"O Marido Golpista Tentou Dar o "Golpe do Baú" em Mim? Eu o Mandei Direto para a Prisão!" Capítulo 3
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O reflexo cintilante dos lustres de cristal holandês banhava a ampla sala de jantar da mansão com uma claridade opulenta, desenhando o cenário perfeito para a noite mais importante da farsa de Mário Silva.
Dezenas de convidados ilustres, magnatas do setor imobiliário e políticos influentes de São Paulo circulavam pelo ambiente, rindo e brindando com taças de champagne francês.
No centro de toda aquela ostentação barata, Mário exibia um sorriso arrogante, vestindo um smoking de grife italiana perfeitamente ajustado ao corpo enquanto fingia ser o herdeiro legítimo daquela fortuna.
Ao lado dele, Priscila desfilava como se fosse a verdadeira dona do mundo, adornada com um colar de esmeraldas e brincos de diamantes que, na verdade, haviam pertencido à falecida mãe de Valéria.
Enquanto isso, circulando silenciosamente entre as mesas ricamente decoradas com arranjos de orquídeas importadas, Valéria vestia o seu uniforme de empregada mais puído e desbotado.
Com uma bandeja de prata prateada apoiada firmemente em uma das mãos, ela servia o vinho tinto de safra rara nas taças estendidas dos convidados, mantendo a cabeça discretamente inclinada.
A cada passo que dava, as conversas da alta sociedade ecoavam em seus ouvidos com uma clareza cortante, repletas de comentários maldosos e zombarias cruéis sobre a derrocada dos Montclaire.
"Dizem que o velho Montclaire era um visionário, mas olha só onde a família dele foi parar", cochichava um empresário gordo para a esposa, olhando de relance na direção de Valéria. "A herdeira virou uma simples criada na própria casa, limpando o chão dos outros. É o fim da picada."
"A culpa foi dessa incompetente que não soube segurar o patrimônio e ainda casou com um homem brilhante como o Mário", completava outra socialite, rindo cinicamente enquanto tomava um gole de vinho.
A tensão dentro daquele salão parecia uma panela de pressão prestes a explodir, mantendo-se em um banho-maria sufocante que alimentava a fúria silenciosa da protagonista.
Cada palavra de escárnio, cada olhar de desprezo e cada sorriso falso daquela corja de parasitas funcionava como lenha na fogueira da vingança que ardia no peito de Valéria.
No entanto, por fora, ela continuava a encenar o seu papel com uma perfeição assustadora, exibindo a postura curvada de uma esposa frágil, quebrada e completamente submissa.
Ninguém ali conseguia enxergar o oceano de calmaria mortal que residia por trás daquela máscara de dor, saboreando cada segundo daquela que seria a última noite de glória dos palhaços.
"Menina, traga mais gelo para a mesa principal imediatamente!", ordenou Marta, a sogra, estalando os dedos com um autorismo nojento diante de dois empresários importantes.
"Sim, senhora... logo levo", respondeu Valéria com a voz trêmula e mansa, abaixando ainda mais os olhos para esconder o brilho de pura adrenalina que faiscava em suas pupilas.
Do lado de fora dos imponentes portões de ferro da mansão, abrigado na escuridão da rua arborizada do Morumbi, Gabriel Vianna mantinha-se imóvel encostado à lataria de um sedã preto fosco.
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Um pequeno fone de ouvido sem fio brilhava discretamente em sua orelha esquerda, conectado de forma direta à frequência criptografada que monitorava todas as câmeras de segurança internas.
"A movimentação está no ápice, Valéria", sussurrou Gabriel em um tom de voz extremamente baixo, com os dedos voando sobre o teclado de um terminal portátil no painel do carro. "Os convidados estão todos reunidos no salão principal e os sistemas de segurança deles já foram completamente isolados por mim."
A voz de Gabriel soou nítida no ouvido de Valéria, trazendo a confirmação técnica de que o cerco final estava perfeitamente armado e pronto para ser fechado.
"Excelente, Gabriel", pensou Valéria consigo mesma, mantendo a bandeja firme nas mãos enquanto se aproximava perfeitamente do grupo onde Mário discursava animadamente. "Espere o momento exato em que eu der a palavra de ordem para soltar a trava dos portões."
"Entendido", respondeu Gabriel do lado de fora, verificando no visor do computador a contagem regressiva para a entrada simultânea das viaturas federais. "Estou pronto. A cavalaria está a exatos quinhentos metros daqui."
Dentro do salão de festas, Mário ergueu a sua taça de cristal para chamar a atenção de todos os convidados ilustres que o cercavam com admiração fingida.
"Minhas amigas e meus amigos, quero agradecer a presença de todos nesta noite memorável em que celebramos a nova fase dos nossos negócios", anunciou Mário com a voz empolada e falsa.
"Conseguimos superar as cinzas de um império arruinado pela incompetência alheia e transformar esta mansão no símbolo absoluto da nossa vitória empresarial", continuou ele, arrancando aplausos efusivos da plateia.
Nesse exato instante, Mário virou-se displicentemente para o lado e percebeu que Valéria estava parada muito perto, segurando a bandeja bem na linha de visão de um importante investidor estrangeiro.
Incomodado com a presença daquela que ele considerava um mero empecilho visual para a sua imagem de magnata moderno, o falso herdeiro perdeu a paciência por um segundo.
"Sai daqui, sua inútil! Está atrapalhando a circulação dos convidados com essa cara de choro", rosnou Mário entredentes, perdendo a pose por um instante diante do público.
Sem esperar que ela se afastasse por conta própria, Mário esticou o braço e empurrou com força o ombro esquerdo de Valéria, fazendo-a cambalear para o lado e quase derrubar os cálices de cristal.
"Desculpe... me desculpe, Mário... eu já estou saindo, não queria estragar a sua festa...", balbuciou Valéria, simulando um tropeço desajeitado e curvando as costas em sinal de submissão humilde.
"Peso morto é o que você é", sibilou Mário em voz baixa, bem perto do ouvido dela, desferindo o insulto final antes de se voltar sorridente para o empresário estrangeiro. "Depois da festa, conversamos sobre a sua transferência definitiva para o porão."
Diante daquela humilhação pública e desmedida, os convidados ao redor riram discretamente, achando graça da forma como o anfitrião tratava a própria esposa falida e desajustada.
Valéria apenas abaixou ainda mais a cabeça, deixando que os cabelos caíssem para a frente e ocultassem o seu rosto, enquanto um sorriso final, radiante e mortal, curvava os cantos de seus lábios.
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