"O Marido Golpista Tentou Dar o "Golpe do Baú" em Mim? Eu o Mandei Direto para a Prisão!" Capítulo 5
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O relógio de pêndulo antigo instalado na parede lateral da sala de estar marcava exatamente nove horas e cinquenta e oito minutos da manhã, ditando o ritmo de uma contagem regressiva implacável.
O som pesado de passos firmes e decididos ecoou de repente no hall de entrada, cortando a atmosfera carregada de tensão e triunfo falso que dominava o ambiente.
A pesada porta principal da mansão se abriu sem cerimônia, revelando dois homens encorpados que vestiam jalecos brancos imaculados sobre roupas comuns, carregando uma maleta preta de primeiros socorros.
À frente do par, Mário caminhava com o peito estufado, ostentando um sorriso de superioridade repugnante enquanto gesticulava para guiar os recém-chegados até o centro do salão.
"Chegaram bem no horário combinado, doutor. A situação aqui está completamente fora de controle e precisamos resolver isso logo", anunciou Mário com uma falsa nota de lamentação na voz.
O homem mais alto, de cabelos grisalhos cortados à escovinha e um olhar clínico e gélido por trás de óculos de grau, deu um passo à frente com uma postura intimidadora.
"Não se preocupe, senhor Silva. Nós do Instituto de Repouso Santa Edwiges estamos acostumados a lidar com pacientes de alta periculosidade e delírios persecutórios", afirmou o homem com uma voz autoritária.
Tratava-se do falso médico Dr. Silas, um charlatão profissional especializado em acobertar internações ilegais para elites corruptas em troca de somas avultadas em dinheiro vivo.
Logo atrás dele, o seu assistente de físico robusto e braços tatuados, o enfermeiro Bruno, estalava os nós dos dedos com uma expressão de pura indiferença sádica.
"Onde está a paciente?", perguntou o enfermeiro Bruno, com uma voz grossa e áspera que parecia rasgar o ar da sala de estar.
Marta, que observava tudo recostada no sofá com uma xícara de café nas mãos, apontou displicentemente para o canto da sala onde Valéria permanecia encolhida.
"Ali está a criatura, encolhida no chão e fingindo demência como sempre", zombou Marta, revirando os olhos com um desdém supremo. "Façam o trabalho de vocês rápido e levem-na daqui antes que ela contamine o ar da minha casa."
Valéria, que ainda fingia estar profundamente abalada pelos acontecimentos da manhã, recuou o corpo de forma trêmula até esbarrar as costas na bancada de mármore da sala.
Ela abraçava os próprios joelhos com força, deixando escapar soluços abafados e fingindo tremer de pavor diante da aproximação dos dois falsos profissionais de saúde.
"Não... por favor, não cheguem perto de mim! Eu não sou louca, eu juro que estou sã!", implorava Valéria com a voz esganiçada, derramando lágrimas falsas que escorriam por seu rosto pálido.
"Todo paciente surtado diz exatamente a mesma coisa antes de tomar a medicação de contenção", retrucou o Dr. Silas com um sorriso cínico, abrindo a maleta preta.
De dentro do compartimento forrado de espuma, o médico retirou uma seringa grossa e longa, preenchendo-a lentamente com um líquido leitoso e altamente sedativo.
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"Segurem-na firme para evitar que ela quebre a agulha no braço durante o escarcéu", ordenou o Dr. Silas, fazendo um gesto rápido para o seu assistente.
O enfermeiro Bruno avançou a passos largos na direção de Valéria, bloqueando qualquer rota de fuga possível e esticando os braços grossos para agarrá-la pelos ombros.
"Não me toquem! Socorro! Mário, pelo amor de Deus, me ajuda!", gritava Valéria, contorcendo-se de maneira exagerada para encenar uma resistência desesperada e impotente.
Mário cruzou os braços na altura do peito, assistindo à cena com um prazer sádico e descarado estampado em cada músculo de seu rosto presunçoso.
"Chore o quanto quiser, sua inútil, o seu show de palhaça finalmente chegou ao fim", zombou Mário, sentindo-se o verdadeiro rei do mundo ao ver a ex-herdeira subjugada daquela forma.
Priscila, ao lado da mãe, segurava o celular com a câmera virada para a cena, registrando cada detalhe para guardar como um troféu de humilhação perpétua.
"Isso mesmo, filma bem de pertinho para mandar para os nossos conhecidos verem o fim que essa arrogante levou", ria Marta, saboreando o momento com uma satisfação animalesca.
Enquanto os gritos de pavor encenados de Valéria preenchiam o ambiente, a sua mente interior funcionava com a precisão de um cronômetro atômico e implacável.
Seus olhos cinzentos, escondidos sob a franja despenteada, desviaram-se discretamente por uma fração de segundo para o visor do relógio de pêndulo na parede da sala.
Os ponteiros avançavam inexoravelmente, arrastando-se segundo a segundo até convergirem para o ponto exato da grande virada.
Nove horas e cinquenta e nove minutos... faltavam apenas sessenta segundos para o colapso total da farsa dos vilões.
Valéria começou a contar os segundos mentalmente, sincronizando a respiração pausada com o tique-taque mecânico e abafado do relógio antigo.
"Sessenta... cinquenta e nove... cinquenta e oito...", repetia ela em absoluto silêncio, sentindo a adrenalina pura correr por suas veias com a força de uma torrente.
O enfermeiro Bruno finalmente a alcançou, imobilizando-lhe os dois braços contra a bancada de mármore com uma força bruta e desnecessária que machucava sua pele.
"Fica quieta de uma vez, sua desequilibrada, ou vai doer muito mais", rosnou o enfermeiro Bruno, pressionando o corpo pesado contra o dela para contê-la por completo.
O Dr. Silas aproximou-se calmamente, empunhando a seringa com a agulha prateada brilhando de forma ameaçadora sob a luz forte dos lustres da sala de jantar.
"Prontinho, querida, um leve pique e tudo isso vai passar para sempre", sussurrou o falso médico com uma falsa doçura irônica, posicionando a ponta afiada bem acima da pele do braço de Valéria.
A ponta fria da agulha quase roçou a carne do seu antebraço direito, anunciando o segundo exato que antecedia a catástrofe irreversível.
Nesse exato milésimo de segundo, o ponteiro grande do relógio de pêndulo completou a volta completa e atingiu o topo do mostrador analógico.
Dez horas em ponto da manhã.
O gatilho de execução automática, programado milimetricamente por Gabriel Vianna no servidor central da mansão, foi acionado de forma remota e invisível.
Um estalo abafado veio dos conduítes elétricos embutidos nas paredes da sala, seguido por um zumbido agudo que fez todos os aparelhos eletrônicos zumbirem em uníssono.
De repente, os imensos lustres de cristal holandês que banhavam o salão com sua claridade opulenta piscaram uma, duas, três vezes consecutivas de forma frenética.
Uma fração de segundo depois, todas as luzes da mansão inteira apagaram-se de uma só vez, mergulhando o ambiente em uma escuridão absoluta, densa e aterrorizante.
O silêncio que se seguiu foi quebrado apenas pelo grito de surpresa do enfermeiro Bruno, que tateou o escuro sem entender absolutamente nada do que acabara de acontecer.
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