"A Namorada do Milionário Tentou Ferir Seu Filho — Mas o Gravador no Avental da Governanta" Capítulo 2
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Sara retirou o gravador e apertou o botão de pausa.
Henrique terminou a ligação com o pediatra e voltou o rosto.
— O que é isso?
— Eu estava registrando a despensa antes de ouvir Leo. Pode ter gravado a sala.
Ela colocou o aparelho sobre o aparador. Henrique não tocou.
— Primeiro o médico.
O pediatra chegou vinte minutos depois. Examinou as vias respiratórias, a pele e os olhos do bebê. Leo recebeu água, acalmou-se e adormeceu no colo de Sara.
— Sem queimadura — concluiu o médico. — Observem tosse, vermelhidão e dificuldade para respirar até amanhã.
Henrique agradeceu, acompanhou-o até a saída e dispensou os convidados. A música cessou. Funcionários recolheram taças sem conversar.
Sara levou Leo para o quarto. Henrique entrou atrás e fechou a porta.
— Eu trouxe Vitória para dentro desta casa.
Sara colocou o bebê no berço.
— O senhor a tirou.
— Depois que você entrou na frente.
— Leo está bem.
— Por centímetros.
Henrique segurou a grade do berço. Os nós dos dedos ficaram brancos.
— Ela disse que você era ciumenta. Quero ouvir de você.
Sara alisou o lençol, embora não houvesse dobra.
— Eu não quero o lugar de ninguém.
— E seu lugar aqui?
— Hoje não sei qual é.
Ela retirou a chave de serviço do bolso e colocou na cômoda.
— Se a família decidir evitar escândalo, eu entendo. Só não vou assinar mentira.
Henrique empurrou a chave de volta.
— Você fica.
— Porque salvou seu filho por um dia?
— Porque ele dorme quando ouve seus passos. Porque você percebe febre antes do termômetro. E porque enfrentou uma mulher que podia acabar com seu emprego.
Sara guardou a chave.
— Então mande trocar os códigos da casa.
Henrique pegou o telefone e chamou o chefe de segurança. Vitória perderia acesso ao portão, à garagem e ao sistema interno. O técnico informou que a câmera da sala havia sido desligada pelo painel, usando uma senha de hóspede.
— Quem tinha essa senha? — perguntou Henrique.
— A senhora Vitória e o organizador do evento.
Sara levantou o gravador.
— Vamos ouvir.
O áudio começou com números da despensa. Depois vieram o choro, a voz de Vitória chamando Leo de "barulhento" e a corrida de Sara. O aparelho registrara o confronto inteiro, até a ameaça sussurrada na saída.
Henrique enviou uma cópia ao advogado e outra para armazenamento seguro.
— Vou registrar ocorrência.
— Ela ainda está na propriedade?
O segurança confirmou que o carro havia descido a estrada do vale. Henrique mandou uma equipe verificar os limites.
Sara fechou as cortinas do quarto.
— Ela desligou a câmera antes de pegar o ferro. Isso não foi impulso.
Henrique aproximou-se. A manga do smoking tocou o braço dela.
— Eu devia ter visto.
— Ela trabalhava para não ser vista.
— Você viu.
— Porque ela nunca fingiu comigo.
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Leo se mexeu. Os dois recuaram ao mesmo tempo e quase bateram as mãos sobre a grade. Henrique deixou a palma ali por um instante.
— Obrigado, Sara.
— Reforce as portas. Agradeça depois.
Ele aceitou a ordem sem discutir.
No estacionamento da estrada baixa, Vitória permanecia dentro do carro esportivo. Retirou o telefone criptografado da bolsa e selecionou
COBRADOR
.
— Ele me expulsou.
— Então acabou — respondeu a voz.
— O plano A acabou. Inicie o B hoje.
— O preço dobra.
— Quero a casa no chão.
— Pessoas dentro complicam.
Vitória olhou as janelas iluminadas no alto.
— O bebê fica.
Do outro lado houve uma pausa.
— Confirma a ordem?
— Queime tudo com ele dentro.
No quarto de Leo, o gravador de Sara retomou automaticamente após um toque acidental no bolso. O aparelho registrou o silêncio da casa e, pela janela entreaberta, o ruído distante de um motor parado no vale.
Henrique passou a hora seguinte diante do monitor de segurança. As câmeras externas mostravam a estrada, o jardim e a garagem. A gravação da sala clara terminava trinta e dois minutos antes do confronto, quando Vitória aproximara o rosto do painel e digitara a senha de hóspede.
— Ela sabia onde ficava o ponto cego — disse Sara.
— Eu mostrei a ela quando reformamos a ala.
— Mostrou também a sala segura?
Henrique demorou a responder.
— Comentei que existia. Nunca dei o código.
Sara abriu a planta impressa sobre a mesa. Vitória participara de dois eventos beneficentes na propriedade e acompanhara fornecedores pelo corredor de serviço.
— Ela não precisa do código para contar a alguém onde procurar.
O chefe de segurança retornou com a lista de acessos. Uma credencial temporária fora usada na garagem às sete e quarenta, embora nenhum veículo tivesse entrado naquele horário. O registro vinha do cartão de Vitória.
— Pode ter sido clonagem — disse ele.
— Ou ela deixou alguém testar — respondeu Sara.
Henrique mandou bloquear todos os cartões e manter apenas abertura manual. Célia distribuiu lanternas. O cozinheiro conferiu os extintores da cozinha. Pela primeira vez, funcionários participaram das decisões em vez de aguardar ordens atrás das portas.
Sara levou Leo para o banho. Henrique ficou do lado de fora, falando com a delegacia. Quando voltou, o bebê estava enrolado numa toalha, batendo o pé na água.
— A ocorrência será registrada ainda hoje — disse. — Uma equipe vem recolher o aparelho.
— Vitória conhece alguém na delegacia local?
— Conhece metade da cidade.
— Envie a cópia do áudio para um advogado de São Paulo também.
Henrique fez isso diante dela. Criou três cópias, uma em nuvem, uma num cofre digital e outra num pen drive entregue ao administrador.
— Melhor?
— Mais difícil de apagar.
Leo espirrou água na camisa do pai. Henrique olhou a mancha e soltou uma risada curta, quase culpada.
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— Ele está bem — Sara disse.
— Você continua repetindo.
— Até o senhor começar a acreditar no que vê.
Depois do banho, Sara colocou Leo no berço e abriu o armário para separar roupas de emergência. Encontrou uma caixa que não reconhecia. Dentro havia cópias de documentos da propriedade, fotografias das entradas e uma chave reserva do porão.
Henrique segurou a caixa.
— Isso não estava aqui.
O envelope superior trazia a caligrafia de Vitória:
Para o arquiteto — reforma futura
.
Sara retirou a chave com um lenço.
— Ela preparou acesso antes de hoje.
O administrador confirmou que a chave original deveria permanecer no cofre da manutenção. Ao abrir o compartimento, encontrou o gancho vazio.
Henrique ligou para Helena Duarte, capitã que prestava consultoria à fundação.
— Não espere até amanhã — ela respondeu. — Tranque todos no prédio principal e mande uma equipe para o perímetro. Estou subindo a serra.
Sara fechou as janelas do quarto. Lá fora, o vento empurrava os galhos contra o vidro.
— A senhora Vitória saiu da estrada — informou um segurança pelo rádio. — Perdemos o carro perto da ponte.
Henrique aproximou o berço da parede interna.
— Você e Leo ficam comigo.
Sara colocou a chave de serviço no bolso.
— Ficamos onde for mais seguro. Se isso mudar, eu decido com o senhor.
Henrique sustentou o olhar e assentiu.
No vale, Rogério desligou os faróis da van. Vitória entregou-lhe a chave do porão e um mapa marcado em vermelho.
— A governanta gravou o primeiro incidente — disse ela. — Encontre o aparelho também.
— E se estiver com a polícia?
— Ainda não chegou ninguém.
Rogério observou as luzes no alto da colina.
— Chegaremos antes.
Vitória apertou o botão de travar as portas e ficou sozinha no carro, acompanhando a van subir sem faróis.
No alto, uma janela se apagou.
Vitória sorriu.
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