"“Posso Pegar Seu Cachorro Emprestado?” A Filha da Empregada Revelou o Segredo do Chefe da Máfia" Capítulo 1

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SÓ POR UMA NOITE

"Seu Dante, posso pegar seu cachorro emprestado pra dormir comigo?"

Dante ergueu os olhos dos documentos.

Na porta do escritório estava uma menina de pijama, abraçada a uma almofada em forma de estrela. Uma meia era amarela. A outra, azul. O laço torto quase desaparecia entre os cachos castanhos.

Atrás dela não havia segurança, babá ou adulto aflito.

Dante conferiu o relógio: dez e quarenta e sete da noite.

Ninguém entrava naquele cômodo sem autorização. Homens que comandavam dezenas de outros homens esperavam no corredor até serem chamados.

A filha da empregada acabara de atravessá-lo com uma pergunta sobre seu cachorro.

"Quem deixou você subir?"

"Eu subi pela escadinha."

"Não foi isso que eu perguntei."

Ela apertou a estrela contra a barriga.

"Minha mãe falou pra eu não fazer barulho. Eu não fiz."

Bruno levantou a cabeça perto da lareira apagada. Mesmo deitado, o cane corso preto parecia grande demais para aquela menina. Dante conhecia a diferença entre um movimento distraído do cachorro e sua atenção de guarda.

Agora ele estava atento.

Dante pousou a caneta.

"Fique onde está."

A menina parou com um pé adiante do outro.

"Ele morde?"

"Ele não gosta de pessoas que não conhece."

Ela olhou para o cachorro e, com evidente esforço, falou mais alto:

"Eu sou a Sofia. Agora ele conhece."

Dante quase sorriu.

Quase.

A casa inteira sabia que Bruno não aceitava mãos estranhas sobre a cabeça. Até Marcos, que trabalhava com Dante havia quinze anos, esperava um sinal antes de tocá-lo.

Sofia, de quatro anos, não sabia de nada disso. Ou não considerava importante.

"Onde está sua mãe?"

"Limpando as taças. Tem um monte. Ela falou que ia terminar e deitar comigo, mas eu esperei muito."

O jantar beneficente do dia seguinte ocuparia quase todo o térreo. Dante aprovara a lista de convidados sem olhar direito, como fazia com boa parte das cerimônias necessárias aos negócios da família.

Helena Russo trabalhava ali havia três anos. Era pontual, discreta e nunca o abordava por nada que pudesse resolver com dona Célia.

Ele sabia disso sobre ela.

Naquele instante, percebeu que sabia muito pouco mais.

"Então vamos encontrar sua mãe."

Sofia não se mexeu.

"O Bruno pode ir também?"

"Quem disse que o nome dele é Bruno?"

"Todo mundo fala o nome dele. Eu ouço."

Dante fechou a pasta.

"Você precisa voltar pra cama."

A boca da menina se contraiu. Não chegou a fazer bico. Ela apenas baixou os olhos para uma ponta da almofada que estava começando a descosturar.

"Mas estão batendo lá."

A cadeira de Dante parou de girar.

"Batendo onde?"

"Perto da minha porta. Três vezes."

Ela mostrou com os nós dos dedos na estrela.

Toc. Toc. Toc.

"Aconteceu hoje?"

Sofia assentiu.

"Eu pensei que era a mamãe. Abri um pouquinho, mas ela não estava."

Dante se levantou.

A menina precisou inclinar a cabeça para continuar olhando para ele. Dante contornou a mesa devagar. Antes de chegar perto, guardou no armário trancado a arma que deixara sobre um documento.

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"Você ouviu alguém andando?"

"Não sei. Eu fechei depressa."

"Fez bem. Não abra de novo quando não souber quem está do outro lado."

Ela concordou imediatamente.

A chuva apertou contra as janelas. Em algum ponto da casa, uma porta pesada se fechou. Sofia virou o rosto para o corredor.

Bruno se ergueu.

"Fica", Dante ordenou.

O cachorro parou, olhando para ele.

Sofia ficou muito quieta. Dante percebeu que os dedos dela estavam apertados demais ao redor da almofada.

"Ele está bravo comigo?"

"Não."

Dante se agachou a uma distância que permitisse alcançá-la sem cercá-la. Fazia anos que não precisava falar olhando para cima.

"Você quer o cachorro porque está com medo?"

Ela demorou a responder.

"Acho que ele também não gosta de dormir sozinho."

A resposta o atingiu de uma maneira incômoda. Bruno dormia no escritório porque Dante passava mais noites ali do que no próprio quarto.

O cachorro começou a abanar a ponta da cauda.

Dante deu o sinal.

Bruno se aproximou, cheirou a barra do pijama e encostou o focinho nos dedos pequenos. Sofia olhou para Dante, pedindo autorização dessa vez.

Ele assentiu.

Ela fez carinho na lateral do pescoço do animal.

"Ele é quentinho."

Bruno sentou ao lado dela.

Dante olhou para os dois por um instante prolongado.

"Só por uma noite."

O rosto da menina se abriu.

"Ele pode mesmo?"

"Pode. Mas eu vou levar vocês."

Sofia soltou uma das pontas da estrela para fazer carinho no cachorro com mais cuidado.

"Obrigada, seu Dante. Eu deixo ele ficar do lado da parede. É o lado melhor."

Na porta, um dos seguranças se endireitou com tanta rapidez que quase esbarrou no batente.

Dante falou baixo:

"Chame o Marcos. E peça à dona Célia que mande Helena encontrar a filha no quarto."

O homem olhou para Sofia, depois para Bruno.

"Agora, senhor?"

Dante não precisou responder.

Desceram pela escada de serviço. Sofia ia perto da parede, arrastando um pouco as meias no piso frio. Bruno caminhava entre ela e o corrimão.

Dante nunca havia reparado na altura dos degraus daquela escada.

Naquela noite, pareceram altos.

O quarto de Helena ficava no fim de um corredor próximo à lavanderia. Estava limpo, mas era pequeno para duas pessoas. Uma cama de solteiro encostava numa parede; na outra havia uma cama infantil com uma colcha de flores.

Um desenho preso com fita mostrava Sofia e a mãe de mãos dadas.

Dante examinou a porta. A fechadura estava intacta. Não havia marcas na madeira, nem pegadas molhadas no corredor.

"Foi aqui?"

"Foi. Mas às vezes parece que é ali."

Ela indicou a parede junto à cabeceira.

Dante se abaixou e encostou a mão no reboco. Estava morno.

Antes que pudesse perguntar mais, Sofia segurou sua manga.

"Ontem teve uma voz também."

Ele voltou toda a atenção para ela.

"O que a voz falou?"

Sofia franziu a testa.

"Seu nome. Quer dizer, o outro. Moretti. E falou que não tinha esquecido."

"Você viu alguém?"

Ela negou.

"A mamãe estava aqui?"

"Estava. Depois ela chorou. Mas falou que não era por minha causa."

Dante ouviu passos no corredor. Marcos apareceu primeiro, parando ao perceber a expressão dele.

Sofia se sentou na cama e colocou a estrela no colo.

"Eu trouxe uma coisa pra perguntar, só que esqueci."

Enfiou os dedos no bolso do pijama e retirou uma fotografia dobrada.

"A mamãe guarda embaixo do travesseiro. Eu sei que não pode pegar sem pedir. Depois eu devolvo."

Dante recebeu o papel com a intenção de olhar depressa.

Não conseguiu.

Na fotografia havia uma varanda, um pedaço de lago ao fundo e seu pai, morto havia dezoito anos.

Ao lado de Vittorio estava Helena.

Muito jovem. Sorrindo de um jeito que Dante nunca vira.

E segurando um bebê.

Ele conhecia o relógio no pulso do pai. Conhecia a varanda. Conhecia até a rachadura no degrau atrás deles.

Não conhecia aquela criança.

"A mamãe falou que não sou eu", Sofia explicou.

Dante levantou os olhos.

"Ela disse quem era?"

"Eu ia perguntar, mas ela ficou triste."

A menina olhou para o rosto dele, inquieta.

"O senhor sabe?"

Dante tornou a olhar a fotografia.

Pela primeira vez em muitos anos, não soube o que responder.

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