"Minha Mãe Deixou Minha Esposa Desmaiada no Chão" Capítulo 4
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O número 15h42 permaneceu sobre a mesa enquanto Elena retomava o relato.
Naomi Prado, advogada de Arthur, chegou pouco depois das dez da noite. Não cumprimentou ninguém com pressa. Guardou o casaco, desligou o toque do celular e pediu autorização a Elena para ouvir.
— Quero continuar — disse Elena.
Na primeira manhã, Margaret havia prometido noventa minutos de descanso. Elena despertou quase duas horas depois, com os seios doloridos e o quarto vazio. Encontrou o moisés na suíte de hóspedes, ao lado da mala aberta da sogra.
— Ele estava chorando?
— Estava acordado. Ela tinha dado fórmula.
— Você havia autorizado?
— Não. Eu queria amamentar.
Margaret afirmara que o leite de Elena era insuficiente. Guardou a lata de fórmula na própria mala e passou a decidir cada horário. Quando Elena tentava pegar o filho, ouvia que estava tremendo demais.
Na segunda tarde, a senha da porta principal deixou de funcionar.
— Ela disse que Arthur tinha trocado o código por segurança — contou Elena. — A janela da cozinha também tinha sensor. Toda vez que eu encostava, o alarme apitava no celular dela.
Arthur entregou a Naomi o histórico de permissões que ainda aparecia no aplicativo. O nome de Margaret ocupava a primeira linha:
administradora
.
— Dei esse acesso anos atrás, para viagens — disse ele.
Naomi não desviou os olhos da tela.
— Depois nós tratamos do que você deu. Agora precisamos registrar o que ela fez.
Elena descreveu as toalhas. Margaret deixara uma pilha no pé da escada e mandara que ela levasse tudo ao andar superior. Quando Elena parou no quarto degrau, ouviu que movimento prevenia trombose.
— Você pediu ajuda?
— Pedi que ela levasse metade.
— Resposta?
— "Uma mãe de verdade aguenta muito mais."
Naomi anotou a frase entre aspas.
— Isso conta? — Elena perguntou.
A advogada pousou a caneta.
— Continue. Não precisa pedir licença para contar o que fizeram com você.
Elena levou as toalhas em três viagens. Na última, os pontos puxaram e ela precisou se deitar no corredor. Margaret passou por cima de uma das toalhas caídas, carregando Leo.
Depois veio a limpeza da cozinha. Os produtos estavam sob a pia. Elena se apoiou na bancada enquanto esfregava uma mancha que saía com água. Margaret observava da mesa.
— Ela comia na sua frente? — perguntou Mara.
— Todas as vezes.
— E oferecia caldo para você?
— Às vezes. Dizia que eu tinha acumulado peso suficiente durante a gravidez.
Arthur empurrou a cadeira para trás, devagar. Manteve as palmas sobre as coxas.
— Eu quero que isso fique registrado — disse Elena.
Mara ligou o gravador mediante autorização.
Elena olhou diretamente para o aparelho.
— Margaret tirou minha comida, meus remédios, meu telefone e meu filho. Ela estava me enfraquecendo.
Uma batida interrompeu a declaração. Rosa Nascimento aguardava do lado de fora com um casaco vestido sobre a roupa de casa.
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— Seu Arthur, desculpe vir essa hora. A polícia me ligou.
Rosa trabalhava na casa havia seis anos. Margaret a dispensara na manhã da viagem, dizendo que Elena queria privacidade.
— Eu achei estranho — contou Rosa. — Dona Elena tinha pedido que eu dormisse lá dois dias.
— Por que você foi embora? — Arthur perguntou.
Rosa apertou a alça da bolsa.
— Dona Margaret disse que o senhor tinha mudado de ideia. Falou que eu perderia o emprego se criasse problema com a família.
Ela trouxe o celular. Havia um áudio de Margaret, enviado às 7h26: "Não apareça esta semana. Elena precisa aprender a cuidar da própria casa."
Rosa também guardara uma folha encontrada na impressora do escritório quando voltou para buscar os óculos.
— Peguei sem saber por quê. Ela mandou eu jogar fora. Eu dobrei e pus no bolso.
A folha trazia um registro do sistema documental da Bennett Logística Médica. No rodapé apareciam o nome do arquivo, o usuário que solicitara a impressão e vinte e sete páginas processadas.
Usuário: M. BENNETT_ADMIN.
Arquivo de origem: VIAGEM_ARTHUR_BOGOTÁ_ASSINADO.PDF.
Rosa entregou o papel à delegada.
— Dona Margaret mandou imprimir isso no escritório.
Antes de sair, Rosa entregou a própria agenda. Na segunda-feira, Elena havia pedido presença diária das oito às vinte horas. A anotação incluía preparo de refeições, lavanderia e apoio durante os banhos do bebê. Ao lado, Rosa registrara a mudança recebida de Margaret: "Cancelado por ordem de Arthur".
Arthur abriu o histórico de mensagens. Nunca enviara aquela ordem.
Rosa lembrou ainda de uma ligação feita por Elena no domingo. A voz estava cansada, mas ela detalhara quais sopas queria, onde deixar frutas cortadas e quantas mamadeiras esterilizar. A conversa contrariava a declaração de que recusava comida e não planejava os cuidados.
— Mais alguma coisa? — perguntou Mara.
— Dona Margaret perguntou se dona Elena tinha histórico de depressão. Eu falei que era assunto dela.
— Quando?
— Duas semanas antes do parto.
Mara marcou a data. A busca por uma narrativa de incapacidade começara antes da viagem.
Rosa também descreveu a cozinha antes de ser dispensada. Preparara porções de arroz, feijão, frango desfiado e legumes para quatro dias. Identificara cada pote com data e horário. Quando a polícia abriu o freezer, as refeições continuavam intactas, empilhadas atrás de duas caixas de vinho.
— Dona Elena sabia que estavam lá — disse Rosa. — Eu mostrei tudo antes do senhor viajar.
— Margaret disse que a comida tinha estragado — respondeu Elena.
Rosa cobriu a boca. Depois pediu desculpas e baixou a mão.
— Ela me ligou na terça e perguntou onde ficava a chave do freezer externo. Eu falei. Achei que fosse pegar uma refeição.
Mara solicitou imagens da garagem. A câmera mostrava Margaret abrindo o freezer, examinando os potes e fechando a porta sem retirar nenhum. Mais tarde, ela voltara com as caixas de vinho e as colocara na frente.
O alimento estava a poucos passos da cozinha durante os três dias. Margaret verificara pessoalmente que continuava disponível.
Mara solicitou também o prontuário da cesárea. A equipe obstétrica havia registrado que Elena precisava de refeições regulares, ferro, controle de dor e auxílio para subir escadas. Margaret recebera uma cópia das orientações na alta e assinara como acompanhante.
Elena reconheceu a assinatura da sogra.
— Ela sabia de cada cuidado — disse.
O papel entrou no saco de provas junto com a agenda de Rosa. Margaret não podia atribuir as tarefas e a retirada dos remédios a desconhecimento das recomendações médicas.
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