"A Madrasta Contratada pelo Don" Capítulo 4
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Nora afastou o cobertor.
— Vem. História não custa extra.
Léo entrou correndo e subiu na cama. Escolheu o lado mais próximo da porta, que permaneceu aberta. Nora apagou o abajur maior e deixou uma luz baixa acesa no banheiro.
— Qual livro?
— Esse. Mas muda o final.
Era uma história sobre um cavaleiro que saía de casa para enfrentar uma criatura. No texto, a mãe ficava esperando. Léo pediu que ela acompanhasse o filho.
— Por quê?
— Porque ele é pequeno.
Nora modificou a aventura. A mãe e o menino atravessaram juntos a floresta, e o cavaleiro aprendeu a pedir ajuda. Na metade, Léo encostou a cabeça no braço dela.
— Minha outra mãe volta?
Nora parou de virar a página.
— Eu não sei o que seu pai contou.
— Que ela foi para o céu.
— Então ela não consegue voltar do jeito que você quer.
— Você vai embora?
— Hoje, não.
— Amanhã?
Nora lembrava a orientação de Helena: promessas pequenas.
— Amanhã eu vou estar aqui no café. Depois a gente olha o calendário.
Léo assentiu. Adormeceu antes do dragão aparecer. Nora terminou a página em silêncio e tentou afastá-lo, mas os dedos dele seguravam a manga do pijama dela.
No corredor, uma sombra se moveu. Luca estava junto à parede.
— Quanto ouviu?
— O suficiente.
— Eu não prometi ficar para sempre.
— Fez bem.
Ele entrou, pegou o filho com cuidado e parou quando Léo apertou a roupa de Nora. O menino resmungou. Luca o devolveu à cama.
— Ele não dorme fora do próprio quarto desde a invasão.
— Hoje dorme.
— Você se incomoda?
— Não.
Luca puxou uma poltrona para perto da porta.
— O que está fazendo?
— Se ele acordar, verá nós dois.
Nora deitou de novo. Luca ficou sentado no escuro até o sono vencê-la.
De manhã, Augusto encontrou os três. Léo atravessado na cama, Nora com um pé fora do cobertor e Luca na poltrona, ainda vestido. O mordomo fechou a porta antes de chamar a equipe.
No café, relatou apenas que Léo dormira sete horas sem crise.
Luca abriu o aplicativo do banco.
— Vou acrescentar cinquenta mil ao pagamento mensal.
Nora quase derrubou o suco.
— Por uma história?
— Por sete horas.
— Isso é demais.
— Nem perto.
— Eu gosto dele. Não precisa comprar cada gesto.
Léo se aproximou e envolveu o dedo dela com a mão pequena. Luca olhou para as duas mãos.
— Mais cinquenta mil.
— Luca.
— Não está em negociação.
Helena chegou naquela tarde e encontrou Léo pintando o boneco de capa vermelha ao lado de Nora. Registrou sono, alimentação e aproximação espontânea. Depois chamou os adultos para a biblioteca.
— Ele está testando permanência — explicou. — Quando oferece dinheiro para uma história, repete o que aprendeu: cuidado é uma transação.
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Luca olhou para Nora.
— Então não devo pagar mais?
— Deve manter o que assinou e parar de transformar cada afeto em bônus.
— Eu falei isso — disse Nora.
— Você também precisa cuidar para não virar indispensável em uma semana. Incentive vínculo com o pai.
Nos dias seguintes, Nora colocou Luca na rotina por meio de tarefas simples. Ele deveria dar o primeiro bom-dia, escolher a música do banho e ler a última página da história. Na primeira tentativa, recebeu uma ligação durante o livro.
Léo fechou a capa e saiu.
Nora tomou o telefone da mão de Luca e encerrou a chamada.
O chefe da família Castellano levantou devagar.
— Ninguém desliga meu telefone.
— Seu filho acabou de fazer isso sem tocar nele.
Luca ficou olhando a porta vazia. Depois colocou o aparelho dentro de uma gaveta.
— Qual era a página?
Encontraram Léo no closet, abraçado ao boneco. Luca sentou no chão e leu dali, sem exigir que o menino saísse. Na noite seguinte, deixou o telefone no escritório antes de subir.
Um mês passou. Nora organizou cardápios que Léo ajudava a montar com cartões coloridos. Ele ganhou peso, voltou a falar com Helena e aceitou caminhar até o jardim. O portão ainda provocava tremores.
Luca passava dias fora. Quando retornava, às vezes havia sangue na manga ou homens esperando no escritório. Nora não perguntava nomes. Exigia apenas que armas nunca cruzassem as áreas de Léo.
— Minha casa tem regras de segurança — disse ele.
— Agora tem mais uma.
Ele aceitou.
Nora marcou uma consulta médica para acompanhar alterações hormonais e dores no joelho. No dia, explicou a Léo que sairia por uma hora.
O menino apertou a mão dela.
— Eu vou junto.
Augusto ficou pálido.
— Léo não atravessa o portão.
— Hoje atravessa — disse o menino.
Nora se agachou.
— Pode dar medo.
— Eu levo o herói.
No banco traseiro, Léo prendeu o cinto sozinho. Quando o carro passou entre as grades, ele fechou os olhos e agarrou o dedo de Nora. Não gritou.
Do outro lado, abriu os olhos para a avenida.
— O mundo é grande.
— É.
— Você volta comigo?
— Volto.
O carro dobrou a esquina. No espelho, Nora viu os portões diminuírem atrás deles.
Na volta, Léo pediu que o carro parasse diante de uma padaria. Augusto recusou de imediato. Nora mostrou ao menino o movimento pela janela e perguntou se ele queria apenas olhar ou entrar. Léo escolheu olhar. Cinco minutos depois, pediu para descer.
Ficaram junto à porta. O cheiro de pão quente trouxe outras pessoas para perto, e Léo apertou o boneco contra o peito. Nora comprou três pães de queijo sem soltar a mão dele. O menino comeu um no carro e guardou outro para Luca.
Na mansão, entregou o saco ao pai.
— Eu fui numa loja.
Luca olhou para Augusto, que confirmou com um aceno.
— Teve medo?
— Tive. Fui mesmo assim.
Luca dividiu o pão com ele. Nora anotou o episódio para Helena: atravessar o portão deixara de ser acidente e virara uma escolha repetível.
Naquela noite, Léo colou no calendário um desenho de pão. Nora marcou a hora em que sairiam novamente. Luca sugeriu carro blindado e quatro seguranças. O menino cobriu os ouvidos. Nora reduziu o plano a Augusto dirigindo e um carro distante. Luca discordou, caminhou até a janela e voltou.
— Dois homens, sem armas visíveis.
— Um carro, sem descer — respondeu Nora.
Léo levantou dois dedos.
— Uma história quando voltar.
Foi o acordo mais difícil que Luca assinou naquela semana.
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