"O Menino Que Quebrou o Farol do Milionário" Capítulo 5
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Renata telefonou para a segurança patrimonial antes que Adriano alcançasse o elevador.
— Lacrem o arquivo. Ordem do presidente do conselho. Ninguém entra, ninguém sai com papel, disco ou telefone corporativo.
— Camila vai saber — disse Adriano.
— Já sabe que Olívia apareceu. A prioridade é preservar prova.
As portas se abriram no centro cirúrgico. Olívia era conduzida numa maca. Caio caminhava ao lado, segurando dois dedos dela.
— Posso ir até onde? — perguntou.
— Até a faixa amarela — respondeu a enfermeira.
Adriano parou atrás de Heloísa. Olívia chamou o filho, beijou sua testa e entregou a ele a fotografia rasgada.
— Guarda para mim.
— Você vai voltar para buscar.
— Vou fazer o possível.
Ela olhou para Adriano. Ele não se aproximou.
— Cuide dele durante seis horas — disse.
— Estarei aqui quando você sair.
— Seu assunto com Camila...
— Renata coordena tudo. Eu não vou embora antes de você entrar.
As portas se fecharam. Caio permaneceu diante da faixa amarela até o sinal acima do centro cirúrgico acender.
Adriano agachou ao lado dele.
— Quer comer alguma coisa?
— Não.
— Quer sentar?
— Não.
— Quer que eu fique quieto?
— Quero.
Ficaram quietos.
Duas horas depois, Miriam chegou ao hospital. Colocou uma bolsa pesada sobre a mesa da sala de espera e abriu os zíperes. Prontuários, relatórios, etiquetas de medicação e uma cópia da filmagem do corredor neonatal.
— Eu esperei sete anos por alguém que não chamasse isto de confusão administrativa — disse.
Adriano se levantou.
— Por que não me procurou?
Miriam tirou os óculos.
— Procurei. Sua assistente recebeu minha ligação.
Ele não respondeu.
— Camila disse que a família estava sob ameaça e que Olívia precisava de sigilo. Depois retirou o bebê do berçário. Eu a encontrei no elevador de serviço.
— Com Caio?
— Com ele no colo e uma pulseira de identificação reserva no bolso. Tomei o menino de volta. Fiz um relatório. No dia seguinte, o sistema mostrava que Olívia fora transferida. Ninguém sabia para onde.
— Ela foi para um abrigo com outro nome — disse Heloísa.
— E eu fui convidada a pedir aposentadoria.
Renata escaneou cada documento. Investigadores colheram o depoimento de Miriam e saíram para cumprir mandados.
Perto do meio-dia, um cirurgião informou que o procedimento avançava, mas uma cicatriz extensa exigiria mais tempo. Caio apertou a fotografia contra o peito.
— Você pode ir — disse a Adriano.
— Para onde?
— Pegar a mulher ruim.
— A polícia cuida disso.
— Mas ela é sua esposa.
Adriano tirou a aliança. Colocou-a dentro de um envelope e entregou a Renata.
— Não mais.
— Isso não é divórcio — disse a advogada.
— Prepare a anulação por fraude. Depois da prisão.
Camila recebia quarenta convidadas na mansão. O almoço beneficente arrecadaria dinheiro para mães que tinham perdido filhos. Ela vestia marfim e posava sob o lustre, uma das mãos pousada sobre o peito enquanto falava de luto e recomeço.
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Adriano entrou pela porta principal com Renata e Miriam. Dois investigadores permaneceram no jardim, fora da vista.
Uma convidada reconheceu Adriano e aplaudiu. O som se espalhou pela sala. Camila virou, ainda sorrindo.
— Querido, achei que estava no conselho.
Adriano atravessou as mesas e colocou a fotografia de Caio diante dela.
A taça escapou dos dedos de Camila. Quebrou no mármore.
— Onde conseguiu isso?
— Meu filho me entregou.
As conversas cessaram. Camila recompôs o sorriso.
— Olívia está manipulando você. Ela fugiu. Todos sabem.
Renata colocou um pequeno alto-falante sobre a mesa. A ameaça da cirurgia ecoou entre as convidadas.
Camila parou de sorrir.
— Você gravou uma conversa privada.
— Você condicionou a vida de uma mulher à herança de uma criança.
— Eu salvei sua empresa quando você estava destruído.
— Você declarou meu filho morto.
Camila apoiou as palmas na mesa.
— Você precisava de alguém forte. Olívia sempre foi fraca.
— Uma mulher ferida criou sozinha o menino que você tentou apagar.
Miriam avançou e depositou os prontuários ao lado da fotografia.
— E eu guardei as provas por sete anos.
Camila olhou para a porta lateral. Deu um passo. Dois investigadores entraram e bloquearam a passagem.
— Isto é um espetáculo — disse ela.
— Foi você quem convidou plateia — respondeu Renata.
Heloísa surgiu na porta com a caixa de metal. Retirou as cartas e espalhou algumas sobre a mesa.
— Reconheço o arquivo da família — disse Camila. — Você não tinha autorização.
— A casa e o arquivo são meus — respondeu Heloísa. — A vergonha também.
Um investigador leu os direitos de Camila. Ela ainda sustentou o queixo quando as algemas fecharam.
— Você acha que Olívia vai amar você de novo? — perguntou a Adriano. — Eu menti. Você escolheu acreditar todos os dias.
Ele não respondeu.
O telefone vibrou no bolso. Mensagem do hospital.
COMPLICAÇÃO CIRÚRGICA. RETORNE IMEDIATAMENTE.
Adriano deixou Camila sob o lustre e correu para a porta.
Dois repórteres tentaram segui-lo pelo jardim. Renata os bloqueou e entregou uma declaração de quatro linhas: havia uma investigação criminal, nenhuma informação sobre a criança seria divulgada e o Grupo Montenegro colaboraria com as autoridades.
Camila ouviu de dentro da viatura e bateu no vidro.
— Ele não pode esconder o herdeiro!
Heloísa se aproximou da janela fechada.
— O nome dele é Caio. Aprenda antes de tentar usá-lo outra vez.
Camila virou o rosto. O carro policial saiu.
Na sala, as convidadas permaneciam entre pratos intactos e cacos de cristal. Algumas haviam doado grandes quantias à fundação dirigida por Camila. Renata pediu que ninguém deixasse o local até os investigadores registrarem depoimentos e imagens.
Uma mulher encontrou sob a mesa o telefone secundário de Camila. A tela mostrava mensagens apagadas recentemente. Renata colocou o aparelho num saco próprio.
— Isso foi plantado — gritou uma assessora de Camila.
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— Então a perícia provará — respondeu Miriam.
Miriam sentou numa cadeira junto à parede. As mãos que sustentaram os prontuários começaram a tremer. Heloísa lhe trouxe água.
— Eu devia ter encontrado você antes — disse.
— Eu era enfermeira aposentada enfrentando advogados de uma empresa bilionária. A senhora teria me recebido?
Heloísa olhou para a caixa de metal.
— Naquela época, talvez não.
— Então use o que sabe agora.
Heloísa pediu a Renata uma lista de organizações capazes de proteger denunciantes e pacientes sem recursos. A advogada respondeu que primeiro precisavam encerrar o risco atual.
O chefe de segurança chegou com o livro de protocolo apreendido. Miriam reconheceu a rubrica que aparecia nos envelopes. Uma antiga secretária do grupo, chamada Sônia, admitiu por telefone que recebera ordem para separar qualquer correspondência assinada por Olívia Duarte.
— Camila dizia que era parte de um acordo judicial — contou Sônia. — Eu acreditava que o senhor Adriano sabia.
— A senhora perguntou? — disse Miriam.
— Não.
— Foi assim que ela conseguiu. Cada pessoa fez uma parte pequena e evitou a pergunta grande.
O telefone de Heloísa tocou. Era Caio, do hospital.
— Vovó, o médico saiu correndo.
— Estou voltando.
— Meu pai já vem?
Heloísa olhou para a porta por onde Adriano desaparecera.
— Ele está a caminho.
— Não deixa os repórteres seguirem.
— Não vou deixar.
Ao desligar, ela entregou a coordenação da mansão a Renata e saiu por uma rota lateral. Pela primeira vez, o almoço, os doadores e o conselho podiam esperar. Um menino no hospital havia perguntado pela família, e Heloísa não repetiria a resposta que dera sete anos antes.
Caio desligou, mas permaneceu diante da porta da UTI contando os segundos no relógio da parede.
Quando Adriano chegou, o menino não correu para abraçá-lo. Apenas apontou para o balcão e exigiu que ele lavasse as mãos antes de entrar.
Adriano obedeceu. Depois mostrou o celular: todas as entrevistas tinham sido canceladas, e a equipe jurídica recebera ordem de não divulgar o nome de Olívia.
Caio conferiu a tela como se auditasse uma promessa. Só então entregou ao pai o caderno com os remédios da mãe. Era a primeira responsabilidade que dividia com ele.
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