"O Chefe da Máfia Mais Temido Viu Minhas Mãos Tremendo… E Fez Uma Única Pergunta" Capítulo 5
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A mensagem ficou aberta na tela por vários segundos.
"Você devia ter aberto a caixa antes de mim."
Isabela não conseguia desviar os olhos.
O apartamento destruído parecia desaparecer ao redor dela.
Só existiam aquelas palavras.
Dante se aproximou, mas parou antes de tocar em seu ombro.
"Posso ver?"
Isabela entregou o celular.
Ele leu uma vez.
Depois outra.
Bruno, que acabara de chegar, observou a tela por cima do ombro de Dante.
"Número descartável."
"Provavelmente."
Isabela fechou os olhos.
"Foi ele."
Dante ergueu o rosto.
"Marcelo?"
"Quem mais?"
"Não podemos concluir ainda."
Ela soltou uma risada sem humor.
"Ele pesquisava meu pai. Sabia onde eu estava. Entraram no meu apartamento e levaram exatamente a única coisa que meu pai deixou."
A voz dela aumentou.
"E agora alguém manda isso."
Dante não respondeu.
Isabela apontou para o quarto.
"Você ainda acha que pode ser coincidência?"
"Não."
Ela ficou em silêncio.
A resposta direta a desarmou.
Dante devolveu o celular.
"Eu acho que quem entrou aqui sabia exatamente o que estava procurando."
Isabela olhou para a gaveta vazia.
"Então encontrou."
"Talvez não."
Ela franziu a testa.
Dante continuou:
"O que tinha dentro da caixa?"
Isabela tentou lembrar.
A caixa de madeira escura sempre esteve com ela.
Não era grande.
Cabia facilmente dentro da gaveta.
O verniz tinha rachaduras nos cantos, e a pequena fechadura nunca funcionara direito.
"Fotografias."
"De quê?"
"Da família."
"Mais."
"Um relógio do meu pai."
Bruno anotava tudo no celular.
"Documentos?"
"Não exatamente."
"Recibos?"
Isabela olhou para ele.
"Alguns."
"De quê?"
"Não lembro."
Dante insistiu:
"Tenta."
Ela respirou fundo.
"Havia recibos antigos de estacionamento. Um de hotel. Acho que dois de posto de gasolina."
Bruno e Dante trocaram um olhar.
"Datas?"
"Eu não sei."
"Mais alguma coisa?"
Isabela hesitou.
"Uma chave."
Dante ficou atento.
"Que tipo?"
"Pequena."
Ela fez um gesto com os dedos.
"Metálica. Antiga. Eu nunca soube do que era."
"Alguma identificação?"
"Acho que não."
Bruno perguntou:
"Você fotografou alguma vez?"
"Não."
"Tem certeza?"
"Eu não tinha motivo."
A frustração atingiu Isabela de repente.
Ela começou a andar pelo quarto.
"Meu pai morreu e deixou uma caixa cheia de coisas que pareciam inúteis. Eu tinha treze anos."
Pegou uma fotografia caída no chão.
"Eu não pensei que devia investigar recibos."
Dante a observou.
"Você não tinha obrigação de pensar."
Isabela levantou os olhos.
"Agora tenho."
"Agora você tem informação que não tinha antes."
"Agora eu tenho alguém invadindo minha casa."
Dante não discutiu.
Aquilo, mais uma vez, a surpreendeu.
Marcelo teria corrigido o tom dela.
Teria dito que estava exagerando.
Teria exigido que se acalmasse.
Dante apenas esperou.
Isabela respirou fundo.
Camila entrou no quarto carregando uma caixa de papelão.
"Os policiais disseram que vão precisar de uma lista do que sumiu."
"É só a caixa."
"Tem certeza?"
"Tenho."
Camila colocou a caixa sobre a cama.
"Então quem fez isso não veio roubar."
Ninguém respondeu.
Todos sabiam.
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Isabela começou a recolher algumas coisas.
Quando abriu uma gaveta menor, viu um livro antigo prensado entre duas blusas.
Parou.
Era uma edição desgastada de "Capitães da Areia".
A capa estava marcada pelo tempo.
Ela pegou o livro.
Dante percebeu.
"Que foi?"
"Meu pai me deu isso."
Camila sorriu de leve.
"Você odiava esse livro."
"Eu tinha onze anos."
Isabela passou a mão pela capa.
"Ele insistiu que eu guardasse."
Abriu as primeiras páginas.
Havia uma dedicatória.
"Para a minha Isa, porque algumas coisas só aparecem para quem aprende a olhar duas vezes. Com amor, pai."
Ela ficou imóvel.
A frase parecia diferente agora.
Mais pesada.
Dante se aproximou.
"Posso?"
Isabela assentiu e entregou o livro.
Ele leu.
Depois folheou devagar.
Uma folha pequena caiu no chão.
Os quatro olharam.
Isabela se abaixou.
Era um papel dobrado.
Amarelado.
Ela abriu.
Havia apenas uma sequência escrita à mão.
"317-42."
Bruno franziu a testa.
"Telefone?"
"Curto demais."
Isabela virou o papel.
Nada.
Dante pegou.
Seu rosto mudou levemente.
"O que foi?"
Ele olhou de novo para o número.
"Já vi esse formato."
"Onde?"
"Em registros antigos."
Bruno entendeu antes dela.
"Banco."
Isabela alternou o olhar entre os dois.
"Banco?"
Dante assentiu.
"Alguns cofres privados mais antigos eram identificados por combinações parecidas. Número do compartimento e série interna."
Ela sentiu um arrepio.
"A chave."
Bruno falou:
"Se a chave que estava na caixa era do cofre..."
"Então quem levou a caixa levou a chave."
Isabela fechou os olhos.
"Ótimo."
Dante olhou para o bilhete.
"Mas não levou o número."
Ela abriu os olhos.
"Isso ajuda sem a chave?"
"Talvez."
Bruno já digitava no celular.
"Vou cruzar com bancos que mantinham cofres privados há quinze anos."
Dante completou:
"Começa pelos que tinham contratos com o Grupo Montenegro."
Isabela percebeu.
"E com os Ferraz."
Dante a olhou.
"Exato."
Bruno saiu para fazer as ligações.
Camila se aproximou da amiga.
"Você vai mesmo continuar com isso?"
Isabela olhou para o apartamento destruído.
"Agora eu preciso."
"Isso está ficando perigoso."
"Já era perigoso antes de eu saber."
Camila segurou a mão dela.
"Você não precisa provar nada pra ninguém."
"Não é isso."
Isabela apertou os dedos da amiga.
"Eu passei anos acreditando que meu pai morreu por acaso."
Olhou para o livro.
"Depois passei dois anos acreditando que Marcelo me escolheu por amor."
A voz baixou.
"Eu preciso saber quantas coisas na minha vida eram mentira."
Dante ouviu.
Não disse nada.
Na manhã seguinte, Bruno encontrou uma correspondência.
Um antigo banco particular no centro de São Paulo mantinha uma série de cofres identificados no formato "317-42".
O prédio ainda existia.
O serviço também.
Mas havia um problema.
"A chave física é obrigatória."
Isabela cruzou os braços.
"Então acabou."
"Não."
Dante colocou um documento sobre a mesa.
"Há um procedimento sucessório."
"Como?"
"Se o titular estiver morto e você comprovar vínculo direto, o banco pode solicitar autorização judicial ou abrir o cofre com acompanhamento interno."
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"E quanto tempo isso demora?"
Bruno respondeu:
"Normalmente, semanas."
Isabela soltou o ar.
"Não temos semanas."
Dante olhou para ele.
Bruno continuou:
"Mas o registro do cofre está associado a uma empresa extinta que tinha procuração bancária corporativa."
Isabela franziu a testa.
"Isso é bom?"
Dante respondeu:
"Significa que talvez exista uma segunda forma de acesso."
"Qual?"
"Identificar quem era o responsável corporativo."
Bruno entregou uma folha.
Dante leu.
Seu rosto ficou sério.
Isabela se aproximou.
"Quem?"
Dante mostrou.
Antônio Oliveira Martins.
Ela sentiu o peito apertar.
"Meu pai?"
"Sim."
"A empresa estava no nome dele?"
"Não."
Bruno completou:
"Mas ele era o procurador registrado."
Isabela olhou novamente para o número.
O cofre não era uma lembrança.
Não era um detalhe.
O pai tinha preparado aquilo.
Talvez esperando que um dia alguém encontrasse.
Depois de quase dois dias de procedimentos, documentos e confirmação de identidade, o banco autorizou a abertura assistida.
O prédio ficava perto da Praça da República.
Antigo.
Mármore claro.
Portas pesadas.
Corredores silenciosos.
Isabela entrou ao lado de Dante.
Bruno os acompanhou até uma sala reservada.
Um funcionário do banco conferiu os papéis.
"Senhora Isabela Oliveira Martins?"
"Sim."
"Filha de Antônio Oliveira Martins?"
"Sim."
Ele entregou um termo.
"Preciso da sua assinatura."
Isabela pegou a caneta.
A mão tremeu.
Dante percebeu.
Não comentou.
Ela assinou.
O funcionário os conduziu por um corredor estreito.
Uma porta metálica fechou atrás deles com força.
O barulho ecoou.
Isabela se assustou.
Seu corpo inteiro reagiu.
Ela deu um passo para trás.
Dante olhou imediatamente.
"Quer sair?"
"Não."
"Podemos parar."
"Não precisa."
Ele não se aproximou.
Não tentou segurá-la.
Apenas ficou onde estava.
"Você decide."
Isabela respirou fundo.
Depois assentiu.
"Continua."
O funcionário abriu outra porta.
Dante caminhou ao lado dela, mas manteve distância.
Isabela percebeu.
Mais tarde, o celular dela vibrou dentro da bolsa.
Ela congelou.
Dante também percebeu.
"Quer que Bruno veja primeiro?"
Isabela quase respondeu sim.
Depois balançou a cabeça.
"Não."
Pegou o aparelho.
Era Camila.
Uma mensagem simples.
"Me avisa quando sair."
Isabela soltou o ar.
Dante desviou o olhar, como se quisesse lhe devolver privacidade.
Era estranho.
A cidade inteira parecia tratar aquele homem como alguém que tomava tudo o que queria.
Mas, com ela, Dante perguntava.
Esperava.
Recuava.
Nunca escolhia por ela.
E Isabela ainda não sabia o que pensar disso.
Chegaram diante de uma parede de pequenas portas metálicas.
O funcionário conferiu a numeração.
"317."
Desceu os olhos.
"Série 42."
Isabela sentiu o coração acelerar.
A porta tinha duas fechaduras.
O banco utilizou uma chave mestra e um procedimento técnico para substituir a chave perdida.
Demorou quase vinte minutos.
Quando a trava finalmente cedeu, Isabela prendeu a respiração.
O funcionário puxou uma pequena caixa metálica.
"Podem examinar o conteúdo nesta sala."
Ele os deixou sozinhos.
Isabela ficou diante da caixa.
Dante permaneceu atrás.
"Você quer abrir?"
Ela olhou para ele.
"Era do meu pai."
"Então é você quem abre."
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Isabela colocou as mãos sobre a tampa.
Dessa vez, elas tremiam por outro motivo.
Abriu.
Não havia dinheiro.
Nenhuma joia.
Nenhum pen drive.
Apenas um envelope grosso.
Isabela retirou.
Dentro havia várias folhas antigas.
Nomes.
Datas.
Valores.
Empresas.
Ela folheou.
"Que é isso?"
Dante pegou uma das páginas.
"Uma lista."
"De pessoas?"
"De envolvidos."
Isabela aproximou-se.
Havia nomes ao lado de códigos bancários e datas.
Alguns eram desconhecidos.
Outros vinham acompanhados de empresas.
Então ela encontrou um sobrenome.
Ferraz.
Deslizou o dedo.
Augusto Ferraz.
Seu estômago apertou.
"Está aqui."
Dante aproximou-se.
"Augusto."
Isabela virou outra folha.
"Tem mais."
Dante começou a ler.
De repente, parou.
O silêncio dele fez Isabela erguer os olhos.
"O que foi?"
Dante continuou olhando para o papel.
Sua expressão havia mudado completamente.
Isabela puxou a folha um pouco mais perto.
Leu o nome.
Otávio Vasconcelos Montenegro.
Ela franziu a testa.
"Montenegro?"
Dante não respondeu.
Isabela olhou para ele.
"Quem é Otávio?"
Dante demorou alguns segundos.
Quando finalmente falou, sua voz saiu baixa.
"Meu pai."
Isabela ficou imóvel.
"Seu pai está nessa lista?"
Dante pegou a folha.
Os olhos dele permaneceram presos ao nome.
"Está."
"Ele sabia dessas transferências?"
Dante não respondeu.
Isabela sentiu um frio atravessar o corpo.
"Você disse que Augusto Ferraz era o homem que você menos queria ver envolvido nisso."
Ele levantou os olhos.
"Sim."
"Mas seu pai também está aqui."
Dante fechou a mão sobre o documento.
"Está."
Isabela respirou fundo.
"E se meu pai não estivesse investigando apenas os Ferraz?"
Dante ficou em silêncio.
Ela olhou novamente para os dois nomes lado a lado.
Augusto Ferraz.
Otávio Montenegro.
Então percebeu uma anotação escrita à mão no canto da página.
Uma frase curta.
"Os três começaram juntos."
Isabela leu em voz alta.
Dante empalideceu.
Porque havia um terceiro nome logo abaixo.
Antônio Oliveira Martins.
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