"O Marido Golpista Tentou Dar o "Golpe do Baú" em Mim? Eu o Mandei Direto para a Prisão!" Capítulo 6
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A escuridão repentina que engoliu a imponente sala de estar da mansão durou apenas alguns segundos, mas a sensação de sufoco pareceu se estender por uma eternidade.
O enfermeiro Bruno tateou o ar escuro com as mãos grossas, tentando agarrar Valéria, mas seus dedos fecharam-se apenas contra o vazio, encontrando o tecido do sofá.
"Que diabo de falta de luz é essa?", praguejou o Dr. Silas em voz alta, recuando dois passos enquanto a maleta de primeiros socorros caía pesadamente no chão de mármore.
Mário, que assistia à cena com um sorriso presunçoso segundos antes, sentiu um calafrio gélido subir pela espinha, embora tentasse disfarçar o nervosismo rindo no escuro.
"Devem ser os disjuntores velhos dessa casa caindo de novo", resmungou Mário, tentando soar autoritário. "Bruno, acenda a lanterna do seu celular e termine logo de segurar essa louca."
Contudo, antes que o assistente pudesse puxar o aparelho do bolso, um zumbido eletrônico agudo e estridente cortou o ar como o apito de uma lâmina afiada.
No mesmo instante, a gigantesca tela de oitenta e cinco polegadas fixada na parede principal da sala de estar acendeu sozinha com uma intensidade ofuscante.
O brilho azulado e futurista daquele painel gigante iluminou os rostos estupefatos de Mário, Marta, Priscila e dos dois falsos médicos, desenhando sombras disformes no ambiente.
No centro da tela preta, um logotipo minimalista, cibernético e brilhante em tons de dourado e preto estampou-se com força máxima: o símbolo da Black-Net.
"O que é isso? Que porcaria de televisão é essa?", berrou Marta, cobrindo os olhos com as costas da mão devido à claridade repentina e sentindo o primeiro pânico real apertar seu peito.
Antes que alguém pudesse se mover para puxar a tomada, a interface do sistema mudou e a imagem de alta definição de um escritório luxuoso ocupou toda a extensão da tela.
E ali, projetado em tamanho gigante para quem quisesse ver, apareceu o rosto jovem de Mário Silva, sorrindo e apertando a mão de um executivo estrangeiro em uma mesa de negociações clandestina.
Uma onda de áudio cristalina, amplificada pelas caixas de som embutidas de última geração da mansão, começou a ecoar pelo salão com uma nitidez aterrorizante.
"Não se preocupe com o velho Montclaire, senhor Miller", a voz nítida de Mário ecoou pelas caixas de som, revelando cada palavra do acordo criminoso firmado anos atrás. "Assim que eu casar com a herdeira e tiver acesso às senhas do conselho, o império deles vai desabar como um castelo de cartas e todo o dinheiro será lavado pelas nossas contas no exterior."
A sala inteira mergulhou em um silêncio mortal, sepulcral e absolutamente insuportável, quebrado apenas pela reprodução contínua daquela confissão devastadora.
Mário deu dois passos para trás, com os olhos arregalados de pavor, as pernas bambas e a boca aberta em um muxoxo mudo, parecendo ter visto um fantasma sair do inferno.
"Não... isso é mentira! É uma montagem de inteligência artificial! Desliguem essa merda agora!", gritou Mário histericamente, correndo em direção à parede e tentando arrancar os cabos da televisão com as próprias mãos.
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Mas era tarde demais. A tela já exibia gráficos financeiros detalhados, planilhas de desvios milionários, cópias de contratos de empréstimos fraudulentos e as assinaturas falsificadas do falecido patriarca dos Montclaire.
Priscila desabou sentada no chão, com as mãos trêmulas cobrindo a boca, enquanto lágrimas de puro desespero começavam a borrar sua maquiagem cara.
"Mário... meu Deus... o que você fez?", gaguejou Marta, olhando para o filho com horror, percebendo que a casa de cartas havia desmoronado de vez sobre suas cabeças.
No canto da sala, junto à bancada de mármore, a atmosfera parecia ter se congelado em um grau abaixo de zero.
Valéria, que segundos antes encolhia-se como uma coitada implorando por misericórdia, parou de tremer de um segundo para o outro, endireitando a coluna com uma elegância imperial.
Ela ergueu a mão direita e, com um gesto lento e metódico, limpou as últimas marcas das falsas lágrimas que havia espalhado pelas bochechas, apagando qualquer vestígio de fraqueza.
Seus olhos cinzentos, antes empoados de pavor fingido, brilharam agora com o fogo gélido de uma divindade implacável que decidia o destino de reles mortais.
Ela puxou o elástico simples que prendia seu cabelo, deixando as longas e sedosas mechas castanhas caírem em cascata sobre os ombros do uniforme de empregada sujo.
A transformação de faxineira humilhada em soberana absoluta foi instantânea e avassaladora, fazendo até mesmo o Dr. Silas recuar para longe dela, tomado por um instinto primitivo de sobrevivência.
Valéria deu o primeiro passo em direção ao centro da sala, caminhando com uma lentidão calculada que soava como o bater de um relógio fúnebre para os traidores.
Mário virou-se trêmulo na direção dela, suando frio da cabeça aos pés, com o rosto desfigurado pelo pânico absoluto e pela culpa escancarada.
"Valéria... minha querida... escute, foi tudo um mal-entendido... eu fui chantageado por aquele pessoal...", gaguejou Mário, estendendo as mãos trêmulas em uma súplica patética e nojenta.
Valéria não emitiu uma única palavra de resposta; ela continuou avançando com o rosto impassível, ignorando totalmente as desculpas esfarrapadas do homem que um dia dissera amá-la.
Ela parou bem diante dele, erguendo o queixo para encará-lo de cima para baixo, como se ele não passasse de um inseto patético rastejando no chão de sua cozinha.
O olhar dela era tão pesado, cortante e carregado de desdém que Mário sentiu as forças fugirem de seu corpo, caindo de joelhos bem diante dos sapatos velhos da esposa.
"Você achou mesmo que podia roubar um império, me tratar como lixo e sair impune, Mário?", perguntou Valéria, com uma voz cristalina, fria e magnética que ecoou pelo salão.
Antes que Mário pudesse balbuciar qualquer outra desculpa, o som ensurdecedor, pesado e inconfundível de sirenes cortou a noite do lado de fora dos muros da mansão.
Várias viaturas oficiais encostaram de uma só vez na entrada principal, acompanhadas pelo baque seco e brutal de botas pesadas de sola grossa marchando contra o portão de ferro.
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