olhando para a sacola.
"Eu trouxe aquele pão que você gosta. Da padaria perto de onde eu trabalho."
Helena apertou a mão contra a boca.
Dante se afastou do caminho.
Gabriel colocou a sacola sobre a mesa, mas não tirou a mochila.
"Eu ainda estou com raiva."
Helena assentiu.
"Eu sei."
"Não vim porque achei que passou."
"Eu não vou fingir que passou."
Ele engoliu em seco.
"Mas eu estava com saudade."
Helena atravessou a sala.
Parou perto o bastante para que Gabriel pudesse recuar. Ele não recuou. Soltou uma das alças da mochila e a abraçou com força.
Dante baixou os olhos.
Esperara gritos, acusações ou uma lista de condições. A sacola de pão sobre a mesa o desarmou mais do que qualquer uma dessas coisas teria desarmado.
Sofia puxou sua calça.
"Eu posso falar agora?"
Dante olhou para a menina.
"Pode."
Ela foi até Gabriel carregando o desenho.
"Eu sou a Sofia."
O rapaz soltou a mãe devagar e se abaixou.
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"Eu sei. Você cresceu muito."
"Eu tenho quatro."
"Eu lembro. Mandei um presente no seu aniversário."
"A boneca de cabelo vermelho?"
"Essa."
Sofia sorriu, finalmente encontrando um lugar para ele na própria memória.
"Ela está sem um sapato, mas eu não perdi. Está em algum lugar."
Gabriel riu.
"Então está tudo bem."
Ela estendeu o desenho.
"Esse aqui é você."
Havia um menino comprido com uma xícara na mão.
Gabriel ergueu os olhos para Helena.
"Você contou onde eu trabalho?"
"Contei que faz café."
"E o Bruno é esse", Sofia acrescentou, apontando uma enorme mancha preta.
O cachorro cheirou a mochila do recém-chegado e olhou para Dante. Depois de receber o sinal, deitou-se perto da menina.
Gabriel examinou-o com respeito.
"Você dormiu com ele mesmo?"
"Dormi. Ele ronca, mas não faz mal."
Sentaram-se para o café sem decidir formalmente que fariam isso. Gabriel ficou na ponta do sofá. Helena acomodou-se perto, deixando um espaço entre eles que não tentou preencher.
Dante perguntou sobre a viagem. Gabriel respondeu mais do que ele esperava. Falou do trânsito, do trabalho e de um cliente que sempre pedia café sem gosto de café.
Marcos apareceu para cumprimentá-lo e retirou-se em seguida.
A ausência de perguntas sobre sobrenome, faculdade e dinheiro pareceu diminuir aos poucos a rigidez dos ombros do rapaz.
Quando as xícaras foram recolhidas, Marcos voltou.
"O teste da tubulação confirmou o barulho. Trouxe a gravação de ontem."
Sofia endireitou as costas.
Dante estendeu a mão.
"Vamos ouvir juntos."
O celular reproduziu o ruído de uma válvula entrando em funcionamento. Três estalos secos, separados por pequenos intervalos.
Toc. Toc. Toc.
Sofia se agarrou ao braço da mãe.
"É esse."
Dante mostrou o aparelho.
"Não tem ninguém atrás da porta. É uma peça do aquecimento da água que está batendo no cano. Vão trocar."
"Dentro da parede?"
"Isso."
Ela pensou por um instante.
"Mas o cano pode sair?"
Gabriel mordeu a parte interna da bochecha, contendo um sorriso.
"Não", Dante respondeu com seriedade. "E, se quebrar, a gente conserta."
"A voz também era o cano?"
"A voz era o advogado que falou com a sua mãe pelo telefone da sala ao lado. Você ouviu uma parte."
Helena beijou a cabeça da filha.
"Eu chorei porque fiquei preocupada com seu irmão. Agora ele está aqui."
Sofia olhou para Gabriel, depois para o cachorro.
"Então não preciso devolver o Bruno hoje?"
Dante passou a mão pelo rosto.
Gabriel não conseguiu segurar a risada.
Quando a menina foi mostrar a boneca a dona Célia, Dante ficou de pé.
"O estojo está no escritório. Samuel trouxe os documentos de autorização que precisa explicar depois. A carta é sua."
Gabriel tocou a alça da mochila.
"Você já leu?"
"Não."
"Nem pra ter certeza de que era mesmo dele?"
"O lacre antigo estava inteiro. Não abri."
Gabriel o observou por um momento que pareceu uma avaliação.
Depois se levantou.
No escritório, Dante colocou o estojo estreito sobre a mesa. Acomodara a caixa da infância ao lado, sem organizar o conteúdo.
Gabriel examinou a flor desajeitada na tampa.
"Foi meu pai que pintou?"
"Infelizmente."
O rapaz sorriu de leve.
Dante mostrou como soltar a trava do estojo, mas deixou que ele abrisse.
Dentro havia papéis protegidos, um relógio de bolso e um envelope.
Para meu filho Gabriel.
Quando quiser me conhecer.
Os dedos do rapaz pararam sobre a letra.
A casa ficou silenciosa além da porta.
Gabriel olhou para Dante.
"Você pode ficar aqui?"
Dante puxou a cadeira para o lado dele.
"Posso."
Só então Gabriel abriu o envelope.
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