"A Namorada do Milionário Tentou Ferir Seu Filho — Mas o Gravador no Avental da Governanta" Capítulo 4
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O fogo pegou nas cortinas da sala onde o ferro ainda permanecia sobre a bandeja.
Henrique viu o reflexo laranja no teto e avançou pelo corredor de serviço. Precisava alcançar o quadro de alarme perto da cozinha. Um homem passou pela escada principal sem enxergá-lo.
Dentro da sala segura, Sara ajustou Leo ao peito. O filtro funcionava, mas o indicador de temperatura começou a subir.
Ela testou o interfone.
— Henrique, responda.
Somente estática.
Leo abriu os olhos e começou a choramingar. Sara ofereceu a mamadeira de emergência e caminhou em círculos curtos.
— Seu pai vai voltar.
Uma pancada atingiu a porta externa.
— Aqui! — gritou um homem. — Traga o maçarico.
Sara verificou o manual colado ao painel. A porta resistia a calor e força, mas a dobradiça externa podia perder estabilidade com equipamento industrial.
Ela abriu o armário de emergência. Corda, máscara, chave inglesa, lanterna, kit médico e chave de fenda.
O maçarico acendeu. Um rugido atravessou o metal.
Sara olhou para a grade de ventilação perto do teto. Henrique dissera que terminava na varanda. O espaço era estreito; com Leo preso ao peito, seria pior.
Ela retirou o avental, dobrou o tecido na diagonal e criou uma faixa. Passou por baixo das pernas do bebê, cruzou nas costas e testou cada nó. Leo ficou firme contra seu peito, o rosto protegido pela gola de sua camisa.
— Vamos sair pelo alto.
Sara empurrou uma estante sob a grade. O móvel rangeu. Do lado de fora, o maçarico parou.
— Ouvi alguma coisa.
Ela congelou.
— Abre logo — respondeu outro.
O fogo voltou ao metal. Sara subiu, retirou quatro parafusos e segurou a grade antes que caísse. Colocou-a silenciosamente sobre a estante.
O duto soprava ar quente. Ela introduziu a lanterna, conferiu a primeira curva e colocou uma máscara fina sobre o rosto de Leo.
— Uma mão de cada vez.
Entrou de joelhos. A chapa aqueceu a pele através da meia. O bebê permaneceu preso entre seu corpo e o avental.
Atrás, uma pancada mais forte deformou a fechadura.
Sara avançou. Cotovelo, joelho, respiração. Na primeira curva, o duto estreitou. Ela virou o ombro e protegeu a cabeça de Leo com a palma.
A fumaça formava uma camada fina. O filtro da máscara infantil reduzia o ar; Sara sentia o calor nas próprias narinas.
— Só mais um pouco.
O som do maçarico ficou distante. Outro ruído surgiu abaixo: Henrique lutando com alguém, um golpe contra a parede e o alarme quebrando.
A sirene começou.
Sara fechou os olhos por um segundo. Ele conseguira.
O duto terminou numa grade externa. Ela chutou uma vez. Nada. Na segunda, dois parafusos saltaram. Na terceira, a grade caiu sobre o piso de pedra.
Ar frio entrou.
Sara saiu de costas, segurou Leo e rolou para a varanda. A ala oeste ardia. Chamas atravessavam as janelas inferiores e fumaça cobria o telhado.
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No pátio, Vitória observava ao lado do carro. Rogério falava com ela perto da van preta.
— A sirene chamou bombeiros — disse ele.
— Encontrem o bebê antes.
Sara se abaixou atrás do parapeito.
Não havia escada externa. A treliça de hera descia até o jardim. Ela testou a madeira com o pé; firme.
Prendeu Leo mais alto, passou uma perna sobre o parapeito e iniciou a descida.
Uma pedra se soltou. Vitória levantou a cabeça.
Os olhos das duas se encontraram.
— Ali! — Vitória gritou. — A empregada está com o bebê!
Dois homens correram para o jardim.
Sara soltou o último degrau e caiu na grama. Levantou antes de recuperar o ar e correu para as árvores.
A treliça balançou atrás dela. Um dos homens alcançou a varanda e apontou a lanterna para o jardim.
— Ela desceu pelo lado leste!
Sara atravessou um canteiro, perdeu um sapato e não voltou. Pedras cortaram sua meia. Leo começou a chorar quando a fumaça ficou distante e o ar frio tocou seu rosto.
— Eu sei. Pode chorar agora.
O portão principal ficava longe e exposto. Sara escolheu a mata, onde árvores antigas escondiam a encosta. Conhecia a trilha usada por jardineiros, mas os homens também tinham a planta da propriedade.
Antes de entrar entre os pinheiros, parou atrás de uma estátua e retirou o gravador. O aparelho ainda funcionava. Ela ativou a reprodução em volume alto, colocou-o sob um banco e avançou vinte metros para a esquerda.
Quando os perseguidores chegaram, ouviram a própria voz dela gravada na sala segura e correram na direção errada. A manobra comprou menos de um minuto, mas permitiu que Sara alcançasse a primeira descida.
O terreno úmido cedeu. Ela caiu de lado, protegendo Leo com o braço. A costura do avental rasgou; o nó improvisado permaneceu firme.
Sara verificou os olhos, o nariz e as mãos do bebê. Leo chorava com força. Nenhum sangue.
— Continua bravo. É bom.
Atrás, Rogério encontrou o gravador sob o banco.
— É uma cópia — disse. — Ela está com o aparelho verdadeiro.
Vitória apareceu no limite do jardim, segurando o vestido acima da lama.
— Eu quero essa gravação.
— A polícia está subindo.
— Então parem de conversar.
Rogério enviou dois homens pela trilha baixa e permaneceu para retirar o carro. Vitória agarrou seu braço.
— O bebê também.
— Você já deu a ordem.
— Quero ouvir que entendeu.
— Entendi que vai pagar o restante antes de amanhecer.
Ele soltou o braço e correu para a van.
Na mata, Sara retirou a lanterna do pulso e cobriu a lente com os dedos, deixando apenas uma faixa de luz. A trilha dividia-se perto de um carvalho caído. À direita, descia para o riacho. À esquerda, voltava para a estrada principal.
Ela ouviu botas pela direita e escolheu a encosta sem trilha. Galhos arranharam seu rosto. Leo se agarrou à camisa.
— Seu pai acionou a sirene. Escuta.
O som atravessava as árvores em ondas. Mais distante, outra sirene respondia.
Sara avançou em direção às luzes vermelhas, enquanto duas lanternas surgiam atrás dela.
Uma delas apagou. A outra mudou de direção para cortar seu caminho até a estrada. Sara desceu por dentro de um leito seco, usando as pedras para esconder o ruído dos passos.
O leito terminava numa cerca de arame. Sara seguiu a estrutura até um trecho derrubado por uma árvore. Passou de lado, rasgando a manga.
Uma lanterna iluminou o tecido preso no arame.
— Ela passou aqui!
Sara apagou as próprias pegadas nas folhas com um galho e mudou de direção. Deixou o sapato perdido perto da trilha do riacho, apontando para baixo, e subiu descalça pela encosta.
Leo gemeu. Ela molhou uma gaze e tocou seus lábios sem interromper a fuga.
Quando ouviu cães da polícia, não gritou de imediato. Primeiro confirmou que as vozes usavam códigos de equipe. Só então respondeu com o nome completo e avisou que carregava uma criança.
Um agente orientou que seguisse para o farol fixo junto ao portão. Sara viu a luz atravessar as árvores e ajustou a rota.
Antes de avançar, ela retirou a máscara de Leo por dois segundos e conferiu a cor de seus lábios. O bebê respirava bem. Sara recolocou o filtro, apertou o nó do avental e seguiu o facho sem sair da cobertura das árvores.
Atrás dela, os homens discutiam se deveriam enfrentar a polícia ou voltar para a van. A divisão das vozes abriu distância. Sara aproveitou e correu.
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