"O Marido Golpista Tentou Dar o "Golpe do Baú" em Mim? Eu o Mandei Direto para a Prisão!" Capítulo 8
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O som metálico e seco das algemas fechando-se com força ao redor dos pulsos de Priscila ecoou pela vasta sala de jantar como o tintilar sutil e inevitável de uma sentença irrevogável.
A jovem, que minutos antes desfilava pela mansão com vestidos de grife caríssimos e joias roubadas da falecida mãe de Valéria, agora debatia-se de forma patética e descontrolada.
Priscila emitia gritos histéricos e estridentes que rasgavam a atmosfera opulenta do ambiente, enquanto duas agentes federais firmes a forçavam a caminhar em direção à saída principal.
Suas unhas postiças, longas e perfeitamente pintadas com esmalte importado, arrastavam-se de maneira desesperada e inútil pelo piso de mármore de Carrara, deixando riscos estéreis.
Aquela cena patética simbolizava com perfeição o fim abrupto e humilhante de sua farsa de riqueza, mostrando que o castelo de cartas havia desabado de vez.
Enquanto isso, Marta havia perdido completamente a postura altiva, esnobe e arrogante que sempre a caracterizara perante os empregados e os antigos conhecidos da alta sociedade.
A matriarca desabou pesadamente de joelhos sobre o tapete persa importado, soltando um pranto falso, estridente e profundamente ensaiado para tentar comover os presentes.
"Meu Deus, que injustiça absurda! Nós somos pessoas de bem, isso é uma armadilha tramada por essa imprestável!", choramingava Marta, esticando as mãos trêmulas e desesperadas.
Ela tentava agarrar a barra do paletó de Mário, buscando algum tipo de amparo familiar que já não existia, visto que o próprio filho havia perdido o controle da situação.
Mário, por sua vez, sequer tinha consciência dos gritos da mãe ou do desespero histérico da irmã que tentava puxá-lo pelo braço no meio da confusão generalizada.
Ele permanecia sentado de forma desajeitada e torta diretamente sobre o chão frio, com o corpo encolhido em posição fetal e o olhar completamente estilhaçado pelo vazio absoluto.
A mente daquele que um dia se achou o grande gênio dos negócios sofrera um colapso total e irreversível diante da perda iminente de tudo o que roubara.
Para Mário, a ficha finalmente caía de forma dolorosa e esmagadora: ele compreendia que nunca fora o magnata que imaginava ser, mas apenas um criminoso patético.
Os agentes federais começaram a conduzir os prisioneiros sem nenhuma cerimônia em direção à porta principal, arrastando-os para fora da residência sob olhares gélidos.
No entanto, antes de ser erguido à força pelo aperto firme dos policiais, Mário teve um sobressalto de puro pavor e desespero primitivo ao notar a presença de Valéria.
Deixando escapar um gemido sufocado de pura loucura, ele conseguiu se soltar momentaneamente do aperto dos agentes e começou a rastejar desajeitadamente pelo mármore.
Ele arrastava-se rapidamente em direção aos pés de sua esposa, como um verme acuado que busca desesperadamente por uma nesga de piedade onde não há salvação.
"Valéria... minha querida Valéria, por favor, me escuta...", suplicava Mário com a voz completamente embargada em lágrimas reais de terror e desgraça iminente.
Ele estendia as mãos trêmulas para tentar tocar a barra da calça dela, invocando um passado que ele mesmo havia assassinado friamente anos atrás com suas próprias mãos.
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"Lembre-se do nosso tempo na faculdade, daquele amor puro e verdadeiro que a gente viveu... Eu sempre te amei, meu amor, foi tudo um erro!", choramingava o falso herdeiro.
A cena miserável do homem que a humilhara e escravizara agora implorando de joelhos gerava um espetáculo de pura catarse e justiça poética inquestionável para todos ali.
Os poucos convidados que ainda restavam encolhidos nos cantos e os próprios agentes federais assistiam àquela rendição patética com expressões de total repulsa.
Valéria permaneceu absolutamente imóvel no centro da sala, com a postura erguida como uma rainha e o rosto transformado em uma máscara de gelo intransponível.
Nenhuma sombra de piedade, perdão ou nostalgia cruzou por suas pálidas feições; o homem que ela amara na juventude havia morrido no dia em que destruíra sua família.
Com um movimento calmo, frio e carregado de um desdém absoluto, Valéria ergueu o pé esquerdo e afastou a bota de salto alto diretamente de cima das mãos de Mário.
Ela o empurrou levemente para o lado com a sola firme do sapato, como se estivesse afastando um inseto nojento e insignificante que cruzasse o seu caminho.
"O único erro real que cometi na faculdade foi não ter percebido o verme miserável que eu estava acolhendo no meu coração", disse Valéria com voz cortante.
Mário emitiu um soluço estrangulado e agudo ao ouvir aquelas palavras definitivas, compreendendo enfim que havia perdido toda e qualquer chance de resgatar sua dignidade.
Os agentes federais o levantaram sem delicadeza pelos braços, algemando-o com maior firmeza e arrastando-o para fora da casa rumo às viaturas escuras da polícia.
Enquanto a pesada porta principal se fechava com um estrondo seco atrás dos prisioneiros, abafando os gritos distantes de Priscila, o silêncio da vitória reinou soberano.
Gabriel aproximou-se discretamente de Valéria, mantendo uma distância respeitosa e profissional, enquanto lhe entregava um novo relatório financeiro recém-gerado em seu tablet.
"Valéria, os mandados de bloqueio de todas as contas secundárias no exterior acabaram de ser confirmados pelos órgãos internacionais", informou Gabriel em tom baixo.
Valéria pegou o aparelho eletrônico com firmeza, lendo as primeiras linhas da confirmação que atestava a recuperação integral do patrimônio multibilionário de sua família.
Um sorriso vitorioso, radiante e deslumbrante iluminou o seu rosto, marcando o encerramento definitivo daquela fase sombria e o início de um novo reinado corporativo.
No entanto, ao deslizar os olhos atentos para o final do relatório oficial gerado pelo sistema bancário, um detalhe minúsculo e assustador chamou sua atenção.
Havia uma transferência fantasma de última hora, no valor exato de cinquenta milhões de dólares, direcionada para um fundo anônimo registrado em nome de um misterioso sócio oculto.
Valéria estreitou os olhos cinzentos diante da tela brilhante, sentindo o sangue gelar por um breve segundo ao perceber que a ameaça maior ainda estava à solta.
Quem seria o misterioso investidor internacional que havia financiado todo o plano de Mário e agora guardava a última parcela da fortuna roubada dos Montclaire?
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