"“Posso Pegar Seu Cachorro Emprestado?” A Filha da Empregada Revelou o Segredo do Chefe da Máfia" Capítulo 6

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A CAIXA DOS MENINOS

A casa continuava com o portão verde.

Dante lembrava dele mais alto.

O caseiro abriu com uma chave que custou a girar e explicou que mantinha o telhado, o jardim e a parte elétrica em ordem. Ninguém passava uma temporada ali havia anos.

Dante ouviu as informações, mas seus olhos estavam na varanda.

Ali, Luca quebrara o braço ao tentar pular do corrimão para uma árvore. Depois afirmara, diante da mãe furiosa, que a árvore havia se mexido.

"Quer que eu acompanhe?", Marcos perguntou.

Dante assentiu.

Helena ficou um instante junto à porta.

"Foi aqui que tiramos a foto."

"Eu reconheci o degrau."

A rachadura ainda estava lá, reparada com um cimento mais claro.

Ela tocou o pilar de madeira.

"Vittorio me trouxe porque disse que Luca gostaria. Ficamos uma tarde. Gabriel chorou no começo, depois dormiu no colo dele."

Dante olhou para a varanda vazia.

Tentou colocar ali a imagem do pai com o bebê.

Conseguiu com facilidade demais.

Aquele era um pedaço da história da família do qual fora excluído. A raiva voltou, mas havia outra coisa junto, mais difícil de suportar: inveja daqueles minutos que nunca tivera.

Entrou antes que Helena percebesse.

O quarto dos fundos guardava móveis cobertos, duas malas antigas e uma estante de brinquedos. O cheiro de madeira fechada fez Dante lembrar de chuvas que o obrigavam a passar a tarde dentro de casa.

Marcos afastou um lençol.

"Você dormia nessa cama?"

"Na outra."

"Essa tem uma perna torta."

"Luca pulava em cima."

"Isso explica muita coisa."

Dante abriu a porta do armário. Dentro havia cobertores, um ventilador sem hélice e uma caixa de papelão com cadernos.

A caixa de madeira estava atrás.

Ele a reconheceu pela flor preta e vermelha na tampa.

Ficou olhando por tempo suficiente para Marcos parar de mexer nas coisas.

"É essa?"

Dante assentiu.

Pegou-a com as duas mãos e levou para a mesa junto à janela.

O fecho estava duro. Marcos ofereceu uma pequena ferramenta, mas Dante tentou mais uma vez com os dedos.

A tampa abriu.

Havia figurinhas de futebol, duas moedas estrangeiras, um apito e uma bússola cuja agulha não se movia. Embaixo estava uma fotografia da mãe dos dois usando um chapéu de palha grande demais.

Dante a retirou.

Luca aparecia na borda da imagem, mostrando a língua.

"Sua mãe?", Helena perguntou da porta.

Ele assentiu.

Ela se aproximou, sem estender a mão.

"Gabriel tem uma expressão muito parecida quando acha alguma coisa engraçada e não quer admitir."

Dante olhou para o rosto parcialmente cortado do irmão.

"Ele fazia isso quando sabia que ia levar bronca."

Marcos encontrou um papel dobrado entre as figurinhas e entregou a Dante.

Era um contrato infantil, escrito por Luca.

Eu, Luca Moretti, prometo deixar Dante dirigir minha moto quando ele parar de ser um chato. A condição será avaliada por mim.

Havia uma assinatura enorme e, embaixo, a de Dante, menor e furiosa, riscada três vezes.

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Dante soltou o ar pelo nariz.

"Eu achei que tinha feito um bom negócio."

Marcos examinou a cláusula.

"Você assinou sem advogado."

Helena sorriu.

Dante ficou com o papel na mão até as letras começarem a perder nitidez. Pousou-o depressa e procurou o que o pai havia deixado.

No fundo, sob uma pequena divisória, havia um envelope mais recente.

Dante e Gabriel.

Apenas os dois nomes.

Ele abriu devagar.

O papel trazia a letra de Vittorio e uma fotografia de Luca ainda adolescente, segurando um peixe pequeno com uma expressão de triunfo completamente desproporcional.

Dante,

Se Gabriel chegou até você, espero que tenha encontrado mais paciência do que eu costumava ter. As coisas que guardei dele continuam com Samuel. Leia a carta do seu irmão ao lado do menino, se ele permitir. Não tente responder por Luca antes de ouvi-lo.

Debaixo, havia mais duas linhas.

Eu tive medo de perder outra pessoa. Usei esse medo para justificar decisões que você tinha o direito de conhecer. Não sei se algum dia vou conseguir explicar isso sem parecer covarde.

Dante permaneceu parado.

O pai jamais usara aquela palavra sobre si mesmo.

Vittorio transformava hesitação em estratégia, silêncio em prudência, culpa em trabalho. Dante aprendera boa parte disso observando-o.

A carta estava sem assinatura. A caneta provavelmente parara ali, e seu pai decidira guardar a folha mesmo incompleta.

Marcos se afastou para abrir uma janela emperrada.

Helena ficou onde estava.

"Você não sabia que ele tinha escrito isso", Dante disse.

"Não."

"Ele chegou a dizer que ia me contar?"

"Disse muitas vezes que precisava encontrar a hora certa."

Dante olhou para o papel.

"Ele morreu esperando."

Não havia acusação na voz. Isso pareceu tornar a frase mais dolorosa para os dois.

Sentaram-se na varanda depois de fechar a caixa. O caseiro trouxe água e café numa garrafa térmica. Marcos ligou para o escritório de Samuel e combinou a retirada do estojo lacrado.

Dante observou o lago enquanto Helena segurava o copo entre as mãos.

"Eu não teria tomado seu filho de você."

Ela virou o rosto.

"Não estou dizendo isso pra você me tranquilizar", ele continuou. "Preciso que saiba."

Helena demorou a assentir.

"Na época, eu não conhecia você. Depois, quando já devia conhecer melhor, tinha vergonha do que fiz."

"E cada ano piorou."

"Cada ano."

Dante passou o polegar pela borda do copo.

Não a perdoara de uma vez. Ainda havia perguntas que o fariam perder o sono. Mas começava a enxergar a mulher de vinte e um anos por trás da funcionária que se desculpava antes de pedir qualquer coisa.

O telefone vibrou.

Gabriel queria saber se tinham encontrado a caixa.

Dante fotografou o contrato da motocicleta e enviou.

Seu pai era um péssimo negociador. Só fazia contratos em benefício próprio.

A resposta demorou pouco.

Minha mãe diz que eu puxei isso dele.

Dante escreveu, apagou e escreveu de novo.

Samuel vai me entregar o estojo. Você quer que eu leve até você ou prefere vir à casa?

Ficou olhando a tela até as palavras aparecerem.

Posso ir amanhã. Mas não quero um monte de gente me esperando.

Dante respondeu:

Não vai ter.

Guardou o telefone e olhou para Helena.

"Ele vem amanhã."

Ela levou a mão ao peito, apertando o tecido da blusa.

Marcos virou de costas, ocupando-se com a bagagem desnecessariamente.

Helena assentiu várias vezes antes de conseguir falar.

"Eu não sei o que dizer quando ele chegar."

Dante pensou na voz firme pelo telefone, na fotografia com o avental de café e nas primeiras palavras que o rapaz escolhera.

"Talvez deixe ele começar."

Na volta, levaram a caixa inteira.

Dante colocou-a ao seu lado no banco, segurando a tampa nas curvas como se transportasse algo que ainda pudesse se quebrar.

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