"“Posso Pegar Seu Cachorro Emprestado?” A Filha da Empregada Revelou o Segredo do Chefe da Máfia" Capítulo 2
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O NOME DO MENINO
Helena chegou com o avental úmido e uma luva de limpeza ainda presa à mão esquerda.
"Sofia, pelo amor de Deus. Eu falei que já estava vindo."
Ela parou ao ver Dante dentro do quarto.
Depois viu a fotografia.
A luva escorregou dos seus dedos.
Sofia saiu da cama.
"Eu pedi o Bruno emprestado. Ele deixou."
Helena tentou falar, mas a voz não saiu. Dante conhecia aquele tipo de silêncio: não era o constrangimento de alguém surpreendido num erro pequeno.
Era medo antigo encontrando uma porta aberta.
Ele dobrou a fotografia com cuidado.
"Vamos conversar. Primeiro, sua filha precisa saber que não está encrencada."
Helena olhou para Sofia, que esperava com a almofada contra o peito.
Ajoelhou-se diante dela.
"Você me assustou, meu amor. Não pode sair andando pela casa de noite sem avisar."
"Eu não queria acordar a senhora."
"Eu nem tinha deitado."
"Então eu não queria atrapalhar."
Helena fechou os olhos por um segundo e abraçou a filha.
Dante desviou o olhar. Marcos, ao lado da porta, também encontrou algo para observar no corredor.
Quando Helena se levantou, Dante perguntou:
"Você sabia das batidas?"
"Ela comentou duas vezes. Eu não ouvi quando estava acordada. Pensei que fosse alguma porta da lavanderia."
"E a voz?"
A mão dela apertou o ombro da menina.
"Eu ouvi uma mensagem ontem. No telefone da administração, aqui ao lado. Não sabia que ela tinha escutado também."
"Quem ligou?"
Helena olhou para a filha antes de responder.
"Não reconheci a voz."
Dante conteve a pergunta seguinte.
Sofia observava a mãe com atenção demais.
"Esta noite vocês vão ficar na ala de hóspedes", ele disse.
Helena se endireitou.
"Não precisa. Eu posso dormir com ela."
"Precisa de um lugar onde as duas consigam descansar. O quarto está vazio."
"Mas amanhã tem o jantar."
"O jantar pode esperar."
Ela abriu a boca, surpresa, e voltou a fechá-la.
Dona Célia chegou com um casaco sobre os ombros e a expressão de quem esperava encontrar um vazamento ou uma discussão entre funcionários. Ao ver Bruno sentado na colcha infantil, levou a mão à cintura.
"Esse cachorro não vai subir na cama de visita."
Sofia o abraçou pelo pescoço sem apertar.
"Eu posso dormir no chão com ele."
"Você vai dormir na cama", Dante respondeu.
"Então a gente precisa de uma cama bem grande."
Marcos virou o rosto. O movimento disfarçou mal o sorriso.
Dante olhou para ele.
"Verifique este corredor. Fale com a manutenção, confira as entradas e descubra de onde veio a mensagem de ontem. Sem assustar os funcionários."
"Pode deixar."
Dante se voltou para dona Célia.
"Prepare o quarto ao lado da biblioteca."
A governanta assentiu e abriu caminho.
Sofia começou a segui-la, mas voltou para junto da mãe.
"A senhora vem?"
"Daqui a pouquinho."
"Vai acabar as taças?"
Helena hesitou.
"Não", Dante respondeu antes dela. "Sua mãe terminou o trabalho por hoje."
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Sofia olhou para ele como se acabasse de conceder alguma coisa muito maior do que um cachorro.
Dona Célia estendeu a mão.
"Vamos escolher uma toalha pro seu amigo de quatro patas."
Bruno acompanhou a menina depois de uma ordem discreta de Dante.
Helena esperou até os passos se afastarem.
"Ela não devia ter entrado no seu escritório. Eu sinto muito."
"Foi procurar ajuda."
"Eu entendo, mas ela às vezes não percebe..."
"Ela percebeu que estava sozinha e procurou alguém."
Dante não levantou a voz. Mesmo assim, Helena interrompeu a frase.
Ele indicou a escada.
"Eu preciso entender esta fotografia."
No escritório, ela permaneceu de pé até Dante se sentar. O uniforme escuro estava impecável, exceto por uma mancha de água na altura da cintura. Ele notou que Helena escondia as mãos uma na outra.
Colocou a fotografia sobre a mesa, sem empurrá-la na direção dela.
"Há quanto tempo você conhecia meu pai?"
Helena olhou a imagem.
"Quando essa foto foi tirada, fazia quase um ano que ele sabia quem eu era."
"Você tinha quantos anos?"
"Vinte e dois."
Dante refez mentalmente as contas. Dezenove anos antes. Seu pai ainda vivo. A casa do lago ainda em uso.
"E agora tem quarenta e um."
Ela assentiu.
"Você trabalha aqui há três anos. Nunca achou necessário me contar?"
Helena ergueu o rosto.
"Eu achei necessário muitas vezes. Não consegui em nenhuma."
A resposta direta o surpreendeu mais do que uma desculpa teria surpreendido.
Dante se recostou.
"Você veio pedir emprego sabendo exatamente de quem era esta casa."
"Sim. Precisava do trabalho. Sofia era pequena, o aluguel tinha subido e eu não tinha com quem deixá-la todos os dias. Quando soube que aceitavam uma funcionária com filha, eu me candidatei."
"E o meu pai?"
"Ele já tinha morrido havia quinze anos. Eu achei que o passado continuaria no lugar dele."
Dante olhou para a fotografia entre os dois.
"Não continuou."
"Eu sei."
Do lado de fora, o vento espalhou água contra o vidro. Helena acompanhou o som com os olhos, como se precisasse de um instante para escolher por onde começar.
Dante não lhe deu uma saída.
"Quem é o bebê?"
Ela passou o polegar sobre a própria aliança, um aro fino que usava na mão direita.
Ele já a vira fazendo aquilo ao esperar instruções para alguma recepção. Nunca havia pensado no motivo.
"Meu filho."
Dante ficou imóvel.
"Você tem outro filho?"
"Tenho. O Gabriel. Ele está com dezenove anos."
"Onde ele está?"
A pergunta produziu uma mudança imediata. Helena prendeu a respiração, e Dante percebeu que tocara num ponto ainda mais doloroso que a fotografia.
"Eu não sei o endereço."
"Como assim?"
"Ele está morando por conta própria. Nós... não estamos nos falando."
Ela apertou as mãos.
"Há quatro meses."
Dante olhou outra vez para o bebê no colo dela.
Por um momento, uma hipótese desagradável atravessou sua cabeça. Seu pai. Uma mulher muito jovem. Um filho escondido.
Helena pareceu compreender pelo rosto dele.
"Não foi isso."
"Você não sabe o que eu pensei."
"Sei, sim. E não foi isso. Seu pai nunca teve esse tipo de relação comigo."
Dante esperou.
Helena inclinou-se para a frente, finalmente tocando a borda da fotografia.
"Ele foi me procurar porque sabia de quem era o menino."
"De quem?"
Ela encarou Dante. Os olhos estavam úmidos, mas a voz saiu firme.
"O Gabriel tem sangue da sua família. E eu devia ter contado isso antes."
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